Bursite

Bursite

A bursite corresponde a uma inflamação de uma bursa (ou bolsa), uma espécie de almofada que se situa entre o osso e a pele, amortecendo os impactos no cotovelo. Essa bolsa contém um fluido que reduz o atrito e facilita o movimento da pele sobre o osso subjacente.

 

A bolsa do olecrânio situa-se entre a pele e uma saliência óssea do osso cúbito, na região posterior do cotovelo, designada como olecrânio.
Normalmente, essa bolsa é achatada. Se estiver irritada ou inflamada, acumula-se mais fluido no seu interior e ocorre bursite.

 

Factores de risco para a bursite

Na presença de um trauma ou de um apoio prolongado sobre a bursa, esta pode ficar inflamada, facto bastante comum em profissões que implicam um apoio repetido do corpo sobre o cotovelo, como os pintores ou os condutores de camião que repousam o cotovelo contra a janela.

 

Embora existam outras pequenas bolsas na área do cotovelo, a bolsa do olecrânio é a mais proeminente e, por isso, é a mais afectada na prática desportiva. A sua localização, mesmo na ponta do cotovelo, torna-a também mais vulnerável.

 

No contexto do desporto, esta bursite é causada mais frequentemente por um trauma agudo, como uma queda.

 

Embora a bursite posa resultar do uso excessivo de uma articulação de maneira crónica ou de um trauma, existem outras causas, como uma ferida, a gota, a pseudogota, a artrite reumatóide ou infecções.

 

De facto, uma infecção na extremidade do cotovelo, como uma picada de insecto ou uma ferida, permite a entrada de bactérias que alcançam a bolsa infectando-a.

 

Muitas vezes, a causa não é identificada.

 

Sintomas da bursite

Como a bolsa do olecrânio é a maior do cotovelo, a sua lesão associa-se a uma importante compromisso da função desta articulação.

 

Quando a bursite é causada por um traumatismo, o cotovelo incha rapidamente. Quando esse processo é mais lento corresponde a uma lesão repetida, na qual ocorre pressão pelo uso do cotovelo como apoio para o peso do corpo.

 

O cotovelo pode ficar doloroso, sensível ao toque ou incapaz de se movimentar normalmente.

 

Caso a pele esteja vermelha e quente, pode ser sinal de uma infecção. Se essa infecção não for tratada, ela pode disseminar-se pela corrente sanguínea para outros locais do corpo. Pode também ocorrer a drenagem espontânea de pus a partir de uma bolsa infectada.

 

A dor e o inchaço prolongados limitam o movimento, causando debilidade motora e atrofia muscular. Os acessos de bursite crónica podem durar de alguns dias a várias semanas e, com frequência, ocorrem recaídas.

 

Muitas vezes, o primeiro sintoma é o inchaço mas, como a pele nesta área do cotovelo é muito laxa, uma pequena acumulação de líquido e de inchaço pode não ser notada imediatamente.

 

Diagnóstico da bursite

O exame médico é importante. A presença de uma zona na ponta do cotovelo dolorosa à palpação e a ocorrência de dor com alguns movimentos específicos da articulação são sinais muito sugestivos da presença de bursite do cotovelo.

 

Se a bolsa estiver muito inchada, o médico pode extrair com uma agulha e uma seringa uma amostra do líquido da bolsa para fazer análises que ajudem a determinar as causas da inflamação (como uma infecção ou a gota).

 

As radiografias não costumam ser úteis, a menos que existam depósitos de cálcio. Como tal, este tipo de exame será importante para excluir outros problemas associados.

 

Tratamento da bursite

Quando o inchaço se desenvolve gradualmente, não é muito grande e não ocorreu trauma, algumas medidas podem ser usadas, como a interrupção das actividades que exercem pressão sobre o cotovelo, o uso de gelo durante 15 a 20 minutos, três ou quatro vezes ao dia e a elevação do cotovelo acima do nível do coração.

 

Se os sintomas persistirem, o cotovelo estiver vermelho, a dor aumentar ou tiver ocorrido um trauma, é importante procurar um médico para excluir uma fractura associada.

 

Os anti-inflamatórios são igualmente úteis e, em alguns casos, poder-se-á recorrer à infiltração de corticóides ou à aspiração do seu conteúdo.

 

A cirurgia envolve a remoção da bolsa e implica um curto período de imobilização para protecção da pele. Poderá ser recomendado algum tempo de fisioterapia de modo a melhorar a mobilidade do cotovelo. Como regra, a pele cicatriza em 10 a 14 dias e, após 3 a 4 semanas, poderá ser utilizado sem restrições embora deva ser protegido durante alguns meses para prevenir recaídas ou novas lesões.

 

Nos casos de bursite aguda, a toma de um corticóide por via oral, como a prednisona, durante alguns dias ajuda a aliviar a dor. Quando ela diminui, a prática de exercícios específicos é útil para aumentar o grau do movimento articular.

 

O tratamento da bursite crónica é semelhante, embora seja menos provável que o repouso ou a imobilização sejam eficazes.

 

As bursites que limitam a função da articulação podem ser aliviadas por meio de várias injecções de corticóides juntamente com uma fisioterapia intensiva, para restabelecer o funcionamento da articulação. Os exercícios ajudam a reforçar os músculos enfraquecidos e restabelecem o grau completo do movimento articular.

 

A bursite é, com frequência, recorrente se não for corrigida a causa subjacente, como a gota, a artrite reumatóide ou o uso excessivo crónico da articulação.

 

Na presença de infecção, os antibióticos são essenciais, por via oral ou injectados directamente na bolsa.

 

Prevenção da bursite

A prevenção passa por evitar submeter o cotovelo a situações de pressão excessivas.

 

Fontes

  • American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2013
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Jan 2013
  • Marcio Cohen e col., Lateral Epicondylitis Of The Elbow, Rev Bras Ortop. 2012;47(4):414-20
  • U.S. National Library of Medicine, Julho 2013
  • MedicineNet, Inc., 2013
  • Rogério Teixeira da Silva, Lesões do membro superior no esporte, Rev Bras Ortop. 2010;45(2):122-31
  • Jeffrey R. Dugas e col., Elbow Injuries in Sports, Hospital Physician Board Review Manual, Vol. 1, Part 4, 2005: 1-12

 

Conteúdo elaborado com o apoio de InfoCiência