Regressão do sono do bebé: o que fazer?

As fases de alteração do padrão de sono são normais ao longo do desenvolvimento da criança e devem implicar um esforço acrescido por parte dos pais na prática de bons hábitos de sono.
Publicado por: Nádia Vieira Pereira em 05 de Agosto 2019
Tags: sono , bebé , sono do bebé , regressão do sono , higiene do sono , rotinas
Regressão do sono do bebé

O sono dos bebés é na maioria das vezes um desafio para as famílias e é, frequentemente, uma questão abordada nas consultas de pediatria.

 

O recém-nascido necessita de dormir várias horas, cerca de 16 a 20h num dia mas, por razões nutricionais e de imaturidade dos ciclos de sono, o sono divide-se em períodos de 1-4h, após as quais está desperto para alimentação e cuidados.

A partir dos 3-5 meses de idade a maioria dos bebés tem a capacidade de dormir por períodos maiores durante a noite, de cerca de 5-6h, estando mais ativos e despertos durante o dia.

Podemos dizer que a maioria dos bebés a partir dos 6-9 meses tem a capacidade de dormir a noite toda ou, melhor dizendo, tem a capacidade de durante a noite ter um período de sono mais longo, com microdespertares fisiológicos, não necessitando da intervenção dos pais para readormecer.

 

É frequente falar-se de fases de "regressão do sono", ainda que cientificamente não seja este o termo mais correto. Mas podemos dizer, que por causas diversas, existem momentos em que o sono das crianças sofre uma alteração ao seu padrão habitual, que é geralmente transitória, mas que pode justificar o reforço de algumas regras de higiene do sono.

Antes de aprofundar causas e momentos de alteração do padrão de sono seria importante clarificar alguns conceitos em relação à estrutura e organização do sono em crianças.

 

Ritmo Circadiano

Até aos 4-6 meses o bebé tem um ritmo de sono-vigília que se repete a cada 3-4horas. Ou seja, a cada período de 3h dorme, acorda, é alimentado, tem um período variável de interação e volta a dormir.

A partir dos 3-5 meses de idade o bebé adquire aquilo a que chamamos um ritmo circadiano, ou seja, as mesmas rotinas repetem-se ao longo de 24h, havendo um período diurno, em que há luz e atividades, e um período noturno, com diminuição da luz e com o maior período de sono.

Este ritmo que se repete a cada 24h é regulado por fatores externos, como a luz e as atividades, e por fatores internos, como a temperatura corporal e hormonas como a melatonina.

 

Ciclos de sono

O sono de crianças e adultos organiza-se em ciclos, com cerca de 90-120 minutos de duração, e cada ciclo tem diferentes fases, desde sono mais superficial até sono mais profundo. Na transição de ciclo podem ocorrer pequenos despertares, que na criança maior e no adulto são impercetíveis, mas na criança mais pequena, principalmente nas que têm alguma dificuldade em conciliar o sono sem ajuda dos pais, pode significar um acordar a meio da noite e o reclamar da atenção dos cuidadores.

É por este motivo que na realidade não podemos dizer que o bebé dorme toda a noite, sendo o mais correto afirmar que o bebé, no seu período de sono noturno, tem a capacidade de readormecer sem a ajuda dos pais.

 

Regressão do sono: causas possíveis

Existem então períodos ao longo do crescimento dos bebés e crianças nos quais poderá haver perturbação do padrão de sono habitual:

  • Alteração do ritmo de sono: quando o bebé adquire um ritmo de sono mais semelhante ao do adulto, com um período mais longo de sono noturno, por vezes tem dificuldade em conciliar o sono sozinho sem ajuda dos pais; esta alteração acontece por volta dos 4-6meses, sendo mais comum em bebés que associam o sono a fatores externos dependentes da presença dos cuidadores (colo, embalo, amamentação, biberão, ...). 
  • Etapas do desenvolvimento: é frequente haver alguma perturbação transitória do sono em momentos de grandes aquisições do desenvolvimento (gatinhar, andar sozinho, ...).
  • Alterações do ambiente: pequenas mudanças na temperatura ou luminosidade do quarto podem afetar o sono do bebé.
  • Ansiedade de separação: a partir dos 9 meses de idade, a ansiedade de separação dos pais (que é uma etapa normal do desenvolvimento) pode levar a que o bebé solicite a sua atenção mais frequentemente, inclusivamente no período noturno.
  • Alterações na rotina: o exemplo típico são as férias, em que a alteração de casa, quarto e rotinas, acaba por trazer alguma insegurança à criança.

 

Como lidar com as fases de regressão de sono

Antes de mais, devemos perceber que estes momentos de alteração do padrão de sono das crianças são frequentes e normais ao longo do seu crescimento. Na sua maioria são transitórios, mas será importante ter em atenção alguns aspetos, para que uma fase de regressão de sono não se transforme numa perturbação de sono por hábitos incorretos.

Se estivermos perante uma fase de perturbação do sono por motivos comportamentais, o reforço de rotinas e a aplicação de medidas simples de higiene do sono facilitará a resolução destes períodos.

 

Medidas de higiene do sono

  • Manter horários regulares de refeições e sestas durante o dia
  • Evitar atividades estimulantes nos momentos que antecedem o deitar, preferindo momentos de afetividade e interação em família
  • Rotina de adormecer consistente, repetida do mesmo modo diariamente
  • Reforço da autonomia no momento do adormecer, sendo o ideal que o bebé seja colocado no berço ainda acordado e seja capaz de adormecer sem a presença dos pais
  • Evitar que a criança adormeça a comer, de modo a evitar que se crie a associação entre a alimentação e o sono
  • Nos pequenos despertares noturnos esperar um pouco para que o bebé tenha a oportunidade de readormecer sozinho. Se de facto for necessário consolar com colo, alimentar, trocar fralda, este processo deverá ser rápido, de luz diminuída e mínima estimulação, de modo a que o bebé perceba que este é o momento de dormir.

 

Quando aplicadas com consistência, transmitindo conforto e segurança, as rotinas do sono vão ajudar a trazer de volta as noites tranquilas.