Apneia do Sono

Sindrome de Apneia Obstrutiva do Sono

Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono

A roncopatia ou ressonar, como é vulgarmente conhecido, resulta de um som originado pela vibração do palato e das paredes da faringe. O ressonar não constitui apenas um incómodo do ponto de vista conjugal e social, mas pode também ser a fase inicial do síndrome de apneia do sono, sendo que 90% dos que sofrem deste síndrome ressonam.

 

A maioria das pessoas com síndrome de apneia obstrutiva do sono apresenta alterações a nível da faringe, com obstrução da via aérea num qualquer nível entre a epiglote e as fossas nasais, muitas vezes associada ao aumento excessivo de peso e outros fatores de risco. Cansaço, sonolência, diminuição da líbido e uma maior incidência de problemas cardiovasculares, são situações frequentemente associadas a este quadro clínico.

 

O Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma perturbação respiratória relacionada com o sono, de maior gravidade que a roncopatia simples e consiste na cessação do fluxo respiratório durante o sono por mais de 10 segundos e mais de 5 vezes por hora devido ao colapso da via aérea superior. A consequência direta da apneia do sono é a alteração do padrão do sono, onde há uma incapacidade de se atingir as fases profundas, que são as fases restauradoras, as que permitem odescanso físico e mental. Deste modo, o doente não se sente restabelecido pela manhã como uma pessoa normal. Pode ter sonolência durante o dia, quer no emprego, quer a conduzir ou a fazer outras atividades simples do dia-a-dia. Poderá também ter cefaleias, irritabilidade, alterações do humor. Nas situações mais graves poderá haver deterioração intelectual, da atenção, memória e raciocínio bem como impotência sexual.

 

A incorreta oxigenação do sangue que ocorre durante a noite induz problemas graves como o aumento do trabalho cardíaco, hipertensão arterial, arritmias cardíacas, aumento significativo do risco de enfarte agudo do miocárdio e alterações hormonais.

 

Como é diagnosticada a Apneia do Sono?

Os médicos dispõem de um conjunto de ferramentas para o ajudar no diagnóstico e tratamento da apneia do sono, como exames complementares endoscópicos, estudo poligráfico do sono noturno e se necessário a cirurgia para tratar a roncopatia.
 
Em caso de roncopatiaintensa ou suspeita de apneia do sonoo doente deve ser encaminhado para uma consulta especializada, onde é confirmado o diagnóstico e planeado o tratamento. São colocadas algumas questões acerca da facilidade em adormecer em situações do dia-a-dia.
 

Através do exame objetivo, ou seja, dos sinais que o médico pesquisa no doente, é possível identificar as alterações anatómicas e planear um tratamento. Quando há suspeita de SAOS deve ser realizado um estudo polissonográficodo sono, exame que avalia diversos parâmetros durante o sono, permitindo a confirmação do diagnóstico.  

 

A Unidade de Otorrinolaringologia tem as valências necessárias ao diagnóstico da apneia do sono, realização de exames complementares, apoio de consulta de nutrição, tratamento médico e cirúrgico dos casos de roncopatiasimples e SAOS. A Otorrinolaringologia tem um papel importante no despiste, diagnóstico e tratamento destas patologias nomeadamente na seleção dos casos cirúrgicos.

 

Como se trata a Apneia do Sono?

Atualmente existem algumas opções de tratamento para estas condições, devendo sempre ser tentado em primeiro lugar a correção dos fatores de risco como a obesidade, ingestão de álcool à noite, tabagismo, refluxo gastro-esofágico, toma de determinados medicamentos e a posição de decúbito dorsal (dormir de barriga para cima). O tratamento médico mais estandardizado na SAOS consiste na utilização de um aparelho durante a noite que aumenta a pressão nas vias aéreas superiores, impedindo deste modo as apneias. Este tratamento tem como vantagem ser eficaz em quase todos os doentes, mas como desvantagem o facto de poder ser incomodativo e ter de ser usado permanentemente. Os tratamentos cirúrgicos para a apneia do sonosão diversos e devem ser adaptados às alterações encontradas no doente, designadamente anomalias nasais, da faringe e palato, língua e craniofaciais. Têm como vantagem a correção do problema sem a utilização permanente de dispositivos. Podem ser pouco invasivos como a cirurgia por radiofrequência ou LASER ou, se necessário, mais tradicionais como a cirurgia nasal, do palato e base da língua.

 

Em conclusão, a roncopatiapode ser extremamente incomodativa e a SAOS uma condição com repercussões graves na saúde do indivíduo. É essencial que a população em geral e os médicos estejam alertados para estes casos e em caso de suspeita de apneia do sonoque o doente seja encaminhado a uma consulta especializada. Caso o diagnóstico se confirme, o doente deve cumprir todas as medidas aconselhadas pelo médico e saber quais as opções terapêuticas, decidindo em consciência e com a ajuda do médico a medida que mais se adapta à sua situação.

 

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