Menopausa

Menopausa

A menopausa corresponde ao fim das menstruações espontâneas e pode ser confirmada após doze meses consecutivos sem qualquer período menstrual. Trata-se de um processo biológico natural e perfeitamente normal da vida da mulher. Este período assinala o fim da fertilidade.

 

No mundo ocidental, a idade média em que as mulheres atingem a menopausa é de 51,4 anos, podendo ocorrer entre os 40 e os 58 anos. Alguns casos ocorrem muito precocemente, perto dos 30 anos, e outros são mais tardios, por volta dos 60 anos de idade.

 

Estima-se que a idade média em que ocorre a menopausa espontânea na população portuguesa ronde os 48 anos. Apesar da esperança média de vida ter vindo a aumentar, a idade da menopausa tem-se mantido constante.

 

A menopausa é uma consequência da redução na atividade dos ovários, que deixam de libertar óvulos mensalmente. Ao mesmo tempo, os estrogénios começam a ser produzidos em menor quantidade. Este novo ambiente hormonal, quando ocorre de um modo súbito, origina sintomas mais intensos do que se ocorrer de um modo gradual, mais lento.

 

A primeira expressão da redução significativa da função dos folículos ováricos é o aparecimento das irregularidades menstruais, que podem durar vários anos. Numa primeira fase, os ciclos tornam-se mais curtos, mantendo alguma regularidade; mais tarde, tornam-se irregulares, sucedendo-se ciclos de duração muito variável. A amenorreia (isto é, ausência de menstruação normal) definitiva surge ao fim de algum tempo, quando ocorre a falência ovárica, devida ao consumo total dos seus folículos.

 

Embora seja um processo normal, as alterações associadas à menopausa apresentam importante impacto em diversos aspetos da vida da mulher, podendo fazer desta etapa um período bastante difícil.

 

Quais as causas da menopausa?

Como vimos, trata-se de um processo normal, relacionado com a idade. Contudo, existem diversos fatores que podem influenciar o aparecimento da menopausa.

 

O tabagismo, a ausência de gravidezes, a exposição a químicos tóxicos, o tratamento com antidepressivos, a epilepsia são outros fatores que se associam a menopausa precoce. Pelo contrário, a ocorrência de várias gravidezes, o excesso de massa corporal e o elevado QI na infância estão relacionados com o aparecimento mais tardio da menopausa. A genética pode ser importante em todo este processo.

 

A radioterapia, a quimioterapia, a falência ovárica prematura, na qual a mulher para de produzir hormonas antes dos 40 anos, o tabagismo, o hipotiroidismo, são outras causas para a menopausa mais precoce.

 

Quais os sintomas da menopausa?

Os sintomas resultam, fundamentalmente, da carência de estrogénios que se manifesta em diversos órgãos e sistemas.

 

Os sintomas mais precoces da menopausa resultam de perturbações vasomotoras, psicológicas e genito-urinárias.

 

As perturbações vasomotoras correspondem aos «afrontamentos» e suores e são as queixas mais comuns, afetando cerca de 60-80% das mulheres, e tendem a ser mais intensas nos dois primeiros anos da menopausa terminando espontaneamente aos cinco anos de menopausa. Os afrontamentos manifestam-se como uma onda de calor que atinge principalmente a metade superior do corpo seguida, após alguns minutos, por suores frios. Acompanham-se de um aumento da frequência e podem associar-se a vertigens. Não são controláveis pela mulher nem previsíveis.

 

As perturbações psicológicas traduzem-se na dificuldade em adormecer e em manter a continuidade do sono, bem como na ocorrência de insónias matinais. Podem ocorrer sintomas depressivos, embora não esteja ainda bem definida uma associação entre depressão e menopausa.

 

As perturbações genito-urinárias traduzem-se na atrofia da mucosa vaginal com secura que provoca irritação e dores associadas às relações sexuais. Há, também, maior tendência para infeções urinárias. Este quadro pode reduzir a libido e a autoestima da mulher, prejudicando a vida em casal.

 

Os sintomas mais tardios da menopausa ocorrem a nível cerebral, cutâneo, articular, cardiovascular, ósseo e no peso. Nelas se incluem maior incidência de doença de Alzheimer e de acidentes vasculares cerebrais, menor elasticidade da pele, com o aparecimento mais intenso de “rugas”, mais queixas articulares, sobretudo a nível das mãos, maior incidência de enfarte agudo do miocárdio nas mulheres a partir dos 50 anos, aumento da ocorrência de osteoporose e ganho de peso.

 

A diminuição dos níveis de estrogénio aumenta ainda o risco de doenças da retina, glaucoma e cancro do cólon.

 

Como se diagnostica a menopausa?

Este diagnóstico é essencialmente clínico: uma mulher entre os 45 e os 52 anos de idade, com ausência de menstruação normal de pelo menos um ano, sem causas identificáveis para essa amenorreia, ou com irregularidades menstruais e perturbações vasomotoras, está, seguramente, na fase da menopausa.

 

Os doseamentos hormonais têm um valor limitado, pois as hormonas são, nesta fase, segregadas em picos e apresentam grandes variações. São, contudo, importantes, em alguns casos específicos.

 

Como se controla a menopausa?

Para muitas mulheres, não é necessário qualquer tratamento porque os sintomas tendem a desaparecer por si mesmos ou porque as mulheres conseguem tolerá-los sem grande desconforto.

 

O controlo dos sintomas da menopausa passa pelo uso de contracetivos de baixa dosagem que diminui os afrontamentos, a secura vaginal e as alterações do humor. Para lá dos tratamentos hormonais, podem ser utilizados medicamentos de outras classes para controlar os sintomas. A seleção do tratamento deverá ser sempre individualizada e definida pelo médico.

 

A introdução de alterações no estilo de vida e na dieta, a prática de exercício físico, a redução dos níveis de stress são algumas estratégias que permitem aliviar os sintomas típicos da menopausa.

 

É importante parar de fumar, uma vez que as mulheres fumadoras iniciam a menopausa um a dois anos mais cedo do que as não fumadoras. O tabaco contribui ainda para a doença cardíaca e para a osteoporose. O uso de suplementos de cálcio e vitamina D pode proteger em relação à osteoporose.

 

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Fontes:

• Antunes, S. e col., Fisiopatologia da menopausa, Rev Port Clin Geral 2003;19:353-7
• The North American Menopause Society
• Office on Women's Health in the Office of the Assistant Secretary for Health, U.S. Department of Health and Human Services, Set. 2010
• University of Maryland Medical Center, 2011