Tenho vertigens, o que devo fazer?

Diferentes de uma simples tontura, as vertigens podem ser sintoma de várias doenças e requerem conselho médico
Publicado por: CUF em 09 de Outubro 2014
Tags: Doença de Ménière , equilíbrio , falta de equilíbrio , Labirintite , tonturas , Vertigem Migranosa ou Vertigem associada a Enxaqueca , Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) , vertigens
Tenho vertigens, o que devo fazer?

De acordo a Harvard Medical School, a vertigem é diferente de uma tontura e caracteriza-se por uma falsa sensação de movimento ou de rotação. Muitas vezes, as vertigens fazem-se acompanhar de falta de equilíbrio, náuseas, vómitos e sudação excessiva. As vertigens são um motivo para consultar o médico, pois geralmente devem-se a problemas do foro da otorrinolaringologia ou da neurologia e requerem tratamento especializado.

 

Vertigens como sintoma
As vertigens estão associadas a várias doenças, sendo as mais frequentes:

 

Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) É a causa mais frequente de vertigem. Manifesta-se por episódios recorrentes de sensação de rotação, com duração de segundos, associados ou não a náuseas. É um tipo de vertigem posicional, causada por alterações da posição da cabeça, por exemplo, ao levantar e deitar na cama ou pela hiperextensão do pescoço. Não surgem outros sintomas como perda de audição ou acufenos.
A VPPB decorre da presença anormal de partículas (os chamados “cristais”) nos canais semicirculares do ouvido interno. 
O tratamento, após confirmação do diagnóstico por um médico, consiste em recolocar estas partículas no utrículo através de manobras de reposicionamento.

 

Vertigem Migranosa ou Vertigem associada a Enxaqueca É o termo que descreve o episódio de vertigem nos doentes com o diagnóstico ou manifestações de enxaqueca. Estudos apontam para uma prevalência estimada de 1% durante a vida, predominantemente nas mulheres e nas crianças. 
Normalmente surge de forma espontânea mas pode ser provocada por alterações da posição, stress ou privação de sono.
Evitar os fatores que desencadeiam as enxaquecas e controlá-las medicamente alivia as vertigens.

 

Nevrite vestibular É uma doença do ouvido interno caracterizada por uma vertigem violenta de instalação súbita, com duração de minutos a horas, na ausência de queixas auditivas. Surge em pessoas anteriormente saudáveis, geralmente após uma infecção respiratória viral. Pensa-se que a inflamação do nervo vestibular (responsável pela condução dos estímulos do ouvido interno ao sistema nervoso central) é, ela própria, de origem viral.
Para além do tratamento médico adequado, deverá ser iniciada reabilitação vestibular o mais precocemente possível de forma a permitir uma recuperação total da função vestibular.

 

Labirintite A labirintite distingue-se do problema anterior pelo facto de existir perda auditiva (neurossensorial) associada. Resulta de uma infecção viral, otite média aguda ou otite média crónica.

 

Doença de Ménière Esta doença caracteriza-se pela ocorrência quase sempre simultânea de vertigem, acufeno, diminuição da audição e, por vezes, sensação de ouvido tapado. 
Evolui por crises com duração variável, podendo ser de minutos até 1 ou 2 dias, após as quais permanecem a sensação de instabilidade ou vertigens menos intensas.
Pensa-se ser originada por um aumento da pressão da endolinfa no ouvido interno (hidrópsia endolinfática) e, deste modo, recomenda-se uma dieta hipossalina, evicção do café e de situações potenciadoras de stress. Nas situações de crise são prescritos medicamentos que visam aliviar os sintomas e diminuir a pressão da endolinfa.
O diagnóstico faz-se através da observação da evolução clínica e da avaliação funcional (vestibular e auditiva), devendo os doentes ser acompanhados numa consulta especializada.

 

Tratamento caso a caso
É muito importante que alguém que sofra de vertigens consulte o médico, para que este, através da história e observação clínicas e de exames complementares, possa identificar a sua origem e, assim, poder prescrever o tratamento adequado.


Atenção!
Atividades do dia a dia como conduzir, praticar desporto ou trabalhar podem tornar-se difíceis e perigosas quando se tem vertigens. Podem também ocorrer quedas, pelo que não é aconselhável sair sozinho. O médico será o melhor conselheiro e a pessoa certa para ajudar a encontrar e tratar a causa das vertigens, permitindo ao doente retomar a sua rotina normal.