Hepatite A: como prevenir, sem alarmismos

Um surto recente de hepatite A em Portugal tem causado alguma preocupação e fez ressurgir o interesse por esta doença, até aqui pouco conhecida.
Publicado por: CUF em 07 de Abril 2017
Tags: contaminação , Hepatite A , vírus

Entre 1 de janeiro e 29 de março, foram registados em Portugal 115 casos de hepatite A, sobretudo em jovens do género masculino, e quase todos na Grande Lisboa. Verificaram-se também "claras relações epidemiológicas com um dos clusters identificados na Europa, nomeadamente em Espanha". Estes são os números e os dados das autoridades de saúde nacionais. Mas, afinal, existem ou não motivos para alarme?

Apesar da magnitude dos números, não há razão para alarmismos. A Direção-Geral da Saúde já veio a público garantir que dispõe dos recursos necessários e suficientes para fazer face ao problema. Do mesmo modo, tem recomendado algumas medidas suscetíveis de controlar a atual atividade epidémica, designadamente a administração da vacina contra a hepatite A ou de imunoglobulina humana, em crianças e adultos, mediante receita médica ou no contexto da Consulta do Viajante, uma vez que a infeção é altamente endémica (isto é, frequente) em muitas regiões do globo.

As autoridades sublinham ainda que a informação e conhecimento das atitudes a adotar são as mais poderosas armas para prevenir ou reduzir o risco de ter hepatite A. Por isso, convém saber do que estamos a falar.

 

O que é

A hepatite A é uma doença viral, isto é, transmitida por um vírus com o mesmo nome (VHA). É uma doença benigna e autolimitada, ou seja, que se resolve habitualmente sem problemas e sem evolução para a cronicidade. Só em casos muito raros (1%) se apresenta na sua forma fulminante.

 

Modos de transmissão da hepatite A

Existem várias formas de contágio: a via fecal-oral ou a via de transmissão sexual. A via fecal-oral implica a ingestão de água ou de alimentos contaminados pelo vírus. A outra via de transmissão implica um contacto íntimo com uma pessoa previamente infetada.

 

Sinais e sintomas

A hepatite A pode não apresentar sintomas ou manifestar-se através de:

  • Icterícia ou pele de cor amarelada;
  • Febre;
  • Tosse;
  • Dores nos músculos e articulações;
  • Náuseas e vómitos;
  • Dores de cabeça;
  • Fadiga.

 

Potenciais fatores de risco

  • Ausência de imunização/vacinação;
  • Ingestão de água ou alimentados contaminados;
  • Relações íntimas.

 

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de hepatite A é realizado através de análises ao sangue para deteção de anticorpos contra o vírus em causa. Não existe um tratamento específico para a hepatite A, bastando tomar algumas medidas simples, tais como:

  • Permanecer em repouso relativo durante a convalescença;
  • Evitar tomar bebidas alcoólicas;
  • Abster-se de tomar medicamentos que possam interferir com o fígado.

 

Como prevenir a hepatite A

A profilaxia é feita através da administração de imunoglobulina humana ou de vacina contra o vírus da hepatite A, tendo em consideração uma série de fatores, como a idade e a existência de doença hepática.

Para prevenir a contaminação por alimentos infetados com material fecal, os viajantes para países com alta endemicidade são aconselhados a adotar alguns cuidados, como beber apenas água potável, não comer alimentos crus e mariscos, e lavar as mãos antes de comer.