Dor de cabeça na criança e no adolescente

Apesar de comuns, as dores de cabeça são motivo para consultar o pediatra.
Publicado por: José Carlos Ferreira em 28 de Agosto 2014
Tags: cefaleia , cefaleia de tensão , dores de cabeça , enxaqueca

A queixa de dor de cabeça (cefaleia) numa criança provoca perturbação e ansiedade nos pais e familiares e até mesmo na própria criança.

Habitualmente, a tendência é para pensar que a criança não tem idade para ter cefaleias, que é nova demais e que decerto alguma doença grave estará na origem destas. No entanto, cerca de 20 por cento da população pediátrica tem cefaleias crónicas, sendo as causas mais frequentes as mesmas da idade adulta: enxaqueca e cefaleias de tensão.

Algumas crianças têm cefaleias muito antes da idade escolar e provavelmente antes até de saberem falar, numa altura em que o seu mal-estar se traduz apenas por irritabilidade, choro inexplicado, diminuição da atividade, falta de apetite ou vómitos.

 

Como se diagnosticam as dores de cabeça

Na maioria dos casos, o questionário das características das cefaleias, a observação cuidadosa da criança e um exame neurológico completo são suficientes para o médico fazer o diagnóstico correto, não sendo útil qualquer exame complementar para o esclarecimento da situação. 

Este diagnóstico preciso é fundamental para o aconselhamento, caso a caso, da medicação necessária. Quando a história dos sintomas ou dos dados da observação deixam dúvidas sobre a possibilidade de existir uma doença do cérebro, o que acontece em menos de 5% dos casos, alguns exames podem diagnosticá-la.

 

Enxaqueca

A enxaqueca está relacionada com fenómenos vasomotores. Ao contraírem, os vasos podem provocar perturbações visuais ou do equilíbrio. Na fase de vasodilatação, surge a dor, por vezes acompanhada de falta de apetite, náuseas e vómitos.

Embora a enxaqueca tenha causas genéticas e em muitas crianças seja possível encontrar antecedentes familiares do mesmo problema, existem fatores que funcionam como desencadeantes dos episódios de dor (crises). Entre eles estão o stresse, a ausência da prática regular de  exercício físico, a irregularidade do ritmo de sono e das refeições, os ciclos menstruais e, raramente, algum tipo específico de alimentos.

 

Sintomas da enxaqueca

Ao contrário dos adultos, na enxaqueca da criança é menos frequente ou mais difícil destacar a típica localização, podendo atingir uma metade da cabeça ou tendo um caráter pulsátil. Muitas vezes a dor é bilateral, na região anterior da cabeça ou atrás dos olhos.

Na enxaqueca, a dor é acompanhada de náuseas, vómitos, visão turva, sensibilidade à luz e aos ruídos e alterações de humor. Algumas crianças, como os adultos, podem sentir uma "aura" precedendo a dor, muitas vezes constituída por sintomas visuais, entre quais perceção de luminosidade, cores, linhas quebradas ou manchas negras.

 

Tratamento da enxaqueca

O primeiro passo do tratamento é evitar os fatores que desencadeiam a crise. O uso de analgésicos comuns é muitas vezes eficaz nas crianças e, na maioria dos casos, constitui mesmo o único tratamento necessário. No entanto, a terapêutica global da enxaqueca deve ser orientada pelo neurologista.

 

Cefaleia de tensão

A maioria das crianças com dores de cabeça crónicas que surgem quase diariamente têm cefaleias de tensão. Na sua origem nem sempre existe um fator emocional reconhecido, como a separação ou a doença de um familiar, conflitos em casa ou na escola ou dificuldades de aprendizagem. Muitas vezes podem ser importantes aspetos mais subtis como as preocupações com a imagem corporal, uma personalidade perfecionista, a exigência excessiva imposta pelo próprio ou pelos pais, a falta ou, pelo contrário, o exagero de atividades extracurriculares.

 

Prevenir o stresse

Um dos aspetos mais difíceis de evitar é o stresse. As crianças preocupam-se com os resultados escolares e com a imagem que os outros (pais, colegas e professores) têm deles. É compreensível a ansiedade provocada pela expectativa do teste de Matemática, do jogo de futebol importante para o campeonato, da participação na festa de Natal da escola.

A intensidade da dor é variável, muitas vezes descrita como aperto, peso ou "moinha", podendo durar apenas alguns minutos ou ser constante. Por vezes associam-se outros sintomas como insónias, dores noutras localizações ou tristeza declarada.

Os medicamentos analgésicos podem ser úteis mas nem sempre são muito eficazes. O mais importante é a prevenção, aliviando a pressão e procurando uma atividade lúdica regular.

Seja qual for a situação, com base num diagnóstico correto com um plano terapêutico dirigido, qualquer criança ou adolescente deve poder obter o bem-estar e uma vida com qualidade.

 

Atenção!

Uma história de dor de cabeça pode ser a manifestação inicial de uma doença neurológica devendo, por isso, merecer observação médica.