Hipotonia

Hipotonia

A hipotonia define-se como uma diminuição da resistência ao movimento passivo. É facilmente reconhecida na observação do recém-nascido, sendo um dos sinais mais frequentes de doença nesta faixa etária.

 

É um sinal clínico inespecífico, mas muitas vezes associado a doença grave, pelo que se torna importante um diagnóstico precoce para instituir a terapêutica adequada, estabelecer o prognóstico e oferecer aconselhamento genético. A grande diversidade de causas subjacentes e respectivos exames complementares realça a importância de uma investigação metódica e sistemática.

 

Fala-se em hipotonia quando se verifica uma redução do tónus muscular. Trata-se de um sintoma e não de uma doença em si.

 

Os músculos saudáveis nunca estão completamente relaxados. Existem sempre algum grau de tensão e rigidez que se traduzem numa resistência ao movimento. Durante o sono, o tónus muscular é menor.

 

A hipotonia é diferente da fraqueza muscular, embora por vezes seja difícil distinguir as duas condições que, até, podem ocorrer no mesmo paciente.

 

A hipotonia é mais frequentemente encontrada em recém-nascidos ou nas crianças mas pode ocorrer em fases mais avançadas da vida.

 

Quais as causas da Hipotonia?

A hipotonia pode ser causada por inúmeras doenças, muitas das quais são hereditárias.

Pode resultar de um défice de oxigénio ou de irrigação cerebral, sendo estas as causas mais comuns no recém-nascido.

 

A hipotonia surge associada a muitos casos de paralisia cerebral.

 

Os recém-nascidos prematuros, nascidos antes das 37 semanas, apresentam hipotonia porque o seu tónus muscular ainda não está completamente desenvolvido.

 

Muitos dos casos de hipotonia resultam de uma interrupção dos sinais transmitidos aos músculos a partir dos nervos. Essa interrupção pode ocorrer a nível do cérebro ou da medula espinal (hipotonia central), ou ser o resultado de uma lesão nervosa mais periférica (hipotonia periférica).

 

As causas centrais de hipotonia (agudas ou crónicas) são mais comuns no período neonatal (60-80%) do que as causas periféricas (20-40%), sendo o prognóstico habitualmente mais grave nas últimas.

 

A encefalopatia hipóxico-isquémica constitui a principal causa de hipotonia central no recém-nascido.

 

No período neonatal as principais causas de hipotonia periférica são a atrofia muscular espinhal tipo I, a distrofia miotónica congénita e as miopatias congénitas.

 

A lista de doenças que pode causar hipotonia é muito grande.

Nos bebés e nas crianças: paralisia cerebral, lesões cerebrais e da medula espinal, meningite, encefalite, síndrome de Down, síndrome de Tay-Sachs, hipotiroidismo congénito, atrofia muscular espinal, doença de Charcot-Marie-Tooth, miastenia gravis, distrofia muscular, síndrome de Marfan, síndrome de Ehlers-Danlos.

Na idade mais avançada, as causas mais habituais são a esclerose múltipla e doenças neuronais motoras.

 

Como se manifesta a Hipotonia?

Os sinais de hipotonia na criança incluem pouco ou nenhum controlo nos músculos do pescoço, deixando a cabeça tombar, corpo muito mole quando são pegadas ao colo, incapacidade de suportar qualquer peso nas pernas ou ombros, braços e pernas caídos ao longo do corpo, em vez de apresentarem uma normal flexão dos cotovelos, joelhos e calcanhares, dificuldade na sucção e deglutição, choro fraco.

 

O desenvolvimento nestas crianças é mais lento, demorando mais tempo até serem capazes de gatinhar, andar e alimentarem-se sozinhas.

 

No adulto, a hipotonia traduz-se por perda de equilíbrio com quedas frequentes, dificuldade em se levantar a partir da posição sentada ou deitada, grau invulgarmente elevado de flexibilidade dos calcanhares, joelhos e cotovelos, dificuldade em alcançar ou erguer um objecto.

 

Como se diagnostica a Hipotonia?

O diagnóstico passa pela observação clínica sendo importante tentar descobrir a causa subjacente.

Como regra, são necessários exames laboratoriais, estudos de imagem, como a tomografia computorizada e a ressonância magnética, electroencefalograma, electromiografia, estudos genéticos.

Poderão ser solicitados exames mais específicos como biópsias musculares ou estudos de condução nervosa.

É importante sublinhar que, em alguns casos, a causa não é detectada, mesmo com uma investigação exaustiva.

 

Como se trata a Hipotonia?

Em função da sua causa, a hipotonia pode melhorar, estabilizar ou agravar ao longo do tempo. No caso da prematuridade, a hipotonia tende a melhorar à medida que a criança se desenvolve.

Em muitos casos, essa causa não é tratável, pelo que a abordagem passará pela fisioterapia, terapia ocupacional e terapia da fala.

A fisioterapia permitirá melhorar a postura e a coordenação motora e ajudará a fortalecer os músculos em torno das articulações proporcionando maior estabilidade.

 

Como se previne a Hipotonia?

Considerando que a hipotonia pode ter causas tão diversas, é difícil afirmar que pode ser prevenida, sobretudo no que se refere às doenças genéticas a ela associadas.

No caso de anomalias congénitas relacionadas com a gravidez, todas as precauções para ter uma gravidez saudável poderão ser úteis como prevenção desta e de outras condições clínicas.

Um diagnóstico correcto e um tratamento adequado da doença subjacente podem também prevenir ou minimizar a hipotonia.

 

 

Fontes

  • NHS Choices, Setembro de 2013
  • “Recém-Nascido Hipotónico – Algoritmo de Orientação Diagnóstica”, Secção de Neonatalogia, Sociedade Portuguesa de Pediatria
  • The University of Chicago, 2013

 

Conteúdo elaborado com o apoio de InfoCiência