Enfisema Pulmonar

Enfisema PulmonarO que é o enfisema pulmonar?

O enfisema pulmonar é uma doença na qual os pequenos sacos de ar (alvéolos) onde ocorrem as trocas gasosas durante a respiração vão sendo gradualmente destruídos, reduzindo a superfície disponível para essas trocas e, portanto, reduzindo a quantidade de oxigénio que é transportado para o sangue e dificultando a respiração.

 

Quais são as causas do enfisema pulmonar?

O enfisema é uma das formas de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e tem como principal causa o tabaco. De facto, o tabagismo constitui um grave problema de saúde pública, sendo responsável por 90% dos casos de cancro do pulmão, 86% dos casos de bronquite e enfisema, 25% dos processos isquémicos do coração e 30% dos cancros extrapulmonares.

 

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia, em Portugal estima-se que sofram de DPOC 5,42% da população entre os 35 e os 69 anos. A doença atinge mais os homens do que as mulheres devido ao maior número de homens que fumam. Anualmente morrem cerca de 8,7 por 100.000 habitantes por DPOC.

O fumo passivo é, também um factor de risco para esta doença.

 

Existem outras substâncias que podem causar enfisema pulmonar, como a inalação de marijuana, a poluição do meio ambiente, o pó da sílica e do alcatrão, alguns fumos industriais.

 

Existe uma forma hereditária desta doença, resultante da ausência de uma proteína que protege as estruturas elásticas dos pulmões. A essa forma de enfisema dá-se o nome de deficiência da alfa 1-antitripsina.

 

Como se manifesta o enfisema pulmonar?

De um modo geral, os sintomas desenvolvem-se entre os 40 e os 60 anos.

Trata-se de uma doença que pode não causar sintomas muitos anos. A queixa mais comum é a dificuldade de respiração, que se vai instalando de modo gradual, primeiro surgindo após a realização de esforço físico e, nas fases mais avançadas, estando presente mesmo em repouso. A respiração torna-se mais ruidosa, podendo ocorrer pieira.

 

As unhas e os lábios podem adquirir uma coloração azulada ou acinzentada, facto que traduz a dificuldade de oxigenação das extremidades do corpo.

 

Essa menor oxigenação pode causar dificuldade de concentração e um aumento da frequência cardíaca, que corresponde ao esforço que o coração realiza para tentar compensar o menor transporte de oxigénio.

Pode ainda ocorrer perda de peso embora as fases mais avançadas do enfisema, pela inactividade a que a doença obriga, se possam acompanhar de aumento do peso.

 

Na ausência de tratamento, o enfisema pode associar-se a um colapso pulmonar, infecções respiratórias ou problemas cardíacos.

 

Como se faz o diagnóstico do enfisema pulmonar?

A especialidade médica que diagnostica e trata o enfisema é a Pneumologia.

 

Os exames normalmente utilizados para se diagnosticar esta doença são a radiografia torácica ou uma TAC pulmonar, testes laboratoriais que avaliam os níveis de oxigénio e de dióxido de carbono no sangue e testes da função pulmonar que determinam o grau de compromisso dos pulmões no paciente com enfisema.

 

Qual o tratamento do enfisema pulmonar?

Trata-se de uma doença que não pode ser curada, porque as alterações da estrutura pulmonar são irreversíveis. O objectivo do tratamento é aliviar os sintomas e retardar a progressão da doença.

 

O tratamento será sempre definido de um modo personalizado e pode incluir medicamentos que ajudam a reduzir ou parar o consumo de tabaco, broncodilatadores que melhoram a respiração ou inaladores com corticóides que permitem também uma respiração mais fácil.

 

Para lá dos medicamentos, poderá ser necessário recorrer a um processo de reabilitação pulmonar, onde se aprendem exercícios respiratórios que melhoram a qualidade de vida e se definem estratégias nutricionais que ajudem a reduzir o peso, sempre que tal for importante. Nas formas mais avançadas, o uso de oxigénio em casa, por vezes durante as 24 horas, pode ser importante.

 

A cirurgia poderá estar indicada em casos mais graves e permite a remoção do tecido pulmonar danificado. O transplante pulmonar é a solução de último recurso quando as outras opções não foram eficazes.

 

Estas formas de tratamento podem e devem ser complementadas por alterações no estilo de vida que ajudem a travar a progressão da doença e que possam evitar as suas complicações. De todas, a mais importante será deixar de fumar e evitar, igualmente, o fumo passivo. Outros tipos de fumos ou de irritantes respiratórios são igualmente prejudiciais e devem ser evitados. Aqui se incluem algumas tintas, o fumo dos escapes, alguns odores de cozinha, alguns perfumes, velas e incenso. É importante manter os filtros do ar condicionado devidamente limpos.

 

A prática regular de exercício físico é útil, porque permite aumentar a capacidade pulmonar.

 

Deve-se evitar o ar frio, que provoca espasmo dos brônquios, agravando a dificuldade respiratória, e ter especial atenção às infecções respiratórias. Aqui o papel do médico é importante ao indicar quais as vacinas mais úteis para cada caso.

 

Fontes:

  • Mayo Foundation for Medical Education and Research , 29 de Abril de 2011
  • Medscape Reference, Drugs, Diseases & Procedures
  • Canadian Lung Association, 24 de Setembro, 2012
  • Doença pulmonar obstrutiva crónica – Uma revisão, Artur Laizo, Rev Port Pneumol 2009; XV (6): 1157-1166
  • Sociedade Portuguesa de Pneumologia

 

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