Lesões musculares e tendões

Lesões musculares e tendões

O tecido muscular esquelético corresponde à maior massa no corpo humano, representando cerca de 45% do total do seu peso.

 

As lesões musculares podem ser causadas por pancadas diretas, estiramentos ou lacerações.

 

Estas lesões podem ser ligeiras (grau I), com presença de inchaço e desconforto, moderadas (grau II), com perda de função e formação de hematoma ou equimose, ou graves (grau III), com rotura completa, dor intensa e hematoma de grandes dimensões.

 

As lesões musculares são a causa mais frequente de incapacidade física no desporto, correspondendo a cerca de 30-50% das lesões.

 

Embora o tratamento permita uma boa recuperação na maioria dos casos, as consequências destas lesões podem, em alguns casos, ser dramáticas impedindo o retorno à actividade durante semanas ou meses.

 

Cerca de 90% das lesões musculares no desporto são equimoses ou estiramentos. As lacerações são muito mais raras.

 

De um modo geral, as lesões causadas pelo desporto devem-se a métodos de treino incorretos, anomalias estruturais que forçam certas partes do corpo mais do que outras e fraqueza dos músculos, tendões e ligamentos. O desgaste crónico é a causa de muitas destas lesões.

 

A maior parte das lesões musculares e articulares deve-se a métodos de treino incorretos, nos quais não se permite uma recuperação adequada ao fim de um período de treino, ou não se interrompe o exercício quando aparece a dor.

 

Sempre que se forçam os músculos num treino intensivo, algumas fibras musculares lesionam-se e outras consomem a energia disponível que foi armazenada. Exigem-se mais de dois dias para que as fibras sarem e, como só as fibras não lesionadas e adequadamente alimentadas funcionam de modo apropriado, os períodos de treino intensivo muito seguidos exigem um maior trabalho a uma menor quantidade de fibras sãs, aumentando a probabilidade de lesões.

 

Como tal, podem prevenir-se as lesões crónicas deixando um intervalo de pelo menos 2 dias entre os períodos de treino intensivo ou alternando os que forçam diferentes partes do corpo.

 

Existem anomalias estruturais que podem aumentar o risco de lesão muscular ao causarem uma distribuição desigual do esforço pelas várias partes do corpo. Por exemplo, quando as pernas são desiguais em comprimento, exerce-se uma força maior sobre a anca e o joelho da perna mais comprida. Correr em superfícies irregulares tem o mesmo efeito.

 

Um dos factores biomecânicos que causa a maioria das lesões do pé, da perna e da anca é a excessiva rotação dos pés para dentro depois de entrarem em contacto com o solo.

 

Os músculos, os tendões e os ligamentos rompem-se quando são submetidos a esforços superiores à sua força intrínseca. Por exemplo, podem lesionar-se se forem demasiado fracos ou rígidos para o exercício que se está a tentar praticar. As articulações são mais propensas às lesões quando os músculos e os ligamentos que as sustentam são fracos, como acontece depois de uma entorse. Os ossos enfraquecidos pela osteoporose podem fracturar-se mais facilmente.

 

Os exercícios de fortalecimento ajudam a prevenir as lesões. O exercício regular não aumenta nem reforça a musculatura de forma significativa. O único modo de fortalecer os músculos é exercitá-los contra uma maior resistência de forma progressiva, como praticar um desporto cada vez mais intenso, levantar pesos cada vez maiores, ou usar máquinas especiais de fortalecimento.

 

A dor que precede muitas lesões por desgaste apresenta-se pela primeira vez quando um número limitado de fibras do músculo ou do tendão se rompe. Interromper o exercício ao primeiro sinal de dor limita a lesão a essas fibras, permitindo uma recuperação mais rápida. A manutenção do exercício enquanto se sente dor provoca a laceração de uma maior quantidade de fibras, agravando a lesão e atrasando a recuperação.

 

O diagnóstico é essencialmente clínico e a ecografia, ressonância magnética e tomografia complementam bem essa avaliação. Destes três, a ecografia é considerada como o método ideal.

 

Os princípios do tratamento das lesões musculares repousam no clássico conjunto: protecção, repouso, gelo, compressão e elevação.

 

Um bom equilíbrio entre imobilização inicial e mobilização precoce é difícil e cada uma destas fases tem vantagens e desvantagens que importa avaliar numa perspectiva individual.

 

Os anti-inflamatórios não esteróides ajudam a controlar a dor e a inflamação e a fisioterapia possibilita a recuperação da força e flexibilidade. O uso de ultra-sons é recomendado no tratamento das lesões musculares.

 

As injecções de corticóides na área lesionada ou nos tecidos circundantes aliviam a dor e reduzem o inchaço. Contudo, estas injecções podem atrasar o processo de cura, aumentando o risco de lesão do tendão ou da cartilagem.

 

A fisioterapia, com aplicação de calor, frio, electricidade ou ultra-sons contribui para o processo de reabilitação. A sua duração dependerá do grau de gravidade e complexidade da lesão.

 

A actividade ou o desporto que causou a lesão devem ser evitados até à cura. A substituição por actividades que não forcem a zona lesionada é preferível à abstenção de toda a actividade física, dado que a inactividade completa causa a perda da massa muscular, da força e da resistência. Como regra, uma semana de repouso requer pelo menos duas semanas de exercício para se voltar ao nível de estado físico anterior à lesão.

 

A cirurgia tem indicações muito específicas e deve ser considerada para doentes com dor persistente há mais de 4 a 6 meses.

 

O aquecimento antes de se iniciar qualquer exercício é essencial para prevenção de lesões. O aquecimento prepara os músculos para exercícios enérgicos.

 

O arrefecimento significa uma redução gradual da velocidade antes de se interromper o exercício e evita as tonturas ao manter a circulação sanguínea. Quando se interrompe bruscamente um exercício enérgico, o sangue pode acumular-se nas veias das pernas, reduzindo momentaneamente a irrigação cerebral e causando tonturas ou desmaio. O arrefecimento também ajuda a eliminar resíduos como o ácido láctico dos músculos.

 

Os exercícios de alongamento não parecem prevenir as lesões, mas alongam os músculos de tal forma que se podem contrair mais eficazmente e funcionar melhor.

 

O uso de equipamento adequado é parte integrante da prevenção de lesões musculares e dos tendões.
 

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