Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC): o que fazer?

A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) é uma doença psiquiátrica crónica que atinge crianças e adultos, mas que tem tratamento eficaz. Saiba como reconhecer.
Publicado por: CUF em 24 de Julho 2017
Tags: perturbação obsessivo-compulsiva , POC , saúde mental

Classificada como uma doença mental, a Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) caracteriza-se por obsessões recorrentes (como pensamentos e imagens intrusivos, indesejados e incontroláveis) e comportamentos ou rituais repetidos de forma compulsiva. A prevalência na população em geral é de 2 a 3%.

 

Sinais e sintomas

As pessoas com Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) podem manifestar uma série de sintomas que causam tensão, medo, culpa e ansiedade e interferem nas atividades da vida diária, no trabalho e nas relações. Ao contrário dos adultos, as crianças podem não ter noção de que estes sintomas são irracionais e excessivos.

 

Estes são os principais sintomas:

  1. Obsessões
  • Ter pensamentos estranhos que não saem da cabeça, como a ideia de que está contaminado por sujidade, germes ou fluidos biológicos;
  • Ver, mentalmente e de forma repetida, imagens perturbadoras, como a morte da própria família;
  • Ter medo de perder o controlo e de causar danos a si próprio ou aos outros (por exemplo, cometer agressões, atos violentos de cariz sexual ou blasfémias que são contra os seus princípios, crenças ou religião);
  • Ter dúvidas e ruminar constantemente sobre o que deve ou não fazer, sem conseguir tomar uma decisão;
  • Inquietar-se com a possibilidade de as coisas não estarem perfeitamente em ordem, equilibradas ou simétricas.

 

  1. Compulsões
  • Repetir constantemente comportamentos ou rituais como limpar a casa, lavar as mãos ou organizar objetos;
  • Verificar repetidamente se as luzes e os eletrodomésticos estão desligados ou se as portas estão fechadas (a tarefa pode ser repetida o número de vezes sentido como bom e seguro);
  • Examinar detalhadamente o corpo para ver se foi contaminado;
  • Fazer contagens ou repetir certas palavras para prevenir que algo de mau aconteça;
  • Acumular coisas inúteis, pensando que deitá-las fora dará azar;
  • Evitar situações que possam desencadear as obsessões.

 

Fatores de risco

Embora ainda decorram estudos para conhecer melhor as causas da Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC), sabe-se que existem alguns fatores que condicionam um risco aumentado de sofrer desta doença. São eles, designadamente:

  • Genética – Vários estudos indicam que os parentes em primeiro grau (filhos ou pais) de pessoas com POC têm mais probabilidades de ter a doença:
  • História pessoal – A vivência de abuso físico ou sexual ou de outro trauma durante a infância aumenta o risco de desenvolver a patologia.

 

Como diagnosticar?

Conhecer os sintomas e os fatores de risco é fundamental para que o médico faça o diagnóstico, uma vez que não existe um exame ou análise que o determine.

 

Como tratar?

A Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) pode ser tratada recorrendo a diferentes tipos de tratamento, como terapia farmacológica e psicoterapia, ou ambos. O objetivo é reduzir os sintomas.

Em alguns casos, porém, a POC pode assemelhar-se a outras patologias do foro psiquiátrico, como ansiedade ou depressão, sendo necessária uma abordagem mais abrangente.

Enquanto a investigação nesta área prossegue, os tratamentos indicados são:

  • Terapia farmacológica: Os fármacos mais utilizados são antidepressivos (designadamente inibidores seletivos da recaptação da serotonina), antidepressivos tricíclicos (mais antigos) e antipsicóticos.
  • Psicoterapia: Vários estudos demonstraram a eficácia deste tipo de tratamento (inclui terapia cognitivo-comportamental e exposição e prevenção da resposta, entre outros).