Coronavírus: o que é, sintomas e como prevenir?

Os Coronavírus são uma família de vírus que podem causar doença no ser humano. A infeção pode ser semelhante a uma gripe comum. Saiba mais sobre este vírus e como se proteger.
Publicado por: CUF em 26 de Janeiro 2020
Tags: coronavírus , vírus , gripe , pneumonia , febre , tosse , falta de ar
Coronavírus

O que é o novo Coronavírus 2019?

Os Coronavírus são uma família de vírus que podem causar doença no ser humano. A infeção pode ser semelhante a uma gripe comum ou apresentar-se como doença mais grave, como pneumonia.

O novo Coronavírus (inicialmente denominado 2019-nCoV), foi identificado a 7 de janeiro de 2020, na China. Tal surge na sequência de, a 31 de dezembro de 2019, a China ter reportado à Organização Mundial da Saúde vários casos de doentes com pneumonia de causa desconhecida em trabalhadores e frequentadores do mercado de peixe, mariscos vivos e aves na cidade de Wuhan, província de Hubei.

Atualmente este vírus é designado de COVID-19.

 

Como teve início o atual surto e qual a situação atual?

A identificação de doentes que frequentaram o mercado de Wuhan pressupõe que possa ter havido transmissão a partir do contato com animais. Inicialmente foi comprovada a transmissão pessoa a pessoa, mas assumindo-se que a proveniência apenas da província de Hubei na China era critério epidemiológico.

Os dados em torno da biologia, epidemiologia e as características clínicas do vírus SARS-CoV-2 crescem diariamente, com mais de 400 artigos listados no PubMed. O genoma do vírus foi rapidamente sequenciado, o que permitiu o desenvolvimento de testes de diagnóstico e o início de pesquisas em vacinas e terapêuticas. Enquanto isso, o espectro clínico da doença continua sendo definido (incluindo o potencial de disseminação assintomática) e os ensaios clínicos avaliando os tratamentos começaram.

O surto evoluiu rapidamente, afetando outras partes da China e fora do país. Os casos já foram detetados em vários países da Ásia, mas também na Austrália, Europa, América do Norte e África.

Com os novos casos que surgiram no Norte de Itália e evidência de disseminação rápida no número de novos casos houve uma redefinição de critérios de suspeição.

Nesta fase, a Europa vê-se já com vários países com novos casos e desenvolvimentos semelhantes, como na Itália, são temidos, variando de país para país. Para abordar esses cenários, o ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control) atualiza constantemente suas avaliações de risco para a Europa e fornece orientações para os países e autoridades da União Europeia e do Espaço Económico Europeu (UE / EEE) para responder ao surto.

A 9 de março de 2020 atualizou-se a definição de caso para vigilância da UE do COVID-19, descrevendo os critérios para casos suspeitos que deveriam ser testados.

A definição apresentada, baseada no ECDC, é decorrente da informação disponível à data.

Caso suspeito:

- Doente com infeção respiratória aguda (início súbito de febre ou tosse ou dificuldade respiratória), sem outra etiologia que explique o quadro + História de viagem ou residência em áreas com transmissão comunitária ativa, nos 14 dias antes do início de sintomas;

OU

- Doente com infeção respiratória aguda + Contacto com caso confirmado ou provável de infeção por SARS-CoV-2 ou COVID-19, nos 14 dias antes do início dos sintomas;

OU

- Doente com infeção respiratória aguda grave, requerendo hospitalização, sem outra etiologia.

 

A lista de países e áreas de transmissão comunitária presumida agora também inclui a Itália.

A Organização Mundial de Saúde considera desde o dia 28 de fevereiro elevado risco de transmissão a nível global.

 

Quais são os sintomas do Coronavírus e como pode surgir?

Os sintomas reportados por doentes infetados com o COVID-19 são habitualmente febre, tosse e falta de ar.

As complicações como pneumonia e bronquite têm surgido sobretudo em doentes idosos ou com outras doenças crónicas que diminuem o seu sistema imunitário.

O Centro de Prevenção e Controlo das Doenças (CDC) considera que o tempo de incubação do vírus pode durar entre 2 a 14 dias.

 

Como prevenir?

Não existe vacina, pelo que a prevenção passa por evitar a exposição a este vírus.

A população deve manter-se informada.

Os viajantes que chegam das zonas afetadas ou que tenham tido contacto próximo com doente infetado, há menos de 14 dias, e que apresentem sinais e sintomas de infeção respiratória aguda, com febre, tosse e dispneia e nenhuma outra causa que explique a sintomatologia devem:

  • Ligar para o centro de contato SNS24 (808 24 24 24), antes de recorrer a serviços de saúde, e referir sempre o histórico de viagens, e/ou contato com animais e/ou pessoas doentes, seguindo as orientações que lhes forem dadas
  • Restrição social
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória - tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos)
  • Deitar o lenço de papel no lixo
  • Lavar as mãos logo de seguida
  • Utilizar máscara cirúrgica, se a sua condição clínica o permitir

 

A Direção Geral de Saúde (DGS) aconselha ainda a que os viajantes que regressem de áreas afetadas vigiem os seus contactos próximos, e que caso estes desenvolvam sintomas respiratórios deverão contactar a linha de Saúde SNS 24.

Onde quer que se viaje, devem ser sempre aplicadas as regras gerais que regem a higiene das mãos e dos alimentos.

 

 

Os viajantes que forem para uma área afetada devem:

  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país
  • Evitar o contato próximo com doentes com infeções respiratórias agudas
  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou com uma solução de base alcoólica, especialmente após contacto com uma pessoa infetada ou partilha do seu espaço
  • Evitar o contato com animais
  • Evitar o consumo de produtos de origem animal, crus ou mal cozinhados

 

Este novo vírus tem tratamento?

Não existe tratamento específico até à data. O tratamento é sintomático e de suporte de órgãos, de acordo com a gravidade dos casos.

Os antibióticos não são adequados para infeções virais. Os antivirais com que se tratam atualmente as pneumonias causadas pelo vírus da gripe não são adequados para o Coronavírus.

 

Existem já publicações em revistas médicas de elevada credibilidade como o New England Journal of Medicine como forma de partilhar a experiência clínica adquirida até à data pelos hospitais e equipas que têm tratado os doentes infetados com COVID-19.

 

 

É uma emergência internacional?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia a 11 de março de 2020.

 

Casos em Portugal

A 2 de março surge a confirmação de dois novos casos em Portugal, considerando-se doença importada. Até essa data, aumentam o número de casos mas todos associados a contaminação a partir de casos importados.

A DGS tem acompanhado a situação, com orientações para os hospitais e plano de contingência.

Estão definidos hospitais de referência e todos os possíveis casos que surjam em outros hospitais que não os de referência carecem de validação telefónica por equipa própria para o efeito, de acordo com o determinado pela DGS.

A DGS tem vindo a emanar indicações para eventos, empresas, escolas e hotéis. Existem já portugueses em quarentena.

O governo português tem iniciado o encerramento de instituições públicas.

Estas ações são importantes na interrupção da cadeia de transmissão da doença.

 

Como é possível confirmar um caso suspeito em Portugal?

Um doente pode contactar o sistema de saúde, preferencialmente por contato não presencial, através da Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou do número de emergência médica nacional (112) ou presencialmente num serviço de saúde.

Em ambos cenários, os profissionais de saúde devem adotar as medidas de prevenção e controlo de infeção que constam na Orientação emitida pela Direção Geral de Saúde.

Neste momento as colheitas de amostras de produtos biológicos de doentes suspeitos são realizadas apenas nos hospitais públicos de referência determinados para o efeito e analisadas no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

 

Fontes: Normas da DGS, 2020

 

(informação atualizada a 11/03/2020)

 
 

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