Rotura tendinosa do ombro

Rotura tendinosa do ombro

As lesões dos tendões do ombro ocorrem em diversos desportos comuns, como o ténis ou outros desportos de raquete e a natação.

 

O mecanismo de lesão dos tendões pode resultar de um processo de hipertrofia ou de inflamação que aumentam o volume do músculo e do tendão e afectam a sua mobilidade ou de uma redução do espaço disponível na articulação relacionado com a formação de esporões ósseos. Outra possibilidade é a fraqueza de um tendão aumentar a instabilidade articular, assim aumentando o risco de lesões.

 

Dos diversos tendões que podem ser lesados no ombro, o mais importante é o tendão do músculo bicípete.
 

Este músculo situa-se na região anterior do braço e insere-se no cotovelo e no ombro. Quando ocorre uma rotura a nível do ombro, a força no braço é perdida e torna-se impossível fazer a sua flexão. O músculo bicípete insere-se no ombro através de dois tendões.

 

O tendão mais longo apresenta maior tendência para rotura, uma vez que é mais vulnerável ao longo do seu trajecto. São muito raras as roturas do tendão mais curto e, por esse motivo, em muitos casos continua a ser possível utilizar este músculo mesmo com uma rotura completa do tendão mais longo.

 

Dependendo da extensão rotura, o tratamento poderá ser meramente sintomático ou cirúrgico.

Estas roturas podem ser parciais ou completas e podem ocorrer em simultâneo com a lesão de outras estruturas do ombro.

Muitas vezes, o processo é gradual, ocorrendo a rotura quando se tenta erguer um objecto pesado.

 

Factores de risco para as roturas tendinosas do ombro

As roturas tendinosas do ombro podem ocorrer por trauma directo ou por excesso de uso.
O trauma pode ser uma queda sobre o braço em extensão ou a tentativa de erguer um objecto muito pesado.

O excesso de uso ocorre de uma forma progressiva e é agravado pela idade.

 

Existem alguns factores de risco que importa considerar, como a idade, as actividades que implicam movimentos acima da cabeça, como levantar pesos, desportos como o ténis e a natação, o tabaco (afecta a nutrição dos tendões) e o uso de medicamentos corticóides (aumentam a fraqueza dos músculos e dos tendões).

 

Sintomas das roturas tendinosas do ombro

A rotura do tendão do ombro provoca uma dor súbita e intensa na parte súbita e intensa na parte superior do braço, sendo, por vezes, audível um estalido.

 

Pode formar-se um hematoma na região superior do braço estendendo-se para o cotovelo.

 

Ocorre uma perda de força tanto no ombro como no cotovelo e é difícil rodar a palma da mão para cima e para baixo.

 

A rotura do tendão não permite a manutenção da tensão sobre o músculo bicípete, formando-se uma saliência acima do cotovelo, que é conhecida como “músculo de Popeye”.

 

Diagnóstico das roturas tendinosas do ombro

A observação médica permite apreciar o tipo de rotura, sendo realizados diversos testes. A história clínica também ajuda a orientar o diagnóstico.

 

As roturas parciais tendem a ser mais difíceis de diagnosticar.

 

A radiografia não permite visualizar os tendões mas pode ser útil para identificar outros problemas no ombro.

 

A ecografia é igualmente um exame com interesse nestes casos.

 

A ressonância magnética permite obter imagens dos tendões e possibilita o diagnóstico de uma rotura parcial ou completa.

 

Tratamento das roturas tendinosas do ombro

Como se referiu, a dor resultante de uma rotura do tendão longo do bicípete melhora ao longo do tempo. A menor força ou deformação do braço poderão não ser incómodas para pacientes mais idosos ou menos activos.

 

Nesses casos, o tratamento passa pela aplicação de gelo durante períodos de 20 minutos várias vezes por dia de modo a reduzir o inchaço e aliviar a dor. Convém nunca aplicar o gelo directamente sobre a pele.

 

O repouso e o uso de anti-inflamatórios controlam a dor e a inflamação. Pode ser importante um período de imobilização.
A fisioterapia ajuda a recuperar a flexibilidade e a força da região do ombro.

 

A cirurgia raramente é necessária numa rotura do tendão longo. Contudo, para atletas ou para profissionais, a cirurgia permite a reparação do tendão e a sua reinserção no ombro. A cirurgia é igualmente útil para os pacientes cujas queixas não melhoram com o tratamento médico.

Após a cirurgia, o ombro deve ficar imobilizado devendo ser definido um plano de fisioterapia.

 

Prevenção das roturas tendinosas do ombro

A prevenção das lesões por excesso de uso é muito importante. Essa prevenção é conseguida através de exercícios de alongamento e de força e de um correcto programa de aquecimento.

 

O conhecimento dos movimentos correctos de cada desporto é essencial de modo a se poderem prevenir lesões do ombro resultantes de movimentos incorretos.
 

 

Fontes

  • American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2013
  • Nuno Sampaio Gomes e col, Doenças da coifa dos rotadores, Secção do Ombro da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia
  • Mayo Foundation for Medical Education and Research, Agosto 2010
  • N. Cicak, Posterior dislocation of the shoulder, J Bone Joint Surg [Br] 2004;86-B:324-32.
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  • Martin J. Kelley e col., Frozen Shoulder: Evidence and a Proposed Model Guiding Rehabilitation, J Orthop SportsPhys Ther 2009; 39(2):135-148.
  • Simovitch R e col., Acromioclavicular joint injuries: diagnosis and management, J. Am Acad Orthop Surg. 2009 Apr;17(4):207-19.
  • Acromioclavicular (AC) Joint injury, A guide to prevention and management, Sports Medicine Australia
  • Johns Hopkins Department of Orthopaedic Surgery, 2012
  • Habermeyer P, Tendon ruptures of the shoulder, Orthopade, 1989, Aug;18(4):257-66
     

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