O meu filho deve usar óculos escuros?

Tudo o que deve saber sobre radiação solar e como proteger a visão das crianças
Publicado por: Cristina Brito em 04 de Junho 2014
Tags: óculos escuros , radiação solar , radiação ultravioleta
Criança com óculos escuros na praia

Com a chegada do sol, surgem as dúvidas dos pais: "O meu filho deve usar óculos escuros? Ele não quer, de início achou graça mas agora rejeita-os sempre!". Este é um exemplo de perguntas (muitas vezes angustiadas) de pais que querem proteger os filhos mas estes nem sempre parecem querer cooperar...

Já a seguir, esclarecemos algumas das dúvidas mais comuns dos pais quando o tema é a proteção dos olhos das crianças.

 

Radiação solar

A radiação solar é composta por tipos diferentes de raios. Entre eles encontram-se os raios ultravioleta (UV), que correspondem a menos de 5% da energia solar. Devido às suas características físicas, estes raios não participam no espectro da luz visível e são responsáveis por efeitos nocivos que o sol pode ter sobre os humanos. Ao nível da pele, a radiação UV pode provocar o bronzeamento (UV-A), queimadura ou mesmo predisposição para cancro (UV-B).

 

Variações da radiação UV

O conteúdo de radiação UV varia consoante a hora do dia, a localização geográfica e a refletividade do meio. Esta refletividade é extremamente elevada na neve (80%), sendo mais baixa no mar aberto (20%) e na areia (10%). Ao nível do solo, o valor é de 1%. A altitude é outro fator que faz aumentar a refletividade dos raios solares.

 

Os olhos e a radiação solar

Os olhos encontram-se naturalmente protegidos da radiação UV por algumas estruturas ou mecanismos, recebendo apenas uma pequena fração de UV do ambiente sob circunstâncias normais. São estruturas que reduzem a entrada de radiação (o rebordo ósseo em redor dos olhos e as pálpebras) ou que absorvem a radiação UV (córnea, humor aquoso e cristalino).

 

Mecanismos de proteção

São mecanismos de proteção o encerramento palpebral ("piscar o olho") e a variação do tamanho da pupila. A pupila é o orifício que existe no centro da íris (a estrutura que dá a cor ao olho) e permite que a luz entre no olho, e assim estimular a retina. Existe um mecanismo normal de regulação da entrada de luz: quando o ambiente é luminoso a pupila contrai, reduzindo a quantidade de luz que entra. O contrário acontece quando o ambiente é escuro, a pupila dilata e entram mais raios de luz no interior do olho.

 

Envelhecimento ocular

Considera-se que a radiação solar (não apenas na área dos UV) contribui para o desenvolvimento de patologia relacionada com o envelhecimento ocular e que ocorre no adulto ou idoso – predominantemente catarata e doença degenerativa da retina.

 

Como proteger os olhos das crianças

Na essência, as medidas que se aplicam à proteção da pele estendem-se à proteção ocular. Ou seja, é de evitar a exposição direta ao sol quando a radiação ambiente é mais elevada, como entre as 11 e as 15 horas, nos dias de verão ou onde houver maior radiação. É importante, ainda, proporcionar-lhes uma boa sombra sobre a face através do uso de chapéu ou boné de abas largas.

 

Quando usar óculos escuros

Sempre que houver exposição a níveis elevados de radiação UV - neve, gelo e elevadas altitudes (na montanha), o seu filho deve usar óculos escuros, assim como quando existem certas doenças oftalmológicas.

 

Características dos óculos escuros

Óculos com lentes escuras não são sinónimo de proteção ocular. O que cria uma barreira aos raios UV é um filtro incorporado na lente e não a coloração. Na verdade, as lentes utilizadas para correção (isto é, lentes graduadas) têm sempre filtro UV. Se as lentes não tiverem qualidade, a coloração escura pode filtrar apenas a radiação que o olho humano percebe.

 

Qualidade das lentes

As lentes devem ter filtro UV próximo dos 100%, qualquer que seja a sua coloração. Conforme já foi referido, a coloração escura não é sinónimo de filtro UV. Este deve estar garantido pelo fabricante, normalmente em forma de selo. As lentes devem ter boa qualidade ótica (sem distorção) e nunca devem estar riscadas ou com falhas.

 

Formato e contorno dos óculos

A armação dos óculos deve proteger ao máximo da radiação direta e refletida, ou seja, deve ser envolvente de modo a impedir a entrada de raios solares não só pela frente mas também por baixo, por cima e pelos lados – um bom exemplo são os óculos de neve ou de piscina. O contorno dos óculos deve estar sempre em contacto com a pele, tanto à frente com de lado. Se necessário, uma fita elástica facilita o posicionamento.

As lentes escuras tornam a perceção do meio ambiente como mais escuro. Este fenómeno pode ter duas consequências: as pupilas não contraem e maior será a radiação a ter acesso ao interior do olho. Por outro lado, quando a marcha não é muito firme, as lentes escuras podem interferir com a perceção do espaço e a navegação. Assim, é raro os bebés e as crianças pequenas raramente sentirem-se bem com óculos escuros e, entre aqueles que os toleram, encontram-se frequentemente crianças que já têm problemas oftalmológicos.

 

Óculos escuros: uso obrigatório?

Naturalmente, parece prudente proteger os olhos da exposição desnecessária aos raios UV. A utilização de chapéu e óculos pode ser aditiva. Mas, será obrigatória ou absolutamente desnecessária a utilização de óculos de sol pelas crianças? Deve imperar o bom senso. Além de se promover uma boa sombra, deve-se evitar a exposição solar quando a presença de UV no meio é elevada, e isto aplica-se também à pele, sendo que os problemas que podem surgir no futuro são muito mais graves.

Quando se optar por dar óculos de sol à criança, é fundamental que sejam realmente protetores - com as características atrás descritas.

 

Sabia que...

A utilização de chapéu ou boné de abas largas é eficaz e protetora, permitindo ainda que a criança perceba melhor a hostilidade do ambiente ao ter a noção correta da luminosidade e, naturalmente, tenda a proteger-se da exposição solar.