Descolamento da placenta: o que deve saber

O descolamento de placenta é um problema que pode ocorrer durante a gravidez. Constitui uma grave complicação que exige diagnóstico e resolução adequada.
Publicado por: CUF em 28 de Junho 2016
Tags: descolamento da placenta , gestação , gravidez , placenta , prematuridade
Descolamento da placenta: o que deve saber

O que é a placenta e qual a sua importância?

A placenta é uma estrutura embrionária, exclusiva da gestação. Ou seja, é um órgão temporário que serve o feto. Permite a realização de trocas entre a mãe e o feto e desempenha um importante papel endócrino –vital na produção das hormonas essenciais ao normal decurso da gravidez.

É a placenta que permite ao feto respirar, alimentar-se e excretar os produtos do seu metabolismo, substituindo os pulmões, trato intestinal e rins.

 

Localização da placenta

A localização da placenta pode ser determinante na evolução da gravidez e no momento do parto. Quando a placenta tem uma implantação baixa pode ocorrer um descolamento da placenta que causa hemorragias.

Se a placenta obstruir "parcial ou totalmente o orifício interno do colo do útero" obriga à realização de uma cesariana programada.

 

Como ocorre o descolamento da placenta?

Em condições normais, a placenta descola-se do útero no pós parto, sendo expulsa imediatamente após o nascimento do bebé (dequitadura). O descolamento prematuro da placenta, sendo mais comum no terceiro trimestre da gravidez, pode surgir após a 20ª semana (podendo por em causa o normal desenvolvimento do feto) ou no primeiro ou segundo estádios do trabalho de parto.

Se a placenta obstruir "parcial ou totalmente o orifício interno do colo do útero" obriga à realização de uma cesariana programada.

 

Quais as causas diretas de um descolamento da placenta?

O descolamento de placenta pode ser provocado por:

  • Traumatismo abdominal
  • Existência de um cordão umbilical curto
  • Polihidrâmnios (excesso de líquido amniótico)
  • Descompressão uterina súbita
  • Miomas
  • Anomalias uterinas
  • Placenta circunvalata
  • Hipertensão
  • Oclusão do segmento inferior da veia cava inferior

 

Quais os fatores de risco associados a um descolamento da placenta?

Apesar de, muitas vezes, não haver uma causa específica, existem fatores de risco que aumentam a probabilidade de um descolamento da placenta. Antecedentes de descolamento de placenta em gravidezes anteriores, hipertensão crónica, hipertensão gestacional, trombofilias (alteração da coagulação), diabetes, hemorragias prévias na gestação, rutura prematura da bolsa amniótica e fibroma uterino, aumentam a probabilidade de ocorrência de um descolamento prematuro da placenta.

A gravidez gemelar, o consumo de tabaco e drogas e a maternidade tardia são, igualmente, outras das causas.

 

Sintomas de descolamento da placenta

Normalmente, os sintomas de descolamento da placenta são:

  • Hemorragia discreta ou intensa
  • Dor súbita
  • Rigidez uterina (hipertonia uterina)
  • Sensibilidade uterina
  • Contrações uterinas com início espontâneo
  • Movimentos fetais excessivos (indicadores de sofrimento fetal)
  • Ausência de batimentos cardíacos
  • Choque - dispneia, palidez, agitação e taquicardia

 

O descolamento da placenta é uma emergência médica

Em caso de descolamento da placenta, a intervenção clínica atempada é fundamental. Um quadro de dor abdominal intensa, acompanhada de hemorragia com coágulos, diminuição dos movimentos fetais ou ausência dos mesmos, fraqueza com sensação de desmaio, palidez, sudorese e taquicardia, constituem uma emergência médica.

 

Diagnóstico, tratamento e complicações

O diagnóstico de descolamento da placenta é clínico. Os sintomas referidos obrigam a uma deslocação a um serviço de urgência de um hospital com maternidade. Faz-se uma observação e exame físico com avaliação da tensão arterial e parâmetros vitais. Avaliam-se as perdas de sangue e faz-se uma ecografia e uma cardiotocografia C.T.G. se o quadro clínico o permitir.

Pode ser necessário realizar exames complementares (análises de sangue para grupo sanguíneo e outros parâmetros laboratoriais). Também pode ser necessário realizar um parto urgente/emergente (por cesariana, caso haja hemorragia abundante e se confirme o descolamento).

Após o parto, podem ocorrer complicações, como choque com anúria (ausência de urina na bexiga), que pode acontecer de forma transitória ou definitiva, e hemorragias graves, por complicações vasculares e hematológicas (coagulopatia de consumo). Estas situações obrigam por vezes a transferências para os cuidados intensivos para vigilância, sobretudo se instalada uma coagulopatia de consumo, e a necessidade de transfusões de sangue ou derivados.

 

Nota importante

Um descolamento parcial da placenta, sobretudo em fases mais precoces da gravidez, pode requerer repouso absoluto e ingestão abundante de água e não implicar a resolução urgente da gravidez.