Medicação em viagem

As precauções a ter para minimizar os riscos, especialmente quando se viaja com crianças.
Publicado por: Carla Santos em 12 de Junho 2014
Tags: consulta do viajante , medicamentos

Viajar é uma realidade cada vez mais frequente para um número maior de indivíduos, seja por razões de ordem profissional, recreativa ou humanitária.

Tal aumenta a exposição dos viajantes a uma variedade de riscos para a saúde em ambientes com os quais não estão familiarizados. Viajar pode ser uma experiência muito agradável, mas os imprevistos acontecem e convém estar preparado. Com esse objetivo, ao programar a viagem, deve-se ter em atenção algumas questões: qual o destino? Duração da viagem? Que doenças poderão existir? Que cuidados ter com a alimentação? Que recursos de saúde existem? Que tipo de alojamento? Especialmente quando se viaja com crianças, tem de se ter em atenção os cuidados especiais de que necessitam.

 

Consulta do Viajante

Para ajudar à preparação da viagem e, sobretudo, quando se pretende viajar para fora da Europa, nomeadamente para destinos tropicais, existe a Consulta do Viajante, à qual deve dirigir-se, de preferência, um mês antes. Pode encontrá-la em centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde, e nos serviços de saúde privados.

 

O que acontece durante a consulta

Na Consulta do Viajante são dadas informações e recomendações acerca das medidas preventivas a adotar antes, durante e depois da viagem. Estas medidas incluem a vacinação, medicação profilática (como por exemplo da malária), informação sobre cuidados a ter (como em relação à água e os alimentos que se ingerem) e outros aspetos para que se deve estar alerta quando viaja. Também é feito aconselhamento sobre os medicamentos que o viajante deve levar consigo.

 

Que medicamentos levar?

Os medicamentos a levar numa viagem vão depender de vários fatores, nomeadamente, o destino, com os recursos de saúde e as condições sanitárias aí existentes, assim como os microrganismos mais prevalentes no local, a duração da estadia, o tipo de atividade, e condições particulares da criança como doenças e/ou medicações crónicas.

 

Em geral podem fazer parte da "farmácia" de viagem os seguintes medicamentos:

  • Medicamentos que tome habitualmente Para doenças pré-existentes, em quantidade suficiente para o tempo de estadia (incluindo doses extra para o caso de um imprevisto);
  • Analgésico/antipirético Para a febre e alívio de dores (como por exemplo dores de cabeça, ouvidos, dentes), de preferência medicamentos à base de paracetamol;
  • Anti-maláricos Para profilaxia da malária, quando recomendado pelo médico, dependendo do destino;
  • Antibióticos Para tratamento de doenças infeciosas como a diarreia do viajante;
  • Soluções de reidratação oral Para prevenir a desidratação, em situação de vómitos ou diarreia, por exemplo;
  • Antieméticos Para enjoos ou vómitos;
  • Antidiarreicos Para diarreia aquosa sem febre, mediante aconselhamento médico;
  • Anti-histamínico e/ou corticoide tópico Sobretudo para quem tenha história de reações alérgicas (como, por exemplo, à picada de mosquito);
  • Repelente de insetos Para proteção contra a picada de mosquitos transmissores de doenças como malária, febre amarela, dengue e encefalite, e que contenham DEET ou IR3535;
  • Protetor solar Para oferecer proteção em relação à exposição solar, deve ser adequado ao grau de exposição solar e tipo de pele;
  • Creme hidratante e com zinco Para reparação de lesões e irritações cutâneas, como por exemplo pós-exposição solar.

 

E ainda...

Deve levar também alguns produtos para fazer face a pequenos problemas como feridas, nomeadamente um antisséptico, pensos rápidos, compressas esterilizadas, ligaduras, tesoura e pinça.

 

Cuidados a ter no transporte de medicamentos

  1. Fazer-se acompanhar de uma lista com toda a medicação que o doente está a tomar e levar uma receita médica, na qual devem constar os nomes genéricos dos medicamentos e respetivas doses. Pode ser necessária uma declaração médica que ateste a necessidade dos medicamentos ou seringas que transporta, para eventual apresentação às autoridades.
  2. Ter em atenção que viagens que atravessam mais do que quatro fusos horários implicam alterações ao horário de toma dos medicamentos (aspeto particularmente sensível no caso da insulina), o que deverá ser discutido previamente com o médico.
  3. Adotar medidas de segurança para o transporte, como manter os medicamentos na embalagem original (para evitar problemas na alfândega e facilitar a sua identificação em caso de urgência), transportá-los de preferência em bagagem de mão (garante a sua conservação e evita que se percam em viagens aéreas). No caso de transporte de medicamentos que devam ser conservados no frio (como insulina), recorrer a caixas térmicas e, no carro, não colocar os medicamentos no porta-luvas.
  4. Para transportar medicamentos na mala de mão dentro do avião, os líquidos, incluindo os xaropes, devem ser transportados em frascos ou tubos com capacidade até 100ml (no total de 1L por passageiro), dentro de um saco de plástico transparente que possa ser aberto, para que as autoridades verifiquem o conteúdo. Se precisar de transportar mais de 100ml terá de fazer-se acompanhar pela receita médica/cópia ou declaração médica preferencialmente escrita em inglês ou francês. Os medicamentos sólidos, como comprimidos, não têm restrições.
  5. Planeie a viagem com cuidado e peça, previamente, toda a informação e documentação necessária ao seu médico. É meio caminho andado para uma viagem tranquila.

 

Atenção!

Não se esqueça que é sempre importante levar um termómetro quando for de viagem.

 

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