Tosse convulsa: vacinar na gravidez para proteger o bebé
A tosse convulsa é uma doença infeciosa do trato respiratório causada por uma bactéria chamada Bordetella perturssis. Afeta sobretudo crianças pequenas.
Epidemiologia
No mundo, a tosse convulsa continua a ser um importante problema de saúde pública, registando-se 20 a 40 milhões de casos de infeções por ano.
Em Portugal, o número de casos tem vindo a aumentar, tal como noutros países, atingindo valores que não eram registados desde os anos 60 do século XX:
- 260 casos declarados em 2015
- 420 casos notificados até agosto de 2016
- 42% dos casos de tosse convulsa registados desde 2012 foram em crianças abaixo dos 2 meses (antes da primeira vacina)
Prevenção: a importância da vacina
A vacinação é a forma de prevenção mais importante porque permite criar imunidade à doença.
Podem ocorrer casos de contágio mesmo em pessoas vacinadas, mas os sintomas são mais ligeiros, quer em crianças, quer em adultos, resumindo-se, geralmente, a uma tosse persistente.
O Plano Nacional de Vacinação prevê a administração da vacina em várias doses: aos 2 meses, aos 4 meses, aos 6 meses, entre os 15 e os 18 meses e entre os 5 e os 6 anos.
Além da vacina, a prevenção deve incluir outras medidas, como evitar o contacto com pessoas com sintomas suspeitos.
Porque foi introduzida uma vacina para grávidas
Como as crianças até aos 2 meses são as mais vulneráveis à tosse convulsa e a vacina contra a doença só é segura a partir dessa idade, a Direção-Geral de Saúde emitiu uma norma onde recomenda às grávidas que tomem a vacina combinada contra a tosse convulsa, o tétano e a difteria entre as 20 e a 36 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas.
Após a vacinação, a mãe produz anticorpos e passa-os para o bebé através da placenta, conferindo-lhe proteção passiva até ao início da vacinação, aos 2 meses de idade.
A vacina é comprovadamente segura e sem riscos para a grávida e para o bebé.
Como se transmite?
O contágio dá-se através de gotículas respiratórias da pessoa infetada, sobretudo na primeira fase da doença (1 a 2 semanas), a chamada fase catarral. Por isso, nessa fase, é fundamental usar uma máscara. Esta poderá ser retirada 5 dias após o início do tratamento com antibiótico. Se não for tratada, a pessoa pode contagiar outra durante 21 dias pelo menos.
Como se manifesta
No início (1 a 2 semanas), os sintomas são mais leves (febre baixa, tosse e inflamação da mucosa nasal).
A partir da segunda semana, os sintomas agravam-se: a tosse piora e pode acompanhar-se de cianose, protusão da língua, guincho inspiratório e vómito após a tosse, principalmente à noite e com a deglutição. Também podem ocorrer convulsões.
Por volta da sexta semana, os sintomas começam a abrandar. Contudo, podem ocorrer episódios de tosse durante meses.
Sabia que...
A estratégia de vacinação das grávidas já é usada há vários anos noutros países, nomeadamente no Reino Unido, onde a prevenção da doença no lactente atingiu os 90%.
Atenção!
A vacina deve ser adquirida na farmácia e com prescrição médica, mas a partir de 2017 passará a fazer parte do Plano Nacional de Vacinação para todas as grávidas.









