Depressão na adolescência: os sinais de alarme

Os sinais de alarme que significam que os pais devem procurar ajuda médica
Publicado por: CUF em 27 de Maio 2015
Tags: adolescência , depressão , depressão na adolescência , suicídio , tristeza persistente

Mudanças físicas e emocionais, pressão entre pares ou medo de não corresponder às expectativas dos pais são acontecimentos e sentimentos habituais durante a adolescência. No entanto, para alguns jovens, o impacto é maior e os sentimentos de tristeza e a perda de interesse por quase tudo são persistentes e afetam todas as esferas da sua vida. A depressão afeta a forma como o adolescente pensa, sente e se comporta, podendo causar problemas físicos, emocionais e até funcionais. 
Descubra mais sobre a depressão na adolescência e esteja atento aos sinais de alarme.

 

Fatores de risco
Existem fatores que aumentam o risco de desenvolver ou desencadeiam a depressão no adolescente, como:

• Ser do sexo feminino – a depressão é mais frequente em raparigas;

• Obesidade;

• Baixa autoestima;

• Problemas de relacionamento;

• Bullying;

• Ter sido vítima ou testemunha de violência física ou sexual;

• Ter anorexia ou bulimia;

• Ter uma perturbação de aprendizagem;

• Ter uma doença crónica;

• Consumir tabaco, bebidas alcoólicas ou drogas;

• Alteração da orientação sexual;

• Ter um pai, avô ou outro familiar com depressão, transtorno bipolar ou problemas de alcoolismo;

• Ter um membro da família que se suicidou;

• Ter passado por eventos recentes traumatizantes, como a morte de um familiar ou o divórcio dos pais. 

 

Sinais de alarme
Os pais devem estar atentos e ter consciência que a depressão não é uma “fraqueza” que pode ser ultrapassada apenas com força de vontade, alertam os especialistas da Mayo Clinic, sendo necessário procurar ajuda médica e tratamento especializados, que pode incluir a toma de fármacos e acompanhamento psicológico.
De acordo com a Mayo Clinic, os sinais e sintomas de depressão na adolescência incluem alterações nas emoções e comportamento, como:

 

Emoções
• Sentimentos de tristeza que podem incluir ataques de choro sem motivo aparente;

• Irritabilidade, frustração e raiva;

• Perda de interesse e pelas atividades do quotidiano;

• Perda de interesse pela família e amigos ou relações conflituosas com estes;

• Sentimentos de inutilidade, culpa e de autocrítica;

• Hipersensibilidade a eventuais rejeições ou falhas e necessidade excessiva de ser tranquilizado;

• Dificuldades de concentração, memória e em tomar decisões;

• Sensação que o futuro será difícil e “negro”;

• Pensamentos frequentes sobre morte, morrer e suicídio.

 

Comportamento
• Ter insónias ou dormir demasiado;

• Alterações no apetite que podem incluir perda de apetite e de peso ou comer demasiado e engordar;

• Consumo de bebidas alcoólicas ou drogas;

• Agitação ou inquietação;

• Pensamentos e movimentos mais lentos;

• Dores de cabeça ou no corpo sem razão aparente;

• Menor rendimento escolar;

• Aparência física pouco cuidada;

• Comportamentos de risco;

• Automutilação (cortes, queimaduras).

 

O que os pais devem fazer 
Perante um ou mais sinais de alarme, os pais devem conversar com o adolescente, tentando perceber o que este está a sentir. Se os sintomas de depressão se mantiverem, os pais devem aconselhar-se com o pediatra ou numa consulta de Medicina do Adolescente. No entanto, é fundamental não esperar muito tempo – os sintomas de depressão não melhoram por si só e tendem a agravar-se se não forem tratados. A depressão na adolescência pode conduzir ao suicídio, mesmo que os sinais e sintomas não pareçam muito graves.

 

Atenção!
Se o adolescente falar sobre morte e suicídio, procure ajuda: ligue para uma linha de apoio especializada, aconselhe-se com o médico e peça o apoio de familiares e amigos enquanto lida com a situação.