Proteja o seu filho da gastroenterite

É um problema muito comum nos mais pequenos e um dos principais motivos de saúde para faltar à escola. Existem, no entanto, estratégias de prevenção para proteger a criança e o resto da família.
Publicado por: CUF em 01 de Abril 2019
Tags: gastroenterite , rotavírus , vacina , diarreia , vómitos , dor de barriga , crianças
Gastroenterite na criança

Uma irritação e inflamação do tubo digestivo, nomeadamente do estômago e do intestino, a gastroenterite é um problema muito comum em bebés e crianças pequenas. Até aos três anos, ocorrem em média um a dois episódios por ano, com um pico de incidência entre os seis e os 23 meses.

É, regra geral, causada por um vírus - os mais comuns são o Adenovírus e o Rotavírus, aquele que mais afeta as crianças (aproximadamente 40% dos casos de diarreia até aos cinco anos devem-se a este vírus). Mas também pode ter origem numa bactéria, sendo a Salmonella a responsável pela maior parte dos casos nos países do sul da Europa, onde se inclui Portugal.

 

Como se manifesta a gastroenterite

Os principais sintomas são:

  • diarreia
  • náuseas
  • vómitos
  • febre
  • dores de barriga

 

Se for de origem bacteriana também pode provocar a presença de sangue nas fezes. Nos bebés e crianças mais novas pode ser mais grave, provocando desidratação (perda de fluidos corporais), o que pode requerer tratamento hospitalar.

O aparecimento dos sintomas é rápido: até um dia após a pessoa ser infetada. A probabilidade das crianças serem afetadas pelo Rotavírus é maior no inverno e primavera (entre dezembro e junho).

 

Como se dá o contágio da gastroenterite

No caso das crianças, a creche, jardim de infância, escola e até a sua própria casa são os principais pontos onde se dá o contágio, pois os vírus espalham-se facilmente.

É possível apanhar uma gastroenterite através de pequenas partículas de vomitado ou de fezes do doente, por exemplo, mas também ao levar as mãos à boca após tocar em superfícies ou objetos contaminados ou pela ingestão de alimentos contaminados.

Estes doentes são mais contagiosos desde que os sintomas se começam a manifestar até, pelo menos, 48 horas após o seu desaparecimento. Por este motivo, as crianças só devem regressar à escola após estarem, no mínimo, dois dias sem sintomas.

 

A vacinação é a melhor forma de proteger o seu filho

A vacina do Rotavírus - cuja integração no Programa Nacional de Vacinação foi aprovada no final de 2018, mas não está ainda em vigor - imuniza os bebés e crianças mais pequenas contra este vírus, evitando o seu aparecimento ou diminuindo a sua gravidade. Existem, atualmente, duas vacinas disponíveis - a Rotateq® (em três doses) e a Rotarix® (em duas doses) - que são administradas oralmente, em gotas, entre os dois e os três meses de idade. Esta pode provocar alguns efeitos secundários, como diarreia, vómitos, febre, perda de apetite, irritabilidade.

Além de ser a melhor forma de proteger o seu filho contra esta doença, outra vantagem da vacina é a imunização de grupo, que acaba por proteger mesmo quem não foi vacinado.

Uma vez que o vírus presente na vacina passa pelos intestinos do bebé, saindo pelas suas fezes, é importante que os pais tenham alguns cuidados, como lavar as mãos após a muda da fralda. Assim, é possível evitar que quem não está imunizado seja contaminado.

 

Cuidados para evitar que toda a família tenha gastroenterite

De fácil contágio entre bebés e crianças mais pequenas, é possível que estes transmitam o Rotavírus aos restantes membros da família. Algumas medidas que o podem ajudam a precaver esta situação passam por:

  • Lavar as mãos com frequência, sobretudo após cuidar da criança, com água e sabão e incentivar a criança a fazer o mesmo (estas levam constantemente as mãos à boca, que podem ter tocado em superfícies contaminadas), especialmente após evacuar ou vomitar, comer ou preparar alimentos. Os géis à base de álcool nem sempre são a opção mais eficaz.
  • Não partilhar toalhas de banho e utensílios de cozinha, como talheres, com a criança doente.
  • Lavar peças de roupa contaminadas em separado da roupa dos restantes membros e sempre a quente.
  • Puxar o autoclismo sempre que se usar a sanita, nomeadamente após evacuar ou vomitar, e limpar a zona envolvente.
  • Desinfetar todas as superfícies e objetos contaminados com um produto à base de lixívia.
  • Não levar o seu filho a nadar na piscina nas primeiras duas semanas após a última vez que teve diarreia. Apesar da criança já não manifestar sintomas, o Rotavírus pode contaminar as restantes crianças através da água da piscina.