Micose

As micoses são infeções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos.

Os fungos são microrganismos pluricelulares que estão presentes em todos os locais, podendo ser encontrados no solo e em animais. Mesmo na pele humana existem diversas espécies de fungos que, em condições normais, não causam doença.

 

A queratina é uma substância que está presente na superfície da pele, unhas e cabelos, e constitui uma fonte de nutrientes para estes fungos que, sempre que encontram condições favoráveis ao seu crescimento, se reproduzem e passam a causar a doença.

Essas condições que alteram o equilíbrio entre o fungo e seu hospedeiro podem ser o calor, a humidade, uma diminuição das defesas ou o uso de antibióticos a longo prazo. No fundo, são infeções oportunistas, porque estes fungos apenas causam doença quando existe uma debilidade no hospedeiro.

 

Existem diversos tipos de micoses superficiais, sendo as mais comuns a pitiríase versicolor, as tinhas, a candidíase e as onicomicoses.

 

A Pitiríase Versicolor é uma doença crónica, que aparece e desaparece ciclicamente e com uma distribuição universal. O fungo que a causa pertence ao género Malassezia e trata-se de uma infeção mais frequente nos adolescentes e jovens.

O aspeto típico da pitiríase versicolor é a presença na pele de manchas brancas, com descamação, localizadas na parte superior dos braços, tronco, pescoço e rosto. Essas manchas podem estar agrupadas ou isoladas. Mais raramente, as manchas da pitiríase versicolor são escuras ou avermelhadas.

Nestes casos, é possível que a pele não recupere a sua pigmentação normal ou que sejam necessários muitos meses após o tratamento da infeção para que tal suceda.

 

As tinhas são outro conjunto de micoses superficiais causadas por diversos tipos de fungos.

Podem afetar os pés (pé de atleta), o couro cabeludo, as unhas, a barba ou qualquer outra parte do corpo e apresentam-se sob a forma de manchas vermelhas, com descamação, de contorno bem definido e podendo ocorrer a formação de bolhas ou crostas.

A queixa mais comum é a comichão, que pode ser muito intensa ou até dolorosa. As lesões causadas pelo ato de coçar podem infetar.

 

No caso da Candidíase, a infeção é causada por fungos do género Candida. Este género de fungos pode causar micoses superficiais e micoses profundas, de maior gravidade.

É também um fungo oportunista. Algumas das suas formas de apresentação são os "sapinhos" nos recém-nascidos, que assumem a forma de placas esbranquiçadas na mucosa oral, fissuras nos cantos da boca, mais comuns no idoso, ou a formação de lesões em placa vermelhas delimitadas que apresentam uma exsudação esbranquiçada e com fissuras a nível das pregas da pele, como as pregas inframamárias, axilares ou inguinais. Estas infeções nas pregas cutâneas são também designadas como infeções intertriginosas ou intertrigo.

As micoses causadas pelos fungos do género Candida tendem a causar comichão ou ardor.

Quando este fungo afeta as unhas, ele tende a crescer na sua base, causando uma inflamação dolorosa, com formação de pus. Estas unhas podem tornar-se brancas ou amarelas e destacar-se do dedo.

 

As Onicomicoses podem afetar as unhas dos pés e das mãos. São mais frequentes depois dos 55 anos de idade e são raras na infância.

As unhas infetadas apresentam uma coloração diferente e ficam deformadas e espessadas, podendo descolar-se do seu leito.

 

Quais são as causas das micoses?

Como se referiu, estes fungos estão presentes nos mais diversos locais, incluindo a pele humana onde, em condições normais, não causam qualquer perturbação. Quando estes fungos encontram condições favoráveis para o seu crescimento reproduzem-se e provocam doença.

Assim, trata-se de uma infeção oportunista, em que tudo o que possa reduzir as defesas do hospedeiro se torna uma causa potencial de micose. Destacam-se, pela sua frequência, a diabetes, o uso prolongado de antibióticos orais e qualquer doença ou tratamento que afete o normal funcionamento do sistema imune.

 

Como se manifestam as micoses?

Na descrição anterior dos principais tipos de micose, foram já referidos algumas das suas principais manifestações.

Muitas vezes, as primeiras manifestações são muito subtis e podem traduzir-se no aparecimento de manchas, bolhas, fissuras, escamas ou comichão. O padrão evolutivo irá depois depender do tipo de fungo, da sua localização e do estado geral do paciente.

 

Como se diagnosticam as micoses?

O diagnóstico inicial resulta da história clínica e do exame médico mas é o exame direto de amostras obtidas a partir das lesões na pele, unhas ou mucosa que permite um diagnóstico mais rigoroso que possa orientar o tratamento.

Esse material pode ser cultivado em laboratório para uma melhor caracterização do fungo envolvido mas esse processo é moroso.

 

Como se tratam as micoses?

O tratamento dependerá do tipo e gravidade da micose.

 

O tratamento da pitiríase versicolor pode ser feito com medicamentos antifúngicos tópicos ou orais.

Para as tinhas, o tratamento habitualmente é feito com cremes de antimicóticos. Os pós antimicóticos não costumam ser eficazes neste tipo de infeções. Os princípios ativos mais comuns dos cremes antifúngicos são o miconazol, o clotrimazol, o econazol e quetoconazol.

De um modo geral, as micoses superficiais por Candida são facilmente curadas mediante a utilização de cremes ou loções antifúngicas. O creme deve ser aplicado, habitualmente, durante 7 a 10 dias. Como se trata de uma infeção oportunista, é fundamental identificar os fatores de base, tentando corrigi-los, de modo a evitar novos episódios.

O tratamento das onicomicoses deve ser prolongado e pode ser feito recorrendo a medicamentos locais ou orais. Estas micoses das unhas são as de tratamento mais difícil e mais demorado, podendo ser necessário manter o tratamento durante mais de doze meses. Uma interrupção prematura do tratamento pode determinar o seu fracasso.

 

Como se previnem as micoses?

A adoção de hábitos higiénicos adequados é importante nessa prevenção. Dada a presença generalizada destes fungos e dado seu carácter oportunista, é essencial tomar medidas que, por um lado, evitem o contacto direto com o fungo e, por outro, que reduzam o desenvolvimento de condições propícias à sua multiplicação.

Assim, após o banho, a pele deve ser bem seca, principalmente as pregas de pele e os dedos dos pés, de modo a evitar a humidade que facilita o crescimento dos fungos.

Pela mesma razão, é importante evitar manter roupa molhada vestida durante longos períodos, evitar roupas quentes e justas e sapatos fechados no verão, não utilizar vestuário ou objetos pessoais de outras pessoas, não utilizar material de manicura que não esteja devidamente desinfetado e não andar descalço em pisos húmidos ou frequentados por outras pessoas.

 

O uso de antibióticos deve ser sujeito a prescrição médica e o tempo de utilização deve ser respeitado.

O controlo da diabetes é essencial.

Caso existam animais domésticos, é importante detetar e tratar qualquer alteração na sua pele ou pelo.

Sempre que se mexer em terra, devem ser utilizadas luvas.

 

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Dermatologia, 2014
  • U.S. National Library of Medicine, 2014
  • The Cleveland Clinic Foundation, 2015

 

 

Artigo relacionado

Candidíase