Hepatite

O que é uma Hepatite?

O fígado exerce diversas funções no organismo tais como as relacionadas com a digestão, armazenamento de energia ou remoção de toxinas.

Uma hepatite é uma inflamação do fígado que pode ter diversas causas, sendo as mais comuns os vírus.

Quando ocorre uma hepatite, o fígado não consegue desempenhar as suas funções e as lesões nele causadas podem evoluir para cirrose ou cancro.

Uma vez que existem vários tipos de hepatites, a sua gravidade será muito variável. Algumas formas de hepatite resolvem-se apenas com repouso; noutros casos, pode haver necessidade de recorrer a um tratamento mais complexo que permite controlar a evolução da doença sem a curar.

 

Quais as causas da Hepatite? 

As hepatites podem ser provocadas por agentes infeciosos, como bactérias ou vírus, ou pelo consumo de produtos tóxicos como o álcool, medicamentos e algumas plantas.

Existem ainda as hepatites autoimunes, nas quais o sistema imunitário ataca as células do fígado. Este tipo de hepatite atinge sobretudo as mulheres, entre os 20 e os 30 anos e entre os 40 e os 60.

 

Que tipos de Hepatite existem?

Dentro das hepatites contraídas por bactérias ou vírus, existem seis tipos diferentes de vírus da hepatite: A, B, C, D, E e G.

A hepatite A e E resultam da ingestão de água ou alimentos contaminados. A hepatite B, C e D requerem o contacto do vírus com o sangue do paciente a partir de outros fluidos contaminados, como pode ocorrer numa relação sexual, numa transfusão de sangue, partilha de seringas ou na transmissão da mãe para o filho durante a gravidez. Descoberta recentemente, a hepatite G é transmitida, sobretudo, pelo contacto sanguíneo.

As formas virais, as mais comuns, são responsáveis por milhares de casos em todo o Mundo. No caso da hepatite B e C é frequente a evolução para uma doença crónica.

Hepatite A

A hepatite A é frequente em Portugal. De um modo geral, surge na infância ou na fase de adulto jovem. Cura-se ao fim de 3 a 5 semanas e não evolui para doença crónica. Raramente exige internamento hospitalar. Inicialmente assemelha-se a uma gripe com febre, dores musculares e mal-estar geral, depois surge icterícia, falta de apetite e vómitos. Não há um medicamento específico e o tratamento passa pelo repouso e por uma dieta rica em proteínas e baixa em gorduras. Embora seja uma forma pouco grave de doença, pode ser fatal em zonas com escassas condições sanitárias.

A sua prevenção passa por medidas de higiene como lavar as mãos sempre que se contacte com materiais potencialmente contaminados e, no caso de se viajar para países da Ásia, África ou das Américas (Central e do Sul), optar por beber água engarrafada e ingerir alimentos embalados.

Existe uma vacina que é recomendada para pessoas que viajam com frequência ou que permanecem longos períodos em países onde a doença é comum.

Hepatite B

A hepatite B é, talvez, a mais perigosa e grave, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Pode tornar-se crónica e pode ser fatal, evoluindo para cancro do fígado. As principais formas de contágio são o contacto sexual e a partilha de seringas entre os que utilizam drogas injetáveis.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em todo o mundo a hepatite B infetou já dois biliões de pessoas e causa a morte a 600.000 pessoas por dia. Em Portugal, a hepatite B afeta cerca de 1,0 a 1,5% da população.

Nas formas agudas, o tratamento passa pelo repouso. Nas formas crónicas, recorrese a medicamentos como os interferões e outros também utilizados para controlar a infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana.

Embora sendo uma forma grave de hepatite, ela pode ser prevenida, pela vacinação que tem uma eficácia de cerca de 95%. Esta vacina é administrada em três doses e está incluída no Programa Nacional de Vacinação.

Hepatite C

A hepatite C evolui com muita frequência para formas crónicas. Estima-se que existam 150 mil portadores crónicos deste vírus em Portugal.

Os principais afetados são os consumidores de drogas injetáveis e as pessoas que receberam uma transfusão de sangue antes de 1992. O contacto sexual é uma forma possível de infeção mas é menos comum.

Pode evoluir para uma doença hepática grave e é, em Portugal, a principal causa de cancro do fígado (60% do total de casos) e uma das mais importantes causas de cirrose (25% do total de casos).

O tratamento da hepatite C crónica faz-se com peginterferão, associado ou não a outros medicamentos. Em situações mais graves, de doença hepática avançada, poderá ser necessário um transplante de fígado. Não existe vacina para a hepatite C.

Os dados da Organização Mundial da Saúde referem que existem cerca de 150 milhões de pessoas infetadas com o vírus da hepatite C e que morrem por ano mais de 350.000 pessoas por doença hepática relacionada com este vírus.

Hepatite D

A hepatite D ocorre somente em doentes infetados com o vírus da Hepatite B, aumentando a gravidade dessa infeção. A infeção ocorre através do contacto com sangue contaminado ou fluidos sexuais. Embora não exista vacina para este vírus, uma vez que o mesmo só pode infetar alguém na presença do VHB, a vacina contra a hepatite B previne a infeção por este vírus.

Hepatite E

A hepatite E transmite-se pelo consumo de água ou alimentos contaminados e, de um modo geral, não evolui para a cronicidade. O risco de complicações é mais elevado nas grávidas. A hepatite E atinge cerca de 4,2% da população portuguesa e existe vacina já testada mas ainda não comercializada.

Hepatite G

A hepatite G foi descoberta mais recentemente. Desconhecem-se, ainda, todas as formas de contágio possíveis, mas sabe-se que a doença é transmitida, sobretudo, pelo contacto sanguíneo.

 

Como se manifesta a Hepatite?

Em muitos casos, a hepatite não se associa a quaisquer sintomas. Quando eles ocorrem, os mais comuns são a fadiga, perda de apetite, náuseas, vómitos e diarreia, urina escura e fezes claras, dores abdominais, coloração amarela da pele e dos olhos (icterícia). 

Uma hepatite pode tornar-se crónica e pode evoluir para uma lesão mais grave no fígado, como a cirrose ou mesmo para o cancro do fígado. Diz-se que a hepatite evoluiu para uma forma crónica quando o quadro clínico persiste por mais de seis meses.

Todos os tipos de hepatite exigem uma consulta médica e um acompanhamento adequado.

 

Como se faz o diagnóstico da Hepatite?

O diagnóstico passa sempre pela observação médica e pela história clínica do paciente conjugados com os exames laboratoriais que se considerarem apropriados.

 

Como se trata a Hepatite?

No seguimento do descrito ao longo do texto, de um modo geral, numa fase aguda da doença, o tratamento de hepatite passa essencialmente por permitir que o fígado possa recuperar, sendo importante o repouso físico e a dieta.

O recurso a medicamentos específicos é importante nas formas mais graves e crónicas da hepatite e deverá ser sempre avaliado caso a caso. Esses medicamentos procuram limitar a multiplicação do vírus e, desse modo, reduzir as lesões causadas ao fígado.

 

Fontes:

  • World Health Organization, Julho 2012
  • U.S. National Library of Medicine, National Institutes of Health, Março de 2013
  • SOS Hepatites Portugal, Março 2011
  • Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado
  • Marinho, R. T., A Hepatite E existe em Portugal? Claro que sim, J Port Gastrenterol., 16 (5): 185-186, Nov. 2009

 

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