Cancro da próstata: quando o tratamento não é a melhor solução

Em fases muito iniciais, em que não há sintomas, o seu médico assistente poderá recomendar que não seja iniciado qualquer tipo de tratamento, mantendo-se apenas a vigilância.
Publicado por: CUF em 05 de Novembro 2019
Tags: cancro da próstata , próstata , homem , saúde do homem
Homem com cancro da próstata vai ao médico

Não existe uma fórmula universal para tratar todos os homens que sofrem de cancro da próstata, pois cada caso clínico tem as suas características individuais. Enquanto alguns tumores precisam de tratamento mais agressivo por crescerem rapidamente e se espalharem por outras zonas do corpo, há casos em que não é necessário o tratamento imediato, apenas uma vigilância atenta. Seja qual for o seu caso, é importante que fale com o seu médico assistente de forma a decidir qual é a melhor opção tendo em conta a sua situação clínica.

 

O que é a próstata

A próstata é uma glândula exócrina do aparelho genital masculino, fundamental para a reprodução. A sua principal função é segregar um conjunto de substâncias que são responsáveis, entre outras funções, pela liquefação do esperma depois da ejaculação e pela preservação dos espermatozoides para a fecundação através dos nutrientes e bactericidas presentes no esperma.

 

Sintomas de cancro da próstata

A manifestação de sintomas não é comum até que o cancro já tenha crescido ao ponto de pressionar a uretra e causar obstrução urinária, o que dá normalmente origem a problemas associados à micção. Entre os sintomas podem incluir-se:

  • Vontade de urinar mais frequentemente
  • Necessidade de ir rapidamente à casa de banho
  • Dificuldade em começar a urinar
  • Demorar muito tempo a urinar ou ter de fazer um esforço excessivo para fazê-lo
  • Fluxo fraco
  • Sensação de que a bexiga não ficou completamente vazia

Alguns dos sintomas que podem indicar que o cancro se espalhou para outras zonas do corpo, além da próstata, passam por dores nos ossos e nas costas, perda de apetite e perda de peso inexplicável.

 

"Tenho cancro da próstata, e agora?"

Se recebeu do seu médico assistente o diagnóstico de cancro da próstata, a primeira coisa que deve fazer é não desanimar. Este tipo de cancro tem uma evolução muito lenta - demora bastante tempo até atingir o tamanho suficiente para ser descoberto - e, por isso, é muito provável que no momento do diagnóstico já sofresse deste problema de saúde há vários anos. Mesmo nos casos mais agressivos, o seu crescimento é lento comparativamente a outros tipos de cancro.

Atualmente, com os check-ups regulares, a probabilidade deste tumor ser detetado numa fase muito precoce é maior, o que por sua vez contribui para que o tratamento tenha maior taxa de sucesso. Os check-ups regulares em pessoas com muita idade e com esperança média de vida inferior a 10 anos não devem ser feitos porque o diagnóstico de cancro da próstata na maioria das situações não altera a história natural da vida.

 

O que define o tratamento

O tratamento mais indicado para o paciente vai depender de vários fatores, entre os quais:

  • Idade, estado de saúde e estilo de vida
  • Gravidade do cancro da próstata (diferenciação do tumor, volume do tumor e localização, isto é verificar se o tumor está ou não localizado na próstata ou se se espalhou por outras partes do corpo)
  • A necessidade que o paciente sente de tratar rapidamente o cancro, não descurando da opinião do seu médico assistente
  • Possíveis efeitos secundários
  • A possibilidade do tratamento ajudar a curar ou curar mesmo o cancro

 

Em que casos é preferível não tratar

Há tumores na próstata que se desenvolvem muito lentamente ou podem até nunca crescer. De facto, os cancros da próstata são muito heterogéneos e com prognósticos muito diferentes. Assim, um cancro da próstata bem diferenciado (pouco agressivo com gleason 6) e localizado na próstata, tem um excelente prognóstico e raramente causa a morte do paciente em 10 anos de seguimento. Pelo contrário, um tumor agressivo (gleason 8 a 10) mesmo localizado à próstata e sem metástases, pode ser a causa da morte do paciente em poucos anos. O paciente e o seu urologista podem decidir em conjunto que a melhor opção é não adotar qualquer terapêutica de forma imediata. De facto, o tratamento imediato depende da esperança de vida do doente, das suas comorbilidades e da agressividade e estadiamento do cancro da próstata. Assim, o não tratar pode ser uma opção quando o cancro da próstata não for a causa futura da morte do doente nem de morbilidade.

 

Vigilância é fundamental

Quando se opta por não tratar o cancro da próstata, é fundamental que haja uma vigilância do estado clínico do doente, que pode envolver:

  • Análises ao sangue para avaliação dos valores de PSA (Antigénio Específico da Próstata) e exames retais a cada seis meses
  • Ressonância Magnética multiparamétrica da próstata, anual
  • Biópsia de próstata uma vez por ano. Dentro deste método, pode ser realizada a biópsia prostática de fusão. Esta opção torna este tipo de exame mais preciso e rigoroso, aumentando a probabilidade de deteção da doença maligna clinicamente significativa

 

E em que casos deve ser tratado

Manter apenas a vigilância não é uma boa opção em casos em que o cancro tenha tendência a crescer rapidamente ou se existe a probabilidade de este se espalhar para outras partes do corpo.

Quando os doentes são ainda jovens e saudáveis, geralmente opta-se por tratar o tumor, pois existe o receio de que este se torne problemático nos próximos 10 ou 15 anos.

No entanto, uma vigilância ativa pode ser uma opção em adultos jovens com idade inferior a 60 anos desde que o tumor seja muito bem diferenciado, localizado à próstata e de volume muito pequeno, isto é 1 a 2 fragmentos de biopsia positivos e que ocupem menos de 50% do fragmento. Neste caso, o tratamento definitivo do cancro pode ser adiado até que haja evidência que o cancro estará a progredir. A progressão é detetada por um aumento do PSA, toque rectal alterado, progressão na imagem de Ressonância Magnética multiparamétrica e na biopsia anual da próstata.

 

O dia-a-dia com cancro da próstata

Se não tem sintomas, o impacto do cancro da próstata no seu dia-a-dia deverá ser mínimo ou nulo. Isto porque poderá continuar a trabalhar, a cuidar da família e de si próprio e a fazer as atividades de lazer habituais. É, contudo, normal que esteja preocupado com a sua situação, o que poderá deixá-lo ansioso ou depressivo e, por sua vez, afetar a qualidade do seu sono.

Se foi diagnosticado com cancro da próstata é natural que os seus familiares e amigos queiram ajudá-lo e demonstrar o seu apoio, embora nem sempre saibam qual a melhor forma de o fazer. Embora possa ser difícil para si falar sobre o assunto, ser direto e aberto pode ajudá-los a ajudá-lo. Mas não tenha problemas em dizer-lhes que precisa do seu próprio espaço, se for esse o caso.

Além disso, não deixe de esclarecer todas as suas dúvidas com o seu médico assistente e, se necessário, peça-lhe que lhe recomende um psicólogo que o possa ajudar emocionalmente.