Doenças da tiroide: o que deve saber

Afetam cerca de 10% dos portugueses e, a nível mundial, 300 milhões de pessoas
Publicado por: CUF em 22 de Maio 2015
Tags: endocrinologia , cancro da tiroide , doenças da tiroide , endocrinologia , endocrinologista , glândula , hipertiroidismo , hipotiroidismo , tiroide
Doenças da tiroide

Muitas vezes silenciosas e provocando sintomas inespecíficos, as doenças da tiroide podem demorar algum tempo até serem diagnosticadas, atrasando o início do tratamento. Caso não sejam tratadas, as patologias da tiroide podem ter consequências graves. 
Fique a par das doenças da tiroide mais comuns e dos sinais de alarme a que deve estar atento/a e que justificam consultar um endocrinologista.

 

Tiroide: que é?
A tiroide é uma pequena glândula endócrina com cerca de 5 cm de diâmetro, localizada na face anterior do pescoço, por baixo da maçã- de-adão. A sua função é produzir hormonas tiroideas, que controlam a velocidade das funções químicas do corpo (velocidade metabólica) e que contribuem igualmente para a regulação do mecanismo do cálcio, da temperatura corporal, frequência cardíaca, pressão arterial, funcionamento intestinal, controlo de peso e de estados de humor. 

 

Doenças da tiroide
Apesar de ainda não serem conhecidas as causas exatas das doenças da tiroide, pensa-se que estas se encontram relacionadas com fatores genéticos (familiares), geográficos (ocorrem mais em zonas interiores, afastadas do mar), dietéticos (consumo insuficiente ou excessivo de iodo, através do sal de cozinha), entre outros. 
As doenças da tiroide afetam sobretudo as mulheres (80 por cento) a partir dos 35 anos. Os nódulos, o hipotiroidismo (produção insuficiente de hormonas) e o hipertiroidismo  (produção excessiva de hormonas) são  as patologias da tiroide mais comuns.

 

Nódulos Manifestam-se, normalmente, através de uma saliência indolor no pescoço. Pode existir rouquidão, endurecimento e presença de gânglios aumentados no pescoço. Apesar de a maioria dos nódulos serem benignos, são diagnosticados cerca de 400 casos de cancro de tiroide por ano. No caso de terem sido detetados nódulos benignos, é importante realizar uma nova avaliação médica a cada seis a 12 meses através de uma punção/citologia.    

 

Hipertiroidismo Caracteriza-se por produção excessiva das hormonas tiroideas e à aceleração das funções orgânicas. Origina palpitações, hipertensão, sudorese (transpiração excessiva), tremores, cansaço e fraqueza, perda de peso, aumento da atividade física e do apetite, insónia, aumento do número de dejeções diárias e alterações oculares. 
O hipertiroidismo pode adoptar diversas formas que incluem a doença de Graves (ou bócio tóxico difuso, caracteriza-se por uma tumefação no pescoço, zonas de pele edemaciadas em volta dos olhos e das tíbias, olhar fixo e alterações na visão), a causa mais frequente de hipertiroidismo, e o bócio tóxico nodular (conduz ao aparecimento de tumores benignos  hiperfuncionantes da tiroide. Os olhos tornam-se salientes e podem surgir problemas cutâneos).
O hipertiroidismo trata-se através da remoção cirúrgica da glândula ou através de tratamentos com iodo radioativo. 

 

Hipotiroidismo Caracteriza-se pela muito fraca produção de hormonas. A  causa mais frequente  é a Tiroidite  de Hashimoto (inflamação em que se dá uma destruição gradual das funções da tiroide).
A insuficiência das hormonas tiroideas provoca decadência geral das funções orgânicas, originando perda de expressão facial, voz rouca e dicção lenta, pálpebras descaídas, edema dos olhos e face, olhos salientes, aumento de peso, obstipação, intolerância ao frio, secura da pele e cabelo, esquecimento e confusão mental. 
O hipotiroidismo não tratado pode conduzir a um quadro comatoso que pode levar à morte. O tratamento passa pela administração da hormona tiroideia.

 

Sinais de alerta: quando consultar o médico
Oscilações de peso sem explicação aparente, modificações no apetite, tremores, fadiga, palpitações cardíacas sem causa atribuída e, sobretudo, olhar fixo e olhos salientes podem ser indício de alterações da função tiroideia que merecem atenção através de uma punção/citologia. 
Nódulos palpáveis, ainda que indolores, ao nível do pescoço, podem ser sintoma de alterações orgânicas da glândula, merecendo, por isso, observação médica.  
Se existirem antecedentes familiares de doenças da tiroide, deve-se realizar uma vigilância regular – o que possibilita um diagnóstico precoce. 

 

Interessa-lhe saber
As análises ao sangue permitem aferir os níveis de hormonas tiroideas (TSH) e, assim, detetar eventuais alterações. Se existirem nódulos, realizar uma ecografia possibilita apurar o tamanho e as características destes. 

 

Artigo relacionado

Hipotiroidismo