Fracturas

Fracturas

As fracturas da mão e do punho podem envolver diversos ossos, alguns pequenos como as falanges, outros de maiores dimensões, como os metacarpos.

 

A nível do punho, as possibilidades são também diversas e importa analisá-las de modo individual. De facto, o punho é composto por 8 pequenos ossos e ainda pelo rádio e pelo cúbito. Esses ossos formam entre si diversas articulações e estão revestidos por cartilagem.

 

A osteoporose aumenta o risco das fracturas do punho.

Um dos ossos mais susceptíveis é o rádio. As fracturas do punho podem ser simples, quando os ossos estão alinhados e estabilizados, ou podem ser instáveis quando os fragmentos ósseos se deslocam ou mudam de posição. Um correcto alinhamento é essencial para se evitarem deformidades futuras e limitações nos movimentos, com artrite e dor.

 

Quando estas fracturas são expostas (o osso perfura a pele) o risco de infecção é mais elevado.

 

O tratamento depende de factores como a idade do paciente, o nível de actividade, profissão, mão dominante, lesões anteriores, presença de artrite ou de outras doenças.

 

A imobilização é importante nas fracturas bem alinhadas ou naquelas que já foram reduzidas. Essa imobilização é necessária durante várias semanas.

 

Os mecanismos de fixação de uma fractura passam pelo uso de diversos tipos de materiais (placas, parafusos, implantes) e a fixação pode ser interna ou externa. Em casos de perda de material ósseo, poderá ser necessário colocar um enxerto.

 

Durante o processo de cicatrização, é importante manter a flexibilidade dos dedos e do ombro. Quando o punho estiver estável, dever-se-á iniciar um programa de exercícios que permitam recuperar força, flexibilidade e função.

O tempo de recuperação é variável e pode durar diversos meses. Por vezes, pode persistir alguma rigidez e dor.

 

Fracturas do Rádio

As fracturas do rádio são comuns em modalidades como o skate e o futebol.

A gravidade varia com o grau de compromisso articular sendo maior em desportos de alto contacto (ex: desportos equestres ou motorizados).

 

O mecanismo mais comum é a queda sobre a mão com o punho em hiperextensão.

 

Ocorre dor, impotência funcional e inchaço. A avaliação por imagem inicial é feita através da radiografia mas a tomografia computorizada ou a ressonância magnética podem ser necessárias nas fracturas articulares ou na suspeita de uma lesão ligamentar.

A presença de adormecimento ou formigueiros nos dedos sugere lesão de um nervo.

 

O objectivo do tratamento é manter o comprimento do osso, a sua inclinação radial e a congruência das várias articulações do rádio. As fracturas não desviadas devem ser tratadas conservadoramente. As fracturas desviadas devem ser submetidas a redução e a fixação.

 

Fracturas do Escafóide

O escafóide é o osso mais fracturado no punho (60% dos casos).

 

Esta fractura tende a ser pouco diagnosticada, sendo uma ameaça para a vida competitiva de um atleta, com evolução possível para artrose. Se não for tratada, altera toda a mobilidade do punho. Como tal, um diagnóstico precoce e um tratamento adequado são de extrema importância.

 

As fracturas do escafóide resultam, quase sempre, de uma queda sobre o punho em hiperextensão e desviado para o lado do polegar, podendo haver outros mecanismos. Quanto maior a extensão do punho na queda maior o risco de fractura deste osso. Quando a extensão é menor, será mais provável a fractura do rádio.

 

Este tipo de fractura provoca dor no punho, sobretudo na região da tabaqueira anatómica (pequena cavidade triangular formada pelos tendões do polegar quando este está em extensão). Esta dor deve levantar suspeita de fractura do escafóide. É raro ocorrer deformação ou inchaço neste tipo de fractura, o que pode atrasar o diagnóstico.

 

Se esta fractura não for visível no exame radiológico inicial, o punho deve ser imobilizado havendo lugar a novo exame após duas semanas.

Para lá da radiografia, a cintigrafia, a ressonância magnética e a tomografia computorizada são exames importantes para um diagnóstico precoce e rigoroso.

 

Fracturas da Mão

A mão contém 27 ossos.

As fracturas dos metacarpos e das falanges são comuns em diversos desportos. A fractura mais comum é a “fractura do lutador de box” que ocorre quando se bate com a mão contra uma superfície com o punho cerrado. Nesta fractura, o quinto metacarpo (no dedo mindinho) fica deprimido e os tecidos ficam sensíveis e inchados.

 

Estas fracturas podem ocorrer numa queda, movimento de torção, acidente de viação ou em desportos com contacto directo.
Manifestam-se sob a forma de inchaço, dor, deformação, incapacidade de mover um ou mais dedos, redução no comprimento do dedo, nós dos dedos deprimidos e cruzamento de um dedo sobre outro quando se tenta cerrar o punho.

 

O diagnóstico é suportado pelo exame médico e pela avaliação radiográfica.

O tratamento passa pelo realinhamento dos ossos que, com frequência, é possível sem cirurgia. A imobilização é essencial durante 3 a 6 semanas. Após esse período deverão ser iniciados movimentos suaves com a mão.

 

A cirurgia pode ser necessária para estabilizar e alinhar os ossos. Este aspecto é importante porque se os ossos cicatrizam na posição incorrecta, pode ocorrer perda de função do dedo.

 

Fracturas dos Dedos

Os ossos da mão estão alinhados de um modo muito preciso. Se uma fractura de um dedo não for devidamente corrigida podem ocorrer problemas significativos. Mesmo a fractura de um único dedo pode causar o desalinhamento de toda a mão e, sem tratamento, o dedo fica rígido e doloroso.

 

De um modo geral, as fracturas dos dedos ocorrem como resultado de um trauma da mão, num impacto directo ou numa queda. Mesmo uma bola pode causar a fractura de um dedo.

 

Os sintomas são um inchaço e deformação na zona da fractura, dor, formação de hematoma, incapacidade de mover o dedo.
Os ossos dos dedos podem fracturar-se de diversos modos, podendo ser fracturas completas, em espiral, com fragmentos, etc.

O diagnóstico é clínico e radiológico.

 

O alinhamento do dedo fracturado pode ser feito sem cirurgia seguido de imobilização durante cerca de 3 semanas. Essa imobilização pode incluir os dedos vizinhos de modo a fornecer suporte adicional e será seguida de um período adequado de fisioterapia.

A cirurgia será necessária para fracturas mais complexas.

 

Fracturas do Polegar

Esta fractura merece um tratamento destacado dada a importância do polegar. É graças ao polegar que é possível segurar um objecto e uma fractura deste dedo aumenta o risco de artrite numa fase mais tardia da vida.

 

O polegar é formado por dois ossos, a falange distal e a falange proximal, e as fracturas mais graves são as que afectam o dedo junto às suas articulações, sobretudo na sua ligação ao punho. Estas fracturas são mais difíceis de tratar e apresentam um pior prognóstico.

 

As causas mais comuns são os impactos directos, como as quedas, ou os causados por uma bola que se tenta agarrar empurrando o polegar para trás.

 

Podem ocorrer fracturas por mecanismos indirectos, como uma contracção ou torção muscular, o que pode acontecer em desportos como o wrestling, hóquei, futebol e esqui.

 

As deficiências de cálcio aumentam o risco deste tipo de fractura.

O uso de material protector adequado reduz o risco de fractura do polegar, sendo igualmente importante uma boa preparação prévia e uma nutrição adequada.

 

A fractura do polegar manifesta-se por dor intensa no local da fractura, inchaço, limitação de movimentos, deformação sensação de adormecimento ou de frio no polegar.

 

O diagnóstico baseia-se na história clínica e na observação e no exame radiográfico.

 

Um atraso no tratamento, com manutenção de um inchaço, torna mais difícil a correcto alinhamento dos ossos. A imobilização é importante para impedir o movimento ou deslocação dos ossos fracturados. Essa imobilização deverá ser mantida durante 6 semanas e, durante esse período, serão feitas radiografias de controlo.

 

A cirurgia poderá ser necessária, em função da localização e da quantidade de movimento dos fragmentos ósseos. A cirurgia passa pela fixação dos fragmentos por via interna ou externa.

 

A imobilização é mantida durante 2 a 6 semanas e a fisioterapia é iniciada após esse período. Poderão ser necessários cerca de 3 meses até se recuperar o uso pleno da mão.

 

Se a mão for mantida numa posição estável, estas fracturas cicatrizam bem, embora exista o risco de desenvolvimento de uma artrite que pode limitar os movimentos e a força do polegar.

 

A realização de movimentos com o polegar dentro de água quente e o uso de objectos concebidos para estimular o movimento de abrir e fechar a mão poderá ajudar, embora estas estratégias devam ser sempre definidas pelo médico ortopedista.
 

 

Fontes

  • American Academy of Family Physicians
  • Mayo Clinic
  • William Albeiro Jimenez e col, Tenossinovites De Quervain: uma nova proposta no tratamento cirúrgico, Rev. Bras. Cir. Plást. 2010; 25(3): 465-9
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