Obcecados pelo telemóvel

Um estudo britânico apurou que uma em cada 4 crianças entre os 5 e os 16 anos tem telemóvel, estando este a substituir as conversas e as brincadeiras cara a cara...
Publicado por: CUF em 07 de Agosto 2013
Tags: perigos do telemóvel , telemóveis e adolescentes , telemóveis e crianças , telemóvel e saúde

Sejamos práticos: para os pais, é muito tranquilizador saberem que, tendo o filho um telemóvel, podem falar com ele esteja onde estiver, e vice-versa - especialmente em situações de emergência. No entanto, as crianças e adolescentes não recorrem ao telemóvel apenas para contactar com a família: usam-no, sobretudo, para enviar mensagens aos amigos (muitas), consultar/atualizar o Facebook ou outra rede social, jogar, ver vídeos, fazer downloads...

 

Dependência tecnológica

Um estudo americano publicado pelo International Center for Media & the Public Agenda pediu a mais de 1000 jovens de dez países diferentes para passarem 24 horas sem o telemóvel (ou qualquer outro tipo de media) e, posteriormente, questionou-os sobre o que tinham sentido naquele período de tempo. Muitos afirmaram sentirem-se "nus", inquietos, paranoicos, com sintomas de privação ou queixas semelhantes às provocadas pela síndrome do membro fantasma (que resulta de uma amputação).

 

Consequências emocionais

Diversas pesquisas têm alertado para o facto de as novas tecnologias estarem a substituir as relações "em direto", interferirem na qualidade de vida familiar e afetarem a capacidade de concentração e gosto por outras atividades mais salutares. Cabe aos pais incentivarem e promoverem programas familiares que fomentem a atividade física, a descoberta e o prazer proporcionado pelo convívio "tradicional".

 

Telemóvel & sono insuficiente?

Um estudo americano verificou que 4 em 5 crianças/adolescentes dorme com o telemóvel à cabeceira. A expetativa/iminência de poderem receber uma mensagem ou uma chamada levam-nos a manterem o telemóvel ao seu lado e, segundo os pediatras envolvidos nesta pesquisa, este comportamento interfere nos padrões e qualidade do sono dos mais novos.

 

Crianças portuguesas dormem pouco

Coincidência ou não, uma pesquisa recente realizada pelo Dr. Filipe Glória Silva, pediatra do hospital CUF Descobertas, apurou que 10% das crianças portuguesas entre os 2 e os 10 anos têm uma duração do sono insuficiente em relação à média. Comparativamente a dados dos Estados Unidos, China e Holanda, foi também verificado que as crianças portuguesas se deitavam tarde e apresentavam mais sintomas de sonolência diurna. Por sua vez, a privação de sono está associada a problemas emocionais, cognitivos e comportamentais, tem impacto na qualidade de vida familiar e justifica a marcação de uma consulta do sono, em que especialistas ajudam os pais a estabelecer hábitos de sono saudáveis de acordo com as necessidades fisiológicas de cada criança.

 

Perigos para a saúde

De acordo com a Food and Drug Administration (FDA), não existe evidência científica atual que demonstre que a radiação emitida pelo telemóvel seja nociva para a saúde dos utilizadores, incluindo crianças e adolescentes. No entanto, a mesma entidade aconselha-nos a reduzirmos, ao estritamente necessário, o tempo passado a falar ao telemóvel e, em simultâneo, utilizarmos os auriculares ou colocaremos o aparelho em alta voz para aumentar a distância entre a cabeça e o telemóvel. Este conselho é válido para crianças, adolescentes e adultos.

 

Há uma idade certa para ter um telemóvel?

Vários especialistas defendem que, mais do que uma idade adequada para a criança ter um telemóvel, é necessário que esta tenha maturidade e sentido de responsabilidade. Faça a si próprio as seguintes perguntas: o seu filho costuma ser responsável? É habitual que perca a mochila ou brinquedos? Acha que ele é capaz de utilizar o telemóvel de forma responsável?

Finalmente, a questão crucial: a criança precisa mesmo de ter um telemóvel?

 

Estabelecer regras
Se decidiu oferecer um telemóvel ao seu filho, defina com ele, previamente, as regras de utilização do aparelho:

  • Compre um modelo básico e não subscreva o acesso à Internet. Se, por exemplo, deu à criança um telemóvel que já não use, desative serviços como a localização automática.
  • Adquira um "pacote" com um número limite de chamadas e mensagens de texto.
  • Habitue a criança a usar auriculares quando fala ao telemóvel.
  • Estabeleça um horário de utilização do telemóvel: por exemplo, a criança deve desligar o aparelho a partir das 20h, deixando-o na sala e só o voltando a ligar na manhã seguinte.
  • Explique ao seu filho que é o cyberbullying e, também, por que é que a criança não deve responder a mensagens de texto ou atender telefonemas de pessoas que não conhece.
  • Dê o exemplo: se a criança vê os pais sempre a falarem ao telemóvel ou a verificarem constantemente se receberam alguma mensagem, ela vai imitá-los. Por isso, imponha limites... a si próprio.