Mantenha o cérebro ativo

O declínio da memória é um fenómeno natural. No entanto, existem estratégias que nos permitem jogar pela antecipação e contrariá-lo.
Publicado por: CUF em 07 de Agosto 2013
Tags: cérebro , demências , doença de Alzheimer , envelhecimento e memória , exercitar a memória , memória

É um facto: a nossa performance cognitiva costuma ressentir-se com o passar dos anos. Mas, a boa notícia que lhe vamos dar é que existem variadas formas de contrariar esse fenómeno, estratégias simples que podemos pôr em prática desde cedo e que nos permitem manter o cérebro ativo.

 

O que os estudos dizem
Um estilo saudável é um aliado que nos permite preservar as capacidades cerebrais e, inclusive, prevenir vários tipos de demência. Neste contexto, uma dieta equilibrada e variada, em que os vegetais e a fruta estejam presentes e que seja pobre em sal, gorduras saturadas e açúcar, promove o bom funcionamento do cérebro.
Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Neurology, que envolveu mais de 17 000 pessoas saudáveis cuja média de idades rondava os 64 anos, apurou que a dieta mediterrânica (rica em peixe, vegetais e azeite e pobre em gorduras saturadas) reduzia, em 19%, o risco de problemas de memória.

 

Poder antioxidante
Um estudo norte-americano verificou que um grupo de idosos com algumas perdas de memória que consumiu, ao longo de 60 dias, dois copos e meio de sumo de mirtilos por dia, demonstrou melhores resultados em testes de memória do que o grupo de idosos que não bebeu o sumo. Os mirtilos são uma fonte privilegiada de substâncias antioxidantes, as quais se crê exercerem um efeito protetor em relação a determinadas patologias.
Os ácidos gordos ómega 3, que se encontram em abundância no salmão, sardinha ou nozes são também uma classe de antioxidantes que deve integrar nos seus menus.

 

Atividade física
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Proceedings of the National Academy of Sciences, praticar exercício físico contribui para o aumento do volume do hipocampo (zona cerebral que é a principal estimuladora da memória e cujo volume costuma diminuir com o avançar dos anos).
A atividade física é detentora, igualmente, da capacidade de atenuar o stress – que, por sua vez, quando manifesta de forma continuada, afeta a concentração, a memória e o rendimento intelectual. Aprender meditação ou fazer ioga ou pilates pode também ser uma solução eficaz para gerir o stress.

 

Estimular o cérebro
Nunca é demasiado tarde para estimular o cérebro e exercitá-lo diariamente pode fazer a diferença:

  • Aprenda uma língua ou arranje um novo hobbie;
  • Experimente atividades diferentes, faça puzzles ou torne-se um expert em palavras cruzadas, no jogo Scrabble ou no Sudoku;
  • Ouça música, aprenda a tocar um instrumento musical ou dance: qualquer uma destas atividades estimula o cérebro;
  • Ensine os outros. Esta é uma ótima forma de reter informação – tem de a saber suficientemente bem de modo a conseguir explicá-la eficientemente;
  • Esteja consciente do que se passa à sua volta: ouça o barulho da água enquanto toma banho ou saboreie o leite que bebe ao pequeno-almoço;
  • Diga piadas. Esta é uma excelente forma de desafiar o cérebro, tal como ensinar. O sentido de humor pode ter efeitos muito positivos na memória;
  • Em vez de escrever uma lista de tarefas, visualize-a mentalmente, como se fosse uma imagem. A partir daí construa ramos, subcategorias, etc. Este exercício trabalha a imaginação e obriga-o a associar ideias e outras imagens.

 

Devo consultar um Neurologista?
Quando as perturbações de memória interferem nas atividades diárias de alguém, afetando a sua autonomia, pode significar que estamos perante um tipo de declínio mais preocupante do que a perda de memória associada ao avançar dos anos e é motivo para marcar uma consulta de Neurologia. Entre os principais sinais de alarme destacam-se:

  • Esquecimento de parte ou totalidade de um acontecimento;
  • Perder gradualmente a capacidade de seguir indicações por escrito ou verbais ou de acompanhar o enredo de uma série ou filme;
  • Não conseguir lembrar-se do que almoçou/jantou nesse dia.
  • Perder gradualmente a capacidade de se vestir ou tomar banho autonomamente;
  • Ter dificuldade em manter uma conversa, perdendo a linha de raciocínio ou não se lembrando de palavras;
  • Perder gradualmente a capacidade de tomar decisões e de gerir o dinheiro.