Aprenda a reconhecer o melanoma

O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. Conheça os sintomas e sinais de alarme do melanoma.
Publicado por: João Maia Silva em 11 de Junho 2014
Tags: cancro da pele , diagnóstico , melanoma , prevenção , sintomas

O cancro da pele é o cancro mais frequente da raça humana e tem origem nas células que constituem o tegumento cutâneo. Existem muitos tipos de cancro da pele. Em termos práticos, são divididos em dois grandes grupos:

 

Melanoma maligno

O melanoma maligno, doença do foro oncológico cada vez mais frequente e potencialmente letal, tem origem nas células do sistema de pigmentação da pele, isto é, nas células (melanócitos) que produzem o bronzeado após a exposição ao sol. Em casos raros, o cancro pode ter origem nestas células nos olhos, nas vias respiratórias, no intestino, no cérebro e em mucosas.

O melanoma é um tipo de cancro dos mais graves e as hipóteses de sobrevivência dependem, sobretudo, de um diagnóstico e tratamento adequado e precoce. Um diagnóstico e uma excisão cirúrgica precoce em melanomas in situ ou na sua fase inicial de invasão são geralmente curativos na maioria dos pacientes. O principal desafio que os clínicos enfrentam é a deteção e excisão precoce do melanoma, sendo o fator de prognóstico mais importante a espessura do tumor. Mesmo com os avanços no campo da quimioterapia e imunoterapia, o sucesso no tratamento do melanoma no seu estadio avançado continua limitado e o prognóstico da sua forma metastizada é muito reservado.

 

Não-Melanoma

Este grupo inclui o carcinoma basocelular ou basalioma, e o carcinoma espinocelular. São habitualmente menos perigosos, mas podem ter mau prognóstico se não forem tratados precocemente.

O cancro da pele pode atingir pessoas de todas as idades, sendo mais frequente nos doentes mais velhos. Todavia, as pessoas que estão expostas a grandes quantidades de radiação solar podem desenvolver cancro tão precocemente quanto os 20/30 anos.

 

Melanoma Maligno à lupa

O melanoma é o cancro da pele mais perigoso e um dos tumores malignos mais agressivos da espécie humana. O melanoma resulta da transformação maligna dos melanócitos, células que se localizam nas camadas mais profundas da epiderme onde produzem o pigmento, denominado de melanina, que confere a tonalidade castanha à pele.

O melanoma maligno pode surgir de novo na pele sã de qualquer parte do corpo (70% dos casos), ou sobre sinais pré-existentes, denominados de nevos pigmentados (30% dos casos). Hoje em dia sabe-se que o melanoma maligno está associado na maioria dos casos à exposição solar intermitente, aguda e intempestiva, muitas vezes acompanhada de queimaduras solares.

 

Qual a incidência do melanoma?

Os melanomas representam 5% de todos os tumores malignos diagnosticados de novo em homens. A sua incidência tem aumentado sendo, atualmente, da ordem dos 3 a 8 casos por 100.000 habitantes por ano. Como exemplo desta tendência temos os Estados Unidos, onde o risco de um indivíduo desenvolver um melanoma invasivo durante a sua vida era de 1 em 75 em 2010.

 

Melanoma em Portugal

Em Portugal observa-se o aumento da incidência dos cancros de pele os quais, em mais de 90% dos casos, estão relacionados com um passado de exposição exagerada ao sol. Atualmente, estima-se que em Portugal, a cada ano, a incidência de melanoma seja de oito novos casos por cada 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 100 novos casos por ano.

 

Em que partes do corpo surge o melanoma?

A localização mais frequente do melanoma é, no sexo masculino, o tronco, em particular a segmento superior do dorso, e no sexo feminino as pernas e o segmento superior do dorso. Nos indivíduos de raça negra e asiática, o melanoma tende a surgir nas regiões palmares, plantares, unhas e nas mucosas.

 

Causas do melanoma

Estima-se que 80% dos cancros da pele sejam originados pela exposição solar intensa. A doença é geralmente desencadeada pela lesão dos constituintes da pele causada pelo sol, principalmente quando ocorrem queimaduras solares (escaldão). Um pequeno número de casos pode estar associado a fatores hereditário. Os solários podem também ser causa de cancro da pele e fotoenvelhecimento prematuro cutâneo.

 

Fatores de risco para o melanoma

Vários estudos epidemiológicos mostraram que a exposição ao sol é o principal fator de risco para o aparecimento do melanoma. Por este motivo as medidas preventivas em relação à exposição ao sol são recomendadas. A exposição à radiação ultravioleta no início da vida deve ser reduzida.

 

A tabela seguinte resume mais alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento do melanoma cutâneo:

Características da pigmentação cutânea
Olhos azuis
Cabelo louro, claro ou ruivo
Pele clara
Resposta à exposição solar
Tendência para formar sardas
Incapacidade em bronzear
Tendência para queimaduras solares
Grupo socioeconómico superior
História familiar de melanoma (10 a 15% dos pacientes com melanoma)
Mutação nos genes Braf e p16
Nevos prévios
Nevos melanocíticos (um terço dos melanomas surgem em nevos preexistentes)
Nevos displásicos
Nevos que se alteram
Nevos congénitos
História prévia de melanoma
Imunossupressão

 

Sintomas de melanoma

A cor dos melanomas pode variar entre o castanho ou preto, azul ou mesmo laranja. Os melanomas são, habitualmente, assimétricos, com bordos irregulares, de cor não uniforme e diâmetro superior a 0,6 milímetros. A pele em redor do sinal pode apresentar feridas, crostas ou vermelhidão. O tumor pode assemelhar-se a uma "bolha de sangue", pode dar comichão ou dor.

 

Os sinais de alarme são: 

  • Sinal pré-existente que muda de cor, tamanho ou forma ou que começa a sangrar;
  • Aparecimento de feridas, que curam muito lentamente; 
  • Sinal que se torne anormalmente grande;
  • "Bolhas de sangue" que apareçam sob as unhas e que não tenham resultado de uma agressão; 
  • Aparecimento de um sinal novo, principalmente após os quarenta anos, que apresente uma forma irregular ou uma cor anormal;
  • Aparecimento de comichão ou ardor num sinal pré-existente.

 

Nevo normal vs. melanoma

Um nevo normal tem uma coloração igualmente distribuída de cor castanha, cor de pele ou preto. Pode ser plano ou ligeiramente elevado. Pode ser redondo ou oval. Os nevos geralmente têm uma dimensão inferior a 6 milímetros em diâmetro. Um nevo pode aparecer durante a infância ou no início da adolescência. Vários nevos podem aparecer ao mesmo tempo, especialmente em áreas da pele expostas ao sol. Os nevos permanecem do mesmo tamanho, forma e cor ao longo de muitos anos, por vezes desaparecendo em indivíduos idosos. A maioria das pessoas tem nevos e a grande parte deles são inofensivos. Mas é extremamente importante reconhecer mudanças em nevos sugestivos de desenvolvimento de melanoma.

 

ABCD

A regra do ABCD pode ajudar a distinguir um nevo normal de um melanoma:

Assimetria: metade do nevo diferente da outra metade.
Bordo: os bordos do nevo são irregulares, nodulados e recortados.
Cor: a cor sobre o nevo não é uniforme. Pode haver diferentes tonalidades de castanho, preto e por vezes de vermelho, azul e branco.
Diâmetro: o diâmetro do nevo é maior que 6 milímetros.

 

Tanto o doente, ao fazer o autoexame, como o médico que realiza o exame físico objetivo, têm de estar atentos pois existem melanomas que não seguem as regras do ABCD descritas anteriormente. Alguns dos sinais e sintomas importantes adicionais são:

  • Rápido aumento de volume e/ou expansão;
  • Reforço da pigmentação;
  • Características da superfície, erosões e exsudado sanguinolento;
  • Reação inflamatória, dor ou prurido.

 

Atenção!

Uma lesão suspeita deve ser sempre vista por um médico dos cuidados primários ou, preferencialmente, por um dermatologista.

 

Como se desenvolve o melanoma?

O melanoma tem potencial para metastizar (disseminar-se à distância a outras partes do corpo) rapidamente. Se o tumor crescer em profundidade e penetrar nos vasos sanguíneos e/ou linfáticos pode provocar a morte em alguns meses ou poucos anos. A evolução varia muito de pessoa para pessoa e parece estar dependente da profundidade que o crescimento do tumor atingiu e das defesas do sistema imunitário e ainda outros fatores.

 

Formas de tratamento

O tratamento do melanoma é cirúrgico. O melanoma tem que ser totalmente removido e com margens de segurança confirmada pelo exame histológico da peça operatória.

Se o tumor não tiver metastizado e se proceder à sua remoção cirúrgica, a cura aproxima-se dos 100% nos melanomas "finos". No entanto, é preciso salientar que estas pessoas necessitam de controlos periódicos pois correm o risco de desenvolver outros melanomas.

 

Melanomas com metástases

Nos melanomas que já tenham metastizado, além da cirurgia, podemos ainda recorrer à quimioterapia (uso de medicamentos para destruir as células cancerígenas), à imunoterapia (uso de medicamentos que aumentam a resposta imunológica contra as células tumorais) e à radioterapia (uso de radiações em doses elevadas e de alta energia para destruir as células cancerígenas), embora os resultados nestes casos tenham baixo índice de cura.