Convulsões febris: o que fazer?

Assustam os pais, que não sabem o que são e como devem atuar. Explicamos-lhe tudo.
Publicado por: Mónica Cró Braz em 23 de Janeiro 2014
Tags: antipiréticos , convulsões , epilepsia , febre , sistema nervoso

As convulsões febris surgem em menos de 5% das crianças. São mais frequentes nos rapazes, entre os 6 meses e os 5 anos (com pico aos 18 meses) e nas crianças que têm antecedentes familiares de convulsões febris. As convulsões podem repetir-se num outro episódio de doença em cerca de 10 a 50% dos casos, de acordo com a idade da criança (quanto mais novas, maior a probabilidade de repetição).

 

Por que acontecem?

Embora sem mecanismo bem definido, o sistema nervoso das crianças pequenas parece ser mais suscetível à febre. É como se, de repente, ocorresse um curto-circuito na atividade elétrica do cérebro. Muitas vezes, é a própria convulsão que leva à deteção da febre, pois surge no primeiro dia de febre e na subida térmica.

 

Como são?

São situações assustadoras para quem assiste. Geralmente a criança fica hirta e depois inicia movimentos de tremores dos membros superiores e inferiores. Podem também revirar os olhos, ficar com olhar fixo e espumar da boca. Por vezes urinam ou defecam durante a convulsão e, se chamarmos por elas, não reagem. Apesar de parecer uma eternidade, a maioria das convulsões febris termina espontaneamente em menos de 5 minutos, após a qual a criança fica sonolenta mas bem, passadas algumas horas.

 

Deve-se ir ao hospital?

Uma criança com um primeiro episódio de convulsão febril deve ser observada no hospital. Por vezes, justifica-se o internamento por algumas horas para vigilância e tranquilização dos pais. Caso não seja o primeiro episódio, a criança deve ser observada se a convulsão demorar mais do 5 a 10 minutos, repetir convulsões no mesmo episódio de doença, não recuperar entre as convulsões ou apresentar sensação de doença.

 

Quem presencia a convulsão deve: 

  • Olhar para o relógio e contar quanto tempo dura a convulsão;
  • Afastar móveis e objetos que possam magoar a criança;
  • Não colocar nada na boca da criança;
  • Observar os movimentos que a criança faz;
  • Medir a temperatura e administrar paracetamol em supositório;
  • Porque as convulsões podem repetir-se em novos episódios de febre, o médico ensina os pais a administrarem antipiréticos mesmo se a febre não for elevada e a terem em casa um medicamento que devem administrar em caso de convulsão. Mas atenção, a possibilidade de uma criança ter uma convulsão febril não justifica que os pais tenham pânico da febre.

 

Sabia que...

Uma criança ter convulsões febris não implica ficar com sequelas, nomeadamente ter epilepsia ou problemas de desenvolvimento. Apenas entre 2 a 7% das crianças com convulsões febris têm epilepsia no futuro.