Autismo

Criança com autismoO autismo é uma perturbação do desenvolvimento que habitualmente se inicia nos primeiros três anos de vida. A maioria das crianças autistas assemelha-se às outras crianças mas exibem um comportamento diferente, realizando atividades estranhas e incompreensíveis.

 

Nas formas menos graves de autismo, as crianças falam e exibem capacidades intelectuais embora apresentem perturbações sociais e comportamentais. Embora se pensasse que o autismo era irreversível, hoje sabe-se que existem tratamentos que podem ser úteis.

 

Qual a incidência de autismo no mundo?

Desde os anos 90 que a incidência de autismo tem vindo a aumentar em todo o mundo, atingindo atualmente cerca de 60 em cada 10.000 crianças. Desconhece-se, no entanto, a razão para este facto.

 

Em Portugal, estima-se que o autismo afete cerca de 1 em cada 1000 crianças em idade escolar, com um valor um pouco mais elevado nos Açores (1,56/1000) do que no Continente (0,92/1000) e com predomínio no sexo masculino.

 

Quais as causas do autismo?

Não existe uma causa específica, mas admite-se que o autismo resulte de anomalias na estrutura ou na função do cérebro.

 

Com maior frequência, têm vindo a registar-se casos de autismo em crianças portadoras de algumas síndromes genéticas, na esclerose tuberosa, rubéola congénita e na fenilcetinúria.

 

Tem sido também avaliada a importância da hereditariedade e da presença de outros problemas médicos como fatores associados ao autismo.


Outros fatores possíveis podem estar relacionados com a gravidez, o parto ou outros de natureza ambiental, como infeções virais, desequilíbrios metabólicos e exposição a substâncias químicas, como metais pesados.

 

Como se manifesta o autismo?

As alterações comportamentais típicas do autismo podem ser ou não aparentes na infância (18 a 24 meses), mas são de um modo geral mais evidentes entre os 2 e os 6 anos.

 

Como regra geral, será importante realizar-se uma avaliação mais completa na presença de um destes sinais:

  • A criança não balbucia nem emite sons aos 12 meses;
  • Não executa gestos (como apontar ou acenar) aos 12 meses;
  • Não pronuncia palavras simples aos 16 meses; não forma frases com duas palavras aos 24 meses;
  • Perdeu capacidades de linguagem ou competências sociais em qualquer idade.

 

A presença de um destes sinais não significa que a criança seja autista mas, uma vez que os sintomas do autismo são tão diversos, é importante, nestes casos, proceder a uma avaliação por uma equipa multidisciplinar, onde se englobam neurologistas, psicólogos, pediatras, terapeutas da fala e outros.

 

Importa assinalar que, em 20% dos casos, estas crianças também apresentam epilepsia.

 

Como se diagnostica o autismo?

O diagnóstico do autismo é difícil e não existe um teste específico. Como tal, o mesmo assenta na observação da criança, das suas competências sociais, verbais e comportamentais, e no modo como elas evoluem ao longo do tempo.

 

No momento atual, o diagnóstico do autismo baseia-se na presença de um conjunto de critérios definidos pela Associação Americana de Psiquiatria e que abrangem as áreas sociais, da comunicação e do comportamento. Existem testes de desenvolvimento que cobrem áreas como a linguagem, a fala, o nível de desenvolvimento e os aspetos comportamentais e sociais.

 

Alguns comportamentos podem indiciar a presença de autismo, como por exemplo:

  • Dificuldades no estabelecimento de contacto visual
  • Dificuldade em fazer amizades e em partilhar emoções
  • Insensibilidade face aos sentimentos dos outros;
  • Atraso na fala, incapacidade em iniciar ou manter uma conversação, repetição de palavras ou verbos sem entender o seu significado;
  • Interesse anormal em objetos ou tópicos,
  • Comportamentos repetitivos e/ou comportamento perturbado quando a sua rotina é alterada.

 

O diagnóstico é habitualmente realizado antes dos 3 anos, pela presença de atrasos óbvios na linguagem e na interação social. Quanto mais precoce o diagnóstico maiores as probabilidades de melhorar a linguagem e o comportamento da criança.

 

Como se trata o autismo?

No passado, o tratamento destas crianças passava pela sua institucionalização. Na atualidade, existem serviços e redes de suporte adequadas, acesso a informação e treino e, nestas condições, as crianças com autismo podem crescer, aprender e desenvolver-se, mesmo que o façam a um ritmo diferente do das outras crianças.

 

Embora não exista cura para o autismo, existem tratamentos e medidas educativas que permitem lidar melhor com esta situação, reduzindo os comportamentos mais perturbadores e oferecendo maior autonomia.

  • Medicação:

Em alguns casos, medicamentos antidepressivos, anti psicóticos ou aqueles utilizados no tratamento da hiperatividade podem ser úteis.

Se existirem outras doenças, como a epilepsia, alterações do sono ou problemas digestivos, será importante abordá-los em paralelo.

O tratamento deve ser instituído o mais precocemente possível e deve ser ajustado a cada caso.

  • Outras terapêuticas:

De um modo geral, as abordagens terapêuticas para o autismo podem ser não médicas, onde se incluem as abordagens comportamentais e educativas; o uso da comunicação e os tratamentos biomédicos, que englobam alterações na dieta, adição de vitaminas e minerais, reguladores do sistema imunitário e outros.

A seleção da melhor abordagem dependerá, como se referiu, de cada caso individual.

 

Qual o prognóstico do autismo?

O prognóstico do autismo é determinado fundamentalmente pela quantidade de linguagem frequente que a criança adquiriu até aos 7 anos de idade.

Uma vez que, como regra, os sintomas do autismo persistem durante toda a vida, os autistas com inteligência inferior à normal poderão requerer um cuidado institucional a tempo completo quando atingirem a idade adulta.

 

Fontes

  • Autism Research Institute, 2013
  • Autism Society, 2013
  • APPDA - Lisboa, Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo
  • Guiomar Oliveira, Autismo, Unidade de Desenvolvimento e Autismo, Centro de Desenvolvimento Luís Borges, Direcção Regional Educação Centro, Hospital Pediátrico de Coimbra, 2009 

 

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