O 1º ano no infantário e as viroses

A entrada no infantário costuma ser sinónimo de doenças mas trata-se, apenas, de uma fase transitória.
Publicado por: Ana Serrão Neto em 04 de Dezembro 2013
Tags: bebé , entrada no infantário , infeções , licença de parto , viroses , vírus

A grande maioria das crianças inicia a sua vida de infantário pelos 4 ou 5 meses de vida, altura em que as mães terminam a licença de parto.

No primeiro dia de trabalho, a mãe sofre porque se questiona se o seu filho terá ficado bem no infantário. Mas, lá para o fim da primeira semana, tudo parece estar tranquilamente a entrar na rotina. Afinal, a semana acaba por terminar em sobressalto: na 6ª feira telefonam do infantário a dizer que o bebé está com febre, é preciso levá-lo ao médico...

 

É assim que começa a saga dos bebés, e das suas famílias, nos primeiros tempos de infantário. Mas não há razões para os pais ficarem angustiados, pois trata-se, apenas, de uma fase temporária e, também, porque existem medidas que ajudam a proteger os bebés das infeções.

 

Sistema imunitário dos bebés

Enquanto recém-nascidos e latentes, as crianças têm menos defesas contra os micróbios do meio que nos rodeia. Estão, por isso, mais sujeitas a contraírem infeções, em particular se permanecerem em ambientes fechados e com outras crianças. Estas infeções são, na maioria das vezes, causadas por vírus e têm uma duração autolimitada, isto é, curam-se espontaneamente.

 

Fonte de contágio

As gotículas nasais são a principal fonte de contágio, pelo que é compreensível que em locais com numerosas crianças, que espirram sem pôr a mão à frente, o contágio seja mais fácil. O facto de o contágio ser mais fácil nas creches ou infantários não significa falta de condições dos mesmos nem falta de cuidado das educadoras. Mesmo nas melhores creches o contágio é mais próximo do que estando a criança em casa sozinha.

 

Exposição às infeções

Em suma, durante o seu primeiro ano no infantário, o latente está mais exposto a infeções, quer por ter menos defesas, quer por frequentar locais com maior densidade populacional. É pois comum passar quase mais tempo em casa doente do que no próprio infantário.

É natural que esta situação preocupe os pais, cabendo ao pediatra tranquilizá-los explicando que não se passa nada de anormal com os seus filhos e que a situação é transitória.

 

2º ano no infantário: maior tranquilidade

Depois dos primeiros contactos com os micróbios e das infeções subsequentes, o organismo da criança cria as suas próprias resistências contra estes gérmenes agressores e o 2º ano no infantário será verdadeiramente tranquilo.

 

O universo das viroses

Com se referiu, a maioria dos microrganismos infetantes, e são milhares, são vírus. Estes vão causar viroses. Muitas destas viroses têm quadros clínicos característicos e um nome específico, como a rinofaringite, o exantema súbito ou a varicela.

 

Vírus "sem nome"

No entanto, muitos episódios febris não têm uma sintomatologia clínica típica, pelo que o médico o denomina apenas como virose. Como exemplos, refira-se uma criança constipada e com febre ou uma criança com febre e diarreia e ar bem-disposto. Em qualquer destes casos, os vírus causadores da doença podem ser muitos e nem sempre identificáveis, mesmo com análises. Nestas circunstâncias, o pediatra presume que está perante uma virose, embora não saiba o nome do vírus. É importante explicar que o médico tem condições para afirmar que se trata de uma doença viral, mesmo sem identificar o vírus. Ou seja, dizer que a criança tem uma virose não significa não saber o que a criança tem, conforme muitos pais julgam.

 

Uso inapropriado de antibióticos

Por outro lado, é essencial explicar aos pais que as viroses não se tratam com antibióticos. A maioria destas doenças tem cura espontânea, porquanto estimulam o sistema imunitário do organismo humano. Mesmo as crianças pequenas, que adoecem mais facilmente por terem menos defesas, são capazes de pôr em ação os seus mecanismos naturais de defesa.

 

O que está ao alcance dos pais fazer

Depois do que se explicou, não se fique com a ideia de que não há nada a fazer para proteger as crianças da travessia do primeiro ano de infantário. Pelo contrário, existem alguns conselhos que os pais devem tomar em consideração:

  1. Escolher um infantário espaçoso e com boas condições de arejamento;
  2. Escolher um infantário sem demasiadas crianças por sala e com pessoal cuidadoso;
  3. Não ir deixar o filho ao infantário se ele estiver doente, pois estará a contagiar as outras crianças;
  4. Cumprir o calendário de vacinação.