Anestesia geral, local, regional ou sedação: conheça as diferenças

Existem diferentes técnicas que se aplicam consoante os efeitos pretendidos, o tipo de caso e o doente em questão. O objetivo é comum: segurança e conforto nos procedimentos médicos e cirúrgicos.
Publicado por: CUF em 11 de Setembro 2019
Tags: anestesia , anestesia geral , anestesia local , anestesia regional , sedação
Pessoa anestesiada

Anestesia significa "perda de sensação". A evolução da anestesia permite atualmente praticar inúmeros procedimentos médicos e cirúrgicos que salvam ou melhoram a vida das pessoas e que sem anestesia não seriam possíveis de realizar.

A forma de atuação, os efeitos e a recuperação, são diferentes consoante se trate de  anestesia geral, anestesia regional, sedação ou anestesia local. O estado de saúde do paciente e o tipo de procedimento a que vai ser submetido determinam a escolha do tipo de anestesia.

 

Como é administrada a anestesia

A anestesia pode ser administrada ao paciente de diversas formas:

  • Administração local: pomada, spray ou gotas;
  • Por via intravenosa;
  • Por via inalatória (administração de um gás inalado);
  • Por via regional (por exemplo, via epidural).

 

O papel do anestesiologista

A maior parte das técnicas anestésicas é realizada pelo médico anestesiologista, excetuando-se, por vezes, técnicas de anestesia local, que podem ser administradas pelo próprio médico que está a realizar um procedimento (por exemplo, a extração de um sinal cutâneo com anestesia local).

Durante a anestesia do paciente, este médico especialista está sempre presente para vigiar e monitorizar os seus sinais vitais - batimentos cardíacos, pressão sanguínea, respiração, temperatura, entre outros - de forma a garantir que se mantêm normais e estáveis. Também vai administrando todos os fármacos - como sedativos, analgésicos, relaxantes musculares e soros - que permitem a realização do procedimento em segurança.

Terminado o procedimento ou cirurgia, o anestesiologista irá reverter o efeito dos fármacos e vigiar o doente até que este recupere a consciência e a mobilidade, avaliando os sinais vitais e a necessidade de administração de fármacos, como os analgésicos, para o tratamento da dor pós-operatória.

 

Anestesia geral

Na anestesia geral, os fármacos utilizados atuam impedindo que os sinais nervosos que nos mantêm acordados e em estado de alerta cheguem ao nosso cérebro. O resultado é um estado de sono induzido que nos impede de sentir dor e nos mantém imóveis durante a realização de certos procedimentos médicos ou cirúrgicos.

Durante a anestesia geral o paciente está inconsciente e imóvel e muitas das funções do organismo vão tornar-se mais lentas ou precisar de auxílio para continuarem a funcionar de forma eficaz. Pode, por exemplo, ser necessário introduzir um tubo na traqueia para o ajudar a respirar, ligando-o a um ventilador.

Assim que o anestésico é eliminado do nosso organismo, esses sinais nervosos são restabelecidos e voltamos a estar conscientes e a recuperar a sensibilidade no corpo.

 

Se a anestesia geral não existisse não seria possível realizar cirurgias que muitas vezes salvam vidas e que são atualmente comuns. Este tipo de anestesia é utilizado em procedimentos cirúrgicos complexos, como a cirurgia abdominal (vesícula, estômago ou intestino, por exemplo) e cirurgias torácicas e ao coração.

 

Anestesia regional

Inclui um grande número de técnicas anestésicas, como a epidural, a sequencial, a raquidiana ou o bloqueio de plexos nervosos, permitindo que apenas uma região do corpo fique anestesiada. Estas técnicas são utilizadas, por exemplo, em cesarianas ou cirurgias dos membros superiores ou inferiores, em que o paciente pode estar consciente mantendo anestesiada apenas a região a ser operada. Pode também ser associada a sedação para que o paciente se abstraia do ambiente envolvente e fique mais confortável.

 

Anestesia local

Este tipo de anestesia - em que uma pequena área do corpo fica sem sensibilidade - é normalmente utilizado em procedimentos simples, permitindo que sejam realizados de forma rápida, necessitando de menos equipamento e com um tempo de recuperação rápido. São realizados com anestesia local muitos procedimentos de medicina dentária e dermatologia, habitualmente em regime de ambulatório.

 

Sedação

A sedação garante que os pacientes estão confortáveis durante cirurgias pequenas e pouco complexas - em que a anestesia local não é suficiente, mas também não é necessária anestesia geral, como biópsias - ou em exames de diagnóstico e terapêutica (como, por exemplo, endoscopia digestiva alta e a colonoscopia).

A sua ação relaxa o paciente, podendo até permitir que adormeça. Existem vários níveis de sedação: do mínimo, que deixa o paciente sonolento, mas capaz de falar, até ao mais profundo, em que provavelmente este não se irá recordar do procedimento. A sedação moderada a profunda pode levar a que a respiração fique mais lenta, o que, por vezes, implica administração suplementar de oxigénio.

 

Como se recupera da anestesia

Geral

Após ser submetido a uma cirurgia mais complexa, é provável que o paciente sinta algum desconforto durante a recuperação. Contudo, o anestesiologista irá administrar fármacos que minimizam esse desconforto, sobretudo fármacos que controlam a dor e previnem outros efeitos indesejáveis como as náuseas e os vómitos.

Quando tiver alta, o paciente não poderá conduzir pelo que deverá ter consigo um acompanhante que o leve para casa.

 

Local

Com a anestesia local, os efeitos adversos e as complicações são raros e normalmente de duração curta. Poderá, por exemplo, sentir que a zona onde foi injetado o fármaco está dorida; em casos raros pode surgir reação alérgica ao anestésico local. Entre as vantagens deste tipo de anestesia encontra-se o facto de permitir uma recuperação rápida e uma menor permanência no hospital.

 

Sabia que...? Consulta de Anestesia

Nas situações de cirurgia programada, pode realizar uma Consulta de Anestesia, de modo a se aferir o seu estado de saúde e, assim, se definir o tipo de anestesia a utilizar. Na consulta, o médico anestesiologista vai avaliar o seu historial clínico, a sua condição física e inteirar-se de toda a medicação atual, da presença de alergias, bem como analisar os exames disponíveis e responder às suas dúvidas.