Lígia Gameiro
Foi esta equipa que me salvou. Se estou viva é graças a cada um deles.

Lígia Gameiro fazia questão de estar num local seguro no momento de dar à luz. Escolheu o hospital CUF Descobertas e o ginecologista e obstetra Jorge Lima para seguir a sua gravidez e o facto de residir em Torres Novas nunca foi um entrave a esta decisão. Em 2008 nasceu Rafael, o seu primeiro filho, e para Lígia o parto "foi perfeito". Esteve sempre acordada, assistiu a tudo, ficou de imediato com o seu filho, não sentiu dores. "O facto de poder ter visitas num horário mais alargado e o acompanhamento permanente do meu marido também foram decisivos". Naturalmente decidiu continuar a ser vigiada no hospital CUF Descobertas durante a gestação do seu segundo filho, o Francisco.

 

Estávamos a 22 de Janeiro de 2013 - o bebé Francisco ia nascer e Lígia deu entrada no hospital. Mas, ao contrário da primeira vez, o parto não correu como desejado. Lígia não se recorda do nascimento do segundo filho nem dos dias que se lhe seguiram. Mas Gonçalo, o marido, talvez nunca se esqueça. E conta-nos que Lígia passou por uma situação complexa e muito rara que atinge uma em 80 mil mulheres: embolia de líquido amniótico.

 

Estava tudo a correr normalmente. Lígia estava no quarto acompanhada pelo seu marido e pela enfermeira Maria do Céu Ramalho e já tinha a dilatação completa. "De repente, vimos que a Lígia não estava a conseguir respirar. A enfermeira Céu colocou de imediato a máscara de oxigénio e pediu ajuda", lembra Gonçalo. O pedido foi prontamente ouvido e rapidamente se começaram a juntar vários elementos da equipa. "Foi uma questão de segundos. Todos corriam pelo corredor, ninguém caminhava", adianta o pai.

 

A prontidão de todos os profissionais fez a diferença. O facto de a Lígia ter a dilatação completa permitiu que o parto fosse realizado de imediato e o bebé nasceu bem.

 

Quem cortou o cordão umbilical foi Mafalda Lucas, médica pediatra: "O Dr. Jorge Lima tirou o Francisco e passou-mo para as mãos. Fizemos uma reanimação muito suave ainda na sala e levámo-lo logo para a Unidade de Cuidados Especiais ao Recém-Nascido. O bebé estava bem e o nosso papel foi muito simples: acompanhá-lo nas primeiras horas e também apoiar o pai que acabou por ficar junto a nós".

 

O acordar de Lígia

Lígia não se lembra de nada, "nem sequer de vir para o hospital". "Dias mais tarde comecei a ter noção de que não estava em minha casa mas não sabia onde estava". Sentia-se como a ouvir uma história que não se tinha passado consigo. O importante é que "recuperei com grande apoio de médicos, amigos e familiares que sofreram muito por vivenciarem a situação conscientes do risco de vida que corri". Lígia nunca precisou de acompanhamento psicológico nem sofreu de stress pós-traumático. Apenas pensa na situação em alguns momentos em família: "Começo a pensar que se não tivesse sobrevivido não ia ter oportunidade de viver estes momentos com o meu marido e os meus filhos..."

 

Hoje em dia, a vida desta família é como a de qualquer outra, embora tenha na sua história uma experiência desta intensidade. O desfecho deixa sentimentos de gratidão.

 

"Foi esta equipa que me salvou. Se estou viva é graças a cada um deles."

 

Gonçalo - o pai e marido que assistiu a tudo - partilha deste sentimento. Também foi muito apoiado por todos os profissionais e faz questão de agradecer a cada um, sem exceção: "Foram todos inexcedíveis, impecáveis também no acompanhamento que me deram!". Apesar da ansiedade com que viveu os dias e do medo que sentiu, diz que é com muito gosto que regressa ao hospital. "Dou os meus parabéns sinceros a toda a equipa, sou muito grato a todos, das empregadas de limpeza às auxiliares, enfermeiros e médicos".