«Mãe, quero um cão!»: prós & contras de ter um animal de estimação

Se gostava de dar uma mascote ao seu filho mas receia pela sua saúde e segurança, leia o que se segue
Publicado por: CUF em 03 de Junho 2014
Tags: cão , desenvolvimento infantil , gato , peixe , tartaruga
criança com animal de estimação

Quase todas as crianças já pediram (ou virão a pedir) aos pais para ter um cão, um gato, um periquito, um peixe ou uma tartaruga – isto excluindo os pedidos mais extravagantes como golfinhos, pandas ou cangurus… 
Para que os pais tomem uma decisão, existem vários fatores que devem ser ponderados e que os ajudarão a fazer a opção mais adequada ao seu caso.

 

Fator saúde Se, a priori, a criança ou algum membro da família sofre de alergias e/ou é alérgico a um animal de estimação, a ideia de adotar um deles deverá, à partida, ser posta de parte. 
Para famílias «não-alérgicas», é importante que saibam que os animais domésticos podem ser agentes e veículos de doenças. O gato e o cão são frequentes causadores de hipersensibilidade que se pode manifestar, em qualquer altura, através de asma ou rinite, entre outras. Também os pássaros são suscetíveis de provocar reações alérgicas – as penas, à semelhança do que acontece com o pelo dos outros animais, são um “depósito” de ácaros. Os animais de estimação podem transmitir bactérias, parasitas e vírus através da saliva e das fezes e provocar infeções.  

 

Fator segurança Quando estão a brincar, alguns animais podem magoar as crianças e mesmo os cães mais dóceis podem, por vezes, ser agressivos quando os mais pequenos ultrapassam os limites. Por isso, é fundamental que os pais tenham em mente que a criança pode ser arranhada ou mordida. 

 

Fator espaço A sua casa é pequena? É arejada? Tem um quintal, jardim ou varanda? 

 

Fator tempo Se está a pensar adotar ou comprar um cão, quem o irá passear à rua sempre que ele precisar? Vai ficar sozinho em casa durante o dia? E durante as férias ou fins de semana em que a família se ausente de casa, quem tomará conta do animal? 

 

Fator monetário Uma parcela do orçamento familiar mensal será para a alimentação do animal de estimação. As visitas de rotina/por doença ao veterinário e as vacinas constituem despesas que devem ser previstas. 

 

Fator “empatia” Que tipo de animal de estimação se encaixa melhor na personalidade/disponibilidade dos vários membros da família? 

  • O cão É o animal de estimação mais interativo e, geralmente, é paciente e brincalhão. No entanto, precisa de ser levado à rua várias vezes ao dia, exige atenção por parte dos donos, é a mascote que provavelmente vai roer sapatos e móveis, aquela cuja manutenção é mais dispendiosa e a que coloca mais dificuldades em períodos de férias. Certas raças podem causar alergias.
  • O gato É bastante autónomo e não precisa de ser levado à rua. Costuma ser temperamental e também pode causar alergias. A higiene da caixa de areia tem de ser feita muito regularmente.
  • O peixe Não ocupa espaço, não causa problemas de saúde e não dá trabalho a cuidar mas não é interativo, adoece facilmente e tem uma esperança de vida curta.
  • A tartaruga Tal como o peixe, apenas requer um aquário. Envolve mais precauções, em termos de higiene, pois as fezes podem ser um veículo de infeção por Salmonella. É essencial lavar sempre muito bem as mãos ao tocar na tartaruga (crianças e adultos), lavar o aquário na casa de banho e não na cozinha e, se possível, utilizar luvas descartáveis.
  • O pássaro São coloridos, cantam e voam. Nas desvantagens destaca-se o facto de as penas servirem de «abrigo» a ácaros, parasitas e micróbios e a gaiola precisar de ser limpa muito regularmente, até porque as fezes dos pássaros podem ser transmissoras de Salmonella. Deve-se lavar bem as mãos sempre que se tocar nos pássaros e depois de se limpar a gaiola.
  • Hamsters e coelhos As crianças gostam muito deles. Porém, podem provocar reações alérgicas.

 

Os benefícios de ter um animal de estimação
As pesquisas científicas têm-se debruçado sobre os benefícios dos animais de estimação para as crianças, concluindo que estes contribuem para um maior equilíbrio emocional, sentido de responsabilidade e implementação de rotinas. Um estudo que envolveu 388 crianças, conduzido por um psicólogo americano, apurou que 85% via o seu animal de estimação como «um amigo» e 40% das crianças afirmou que, se estivesse triste, procurava consolo na sua mascote. 
A nível mais geral, várias pesquisas revelaram que os animais de estimação contribuem para uma melhor saúde cardiovascular e promovem o aumento dos níveis de serotonina e dopamina, neurotransmissores que provocam a sensação de bem-estar e relaxamento.

 

Cão, o mais estudado
Investigadores do organismo americano National Institutes of Health (NIH) verificaram que os donos de cães se encontravam em melhor forma física e tinham menos propensão para a obesidade e excesso de peso do que quem não tinha cães. Outros estudos apuraram que ter um cão aumenta as interações sociais e, por seu turno, uma vida social preenchida está associada a uma vida mais longa. 

 

Convívio saudável
Se, depois de ter pesado os prós e os contras, gostava mesmo de fazer a vontade ao seu filho e oferecer-lhe um animal de estimação, eis 10 regras essenciais: 

  1. Habitue a criança a lavar sempre as mãos depois de estar em contacto com o animal de estimação/caixa de areia/aquário/gaiola.
  2. Não deixe o animal de estimação visitar e/ou dormir nos quartos.
  3. Os pais devem ensinar as crianças a respeitarem os animais (não os tratando como se fossem bonecos) e a manterem uma distância de segurança.
  4. Os pais nunca devem deixar bebés e crianças muito pequenas sozinhas com os animais de estimação.
  5. Uma vez por semana, no mínimo, passe uma toalha molhada em água morna no pelo do gato/cão.
  6. A casa deve ser arejada/ventilada diariamente.
  7. Prefira pavimento de madeira envernizada, linóleo ou mosaico, em detrimento de alcatifas e carpetes.
  8. O aspirador deve ter filtro de alta eficiência (HEPA) e sacos de espessura dupla.
  9. Coloque cobertas ou mantas nos sofás e lave-as regularmente a uma temperatura superior a 50%.
  10. Se acolher um animal de estimação e a criança manifestar sintomas alérgicos (comichão, espirros, erupção cutânea, urticária, olhos lacrimejantes/vermelhos, corrimento nasal, entre outros), consulte o Pediatra da criança logo que possível. Este poderá aconselhar que a criança vá a uma consulta de Imunoalergologia.