Domingos Oliveira
Agora que já sabia o que tinha, entreguei-me nas mãos dos profissionais de saúde. Senti desde o início que estava nas mãos certas.

Foi aos 48 anos, em 2008, que Domingos Oliveira recebeu a notícia de que tinha um cancro no estômago. Desportista desde os 17 anos, com alimentação equilibrada e sem antecedentes na família, estava longe de imaginar que um dia a doença lhe bateria à porta.

 

"Comecei com desconforto e dores recorrentes e acabei por ir ao médico da empresa". Esse mesmo médico receitou-lhe uma medicação com o objetivo de se sentir melhor dois a três dias depois. "Como continuei com queixas, recomendou-me alguns exames para investigar os meus sintomas". Domingos já era cliente do hospital CUF Descobertas e foi a esta unidade que se dirigiu para se submeter aos tais exames que viriam a confirmar um diagnóstico inesperado. Estava numa viagem profissional quando recebeu uma chamada telefónica indicando que deveria contactar o seu médico com urgência. "Tinha acabado de fazer os exames e não esperava um contacto tão rápido".

Assim que regressou da sua viagem já tinha consulta agendada com João Paulo Fernandes, coordenador da unidade de Oncologia do hospital CUF Descobertas. "Pensava que tinha uma úlcera e vinha preparado mentalmente para a necessidade de ser submetido a uma cirurgia. Foi um choque ouvir que tinha cancro". Domingos Oliveira tinha um carcinoma gástrico numa fase precoce e limitado ao estômago, não havia tempo a perder.

 

"O que mais me marcou é que a partir do momento em que soube o diagnóstico comecei estranhamente e logo de imediato a sentir uma enorme paz de espírito. Agora que já sabia o que tinha, era preciso tratar e resolver, e entreguei-me nas mãos dos profissionais de saúde. Senti desde o início que estava nas mãos certas."

 

Domingos foi submetido a uma gastrectomia subtotal em Janeiro de 2009 com sucesso. Foi possível manter parte do estômago, algo que o tranquilizou, sabendo das futuras implicações na sua qualidade de vida caso fizesse uma cirurgia de gastrectomia total. Renovou forças para enfrentar a recuperação e achava que a partir de então "tudo estaria resolvido".

Em Fevereiro surgiu uma nova má notícia. "O médico disse-me que tinha de fazer quimioterapia e radioterapia para prevenir que o tumor voltasse a aparecer. A palavra quimioterapia gelou-me o sangue e deitou-me abaixo mais do que o diagnóstico. Entrei em choque porque todos associamos quimioterapia a sofrimento, mal-estar, queda de cabelo e dor... Lembro-me que a notícia da cirurgia não teve tanto impacto emocional".

 

Ao longo de todo este processo Domingos sublinha que "o atendimento foi sempre muito atencioso" e que se sentiu "muito bem acolhido" no hospital de dia, onde diariamente se deslocava para as sessões, o que é essencial ao bem-estar e muito importante para criar as condições para a recuperação. "O espírito de boa disposição da equipa de enfermagem que nos acompanhava ajudou, criou-se uma pequena família entre todos".

O apoio familiar, sobretudo da mulher - que sempre o acompanhou a todas as sessões nunca o deixando enfrentá-las sozinho - e da sua filha foram essenciais para o processo de recuperação.

Apesar de tudo, Domingos quis continuar a trabalhar e optou por não ficar de baixa. Acordou com a empresa que iria trabalhar condicionado ao seu estado físico. "Fazia-me bem-estar ocupado", adianta. "Saía da quimioterapia e ia a conduzir para o escritório. Ficava até me sentir bem, mas não deixei de trabalhar". Quatro ou cinco meses depois já comia quase de tudo sem restrições, embora pouca quantidade de cada vez. Não sentiu o estigma do "doente de cancro" no trabalho, embora os colegas lhe confidenciem - agora que tudo ficou para trás - que às vezes se impressionavam com as mudanças físicas provocadas pela doença.

 

Como mensagem a outros doentes afirma que "há que acreditar. Acreditei que cada barreira ultrapassada era mais um passo a caminho do sucesso".