Manuel
Incansáveis e extraordinários" são as palavras que os pais repetem para caracterizar a atuação da equipa.

Nada fazia adivinhar que o pequeno Manuel, agora com 4 anos de idade, pudesse sofrer de surdez bilateral. "O Manuel foi sempre um bebé alegre e comunicativo", recorda a mãe. "Custou-me a acreditar na possibilidade porque ele sorria e palrava constantemente. Agora sei que o palrar é próprio das crianças, mesmo quando elas não escutam".

 

Foi o resultado do rastreio auditivo neonatal que deu o primeiro sinal de alarme. O exame acabaria por ser repetido 4 vezes porque, dada a pouca idade da criança e a falta de historial clínico que pudesse alertar para a hipótese da surdez, pais e técnicos de saúde decidiram aguardar que o Manuel cumprisse os três meses de idade. No entanto, volvido esse tempo o bebé de Ana Luísa e Paulo continuou a não passar nos exames auditivos. "Foi então que recorremos à consulta de otorrinolaringologia. Conhecer o diagnóstico foi o momento mais devastador das nossas vidas. A pessoa nem sabe o que sente tal é o choque".

 

Surge a hipótese de uma cirurgia para a colocação de implantes cocleares. O casal ruma a Espanha para se consultar com um renomado especialista. É este que os informa da adequação desta possibilidade para o caso do Manuel e os encaminha para a consulta de otorrinolaringologia do Professor João Paço no hospital CUF Infante Santo.

A recomendação é clara e explícita: "A intervenção devia ser realizada entre os 6 e os 8 meses de idade", adianta Ana Luísa. "O facto de ser fisioterapeuta ajudou-me a ter sensibilidade para perceber a importância do fator tempo. Tive ocasião de falar com pais nas mesmas circunstâncias, e verifiquei que as pessoas não sabem o quanto se perde em adiar a intervenção. Mesmo do ponto de vista do meu marido o Manuel não tinha sido operado de imediato por ser tão pequeno. Eu, pelo contrário, estava ciente que a diferença do desenvolvimento da capacidade oral e verbal entre ser-se operado aos seis meses e com um ano é imensa. Vários médicos defendem que os bebés implantados precocemente nem necessitam de fazer terapia da fala".

 

Operado pela equipa do Professor João Paço, do hospital CUF Infante Santo, o bebé, então com 7 meses, tornou-se a criança mais pequena em Portugal a ser portadora de implantes cocleares.

"Na hora em que ele entrou para o bloco operatório é que me vieram os medos e as inseguranças ao de cima", recorda a mãe. "O Professor João Paço e a equipa apoiaram-me sempre muito ao longo do processo. Para nos tranquilizar, ele ligou-me quando colocaram o primeiro implante. Ficámos mais esperançados".

 

"Incansáveis e extraordinários" são as palavras que os pais repetem para caracterizar a atuação da equipa. "Permitiram-nos que pernoitássemos no hospital para estar com o Manuel e o tempo inteiro estiveram atentos ao que precisávamos", realça Ana Luísa.

 

4 anos depois

"Nada fazia antever a vida que o Manuel tem agora" afirma Ana Luísa. Frequenta um infantário regular, onde "foi muito bem acolhido". "Tem uma relação fantástica com todos". "É brincalhão e muito comunicativo". Adora ler histórias e ver filmes, e até gosta de cantar! Para além disso, também tem aulas de Piano.

Já fez natação e adora ir à piscina e à praia, onde não dispensa os protetores dos aparelhos para poder ouvir e comunicar com os outros. O Manuel gere muito bem a utilização dos aparelhos, que nunca dispensa - até já perguntou à Mãe porque é que ela não tinha uns aparelhos como ele!