As crianças e os média

As estratégias que os pais devem implementar para que esta seja uma relação saudável
Publicado por: Ana Luisa Mendes em 05 de Junho 2015
Tags: anorexia , bulimia , depressão , distúrbios do comportamento alimentar , média , obesidade , suicídio , tecnologia

Estudos demonstram que os média ocupam a maioria dos tempos livres das crianças e dos adolescentes. Os jovens passam 7 a 11 horas por dia com diferentes formas de tecnologia - isto representa mais tempo do que passam na escola ou a dormir.

Atualmente, sabe-se que os média exercem efeitos significativos na saúde da criança, nomeadamente no que respeita à obesidade, comportamentos violentos, abuso de substâncias, performance escolar, atividade sexual, distúrbios do comportamento alimentar, suicídio e depressão. Mas também se sabe que aprendem com os média e que estes influenciam o seu comportamento, podendo tornar-se poderosas ferramentas de sociabilização. É então essencial que pais e professores compreendam a influência que a tecnologia exerce para que possam intervir e aconselhar adequadamente.

 

Os "velhos" média versus "novos" média

Apesar da recente explosão de novos gadgets, a televisão continua a ser o meio tecnológico mais usado. Ter televisão no quarto aumenta para 11 horas por dia o tempo gasto com tecnologia e, consequentemente, cresce o risco de obesidade, de tabagismo, diminuem as horas de sono, reduzem-se as atividades ao ar livre e o tempo dedicado à leitura e diminui a capacidade dos pais monitorizarem os hábitos de televisão das crianças. No entanto, os "novos" média permitem acesso rápido à Internet a qualquer hora e em qualquer lugar.

 

Crianças portuguesas e Internet

Um estudo europeu publicado em 2011, que incluiu Portugal, revelou que 93% das crianças europeias dos 9 aos 16 anos usam a Internet semanalmente, estando as crianças portuguesas na vanguarda quando comparamos os locais onde estas acedem à Internet: 67% no quarto e apenas 25% num espaço comum da casa. Quanto à idade em que iniciam o contacto com a Internet, Portugal está na média europeia: dez anos. Um dado curioso é o facto de os pais portugueses liderarem no que diz respeito ao desconhecimento acerca do conteúdo sexual que as crianças visualizam através dos média: apenas 2% dos pais portugueses, em oposição aos pais europeus, em que 35% estão conscientes da situação.

 

Efeitos positivos dos média

Os média, se usados corretamente, podem introduzir as crianças à educação e proporcionar-lhes outras aprendizagens, mesmo quando estas provêm de famílias com poucos recursos. Um extenso estudo americano de 2005, sobre os efeitos da televisão na interação social das crianças, revelou que os efeitos positivos de visualização de programas educativos foram duas vezes mais fortes e mais duradouros do que os efeitos antissociais produzidos por programas de televisão violentos.

As redes sociais são também uma forma dos adolescentes terem oportunidade de criar as suas próprias expressões de individualidade. Curiosamente, segundo Boyd (2008), "os adolescentes são atraídos para os média social e coletivamente (...) Os jovens escolhem para participar porque os seus amigos o fazem. O apelo não é a tecnologia em si, nem qualquer tecnologia específica, mas a presença de amigos e colegas (...)".

 

Conselhos úteis para os pais

As regras para que o convívio com as tecnologias seja saudável

  • Em crianças com menos de dois anos, os pais devem evitar tempo de ecrã (por exemplo, televisão, tablet, computador);
  • Em crianças com mais de dois anos, os pais devem limitar o tempo de ecrã a não mais do que uma a duas horas por dia;
  • Os pais devem manter o quarto da criança livre de meios de comunicação (televisores, computadores, tablets, telemóveis);
  • Devem participar na interação das crianças e adolescentes com a tecnologia e discutir com eles o seu conteúdo;
  • Nos adolescentes, o computador com ligação à Internet deve ser colocado no espaço comum da casa para poder ser supervisionado.

 

Envolvimento parental é essencial

Os pais devem ser mais conscientes sobre o tempo que os seus filhos dedicam à tecnologia e, sobretudo, devem querer manter-se informados acerca dos benefícios e malefícios que os media têm na saúde dos seus filhos. Não podemos esquecer também o valor que o jogo tem para os bebés e para as crianças, pois o convívio com os pais é o elemento do meio externo que mais influencia o desenvolvimento das crianças. Além disso, pretende-se recuperar hábitos saudáveis que as novas gerações têm tendência para desvalorizar: os jantares de família com a televisão desligada e a importância de ocupar os tempos livres das crianças fora de casa, promovendo atividades que estimulem a sua imaginação e criatividade.