Tratamento cancro da mama

Tratamento

 

O tratamento do cancro da mama implica um trabalho conjunto de vários especialistas que determinam a melhor estratégia para cada doente. Em traços gerais pode ser dito que a maior parte das doentes com cancro da mama é tratada com cirurgia, radioterapia e tratamento médico (quimioterapia e outras modalidades).

 

São fatores determinantes para a seleção do tratamento a idade e o estado pré ou pós menopáusico, o estadio da doença e os subtipos de doença (como referido no ponto 3, de acordo com presença de recetor de estrogénio, de HER2 ou a asuência de qualquer deles).

 

Com base no estadiamento do cancro da mama, é possível determinar o tratamento mais adequado:

 

Estadio 0 – as opções terapêuticas incluem a cirurgia e a radioterapia. Pode ainda incluir a administração de terapêutica hormonal antiestrogénica, no caso de o cancro evidenciar a presença do receptor de estrogénio (RE+);

 

Estadio I – as opções terapêuticas incluem a cirurgia e a radioterapia. Pode ainda incluir a administração de terapêutica hormonal antiestrogénica, no caso de o cancro evidenciar a presença do receptor de estrogénio (RE+). No caso de evidenciar igualmente a presença do factor de crescimento epidérmico tipo 2 (HER2+), geralmente o tratamento passa também pela administração de terapêutica dirigida antiHER2. O tratamento por quimioterapia poderá ser considerado;

 

Estadio II - as opções terapêuticas incluem a cirurgia, a radioterapia e geralmente também a quimioterapia. Pode ainda incluir a administração de terapêutica hormonal antiestrogénica, no caso de o cancro acusar a presença do receptor de estrogénio (RE+). No caso de acusar igualmente a presença do factor de crescimento epidérmico tipo 2 (HER2+), o tratamento passa também pela administração de terapêutica dirigida antiHER2;

 

Estadio III – as opções terapêuticas incluem a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. Pode ainda incluir a administração de terapêutica hormonal antiestrogénica, no caso de o cancro acusar a presença do receptor de estrogénio (RE+). No caso de acusar igualmente a presença do factor de crescimento epidérmico tipo 2 (HER2+), o tratamento passa também pela administração de terapêutica dirigida antiHER2;

 

Estadio IV – neste estadio, o tratamento é individualizado, mas inclui necessariamente terapêutica sistémica seja com terapêutica hormonal antiestrogénica, terapêutica dirigida antiHER2 ou quimioterapia.

 

O tratamento do cancro da mama inicia-se, habitualmente, pela cirurgia. O procedimento cirúrgico utilizado para o tratamento do cancro da mama deve incluir a abordagem da mama e da axila. Para a mama pode ser de duas naturezas:

 

Cirurgia conservadora – é removido o cancro e parte da mama, mantendo-se a mama restante afetada; geralmente o cirurgião remove igualmente os gânglios linfáticos da axila. No caso de cirurgia conservadora (também chamada tumorectomia ou quadantectomia) a mulher fará radioterapia subsequente. 

 

Mastectomia – é removida a mama na sua totalidade; geralmente o cirurgião remove igualmente os gânglios linfáticos da axila; Caso seja a vontade da mulher, e o seu caso clínico o permitir, no mesmo procedimento cirúrgico da mastectomia, pode ser feita de imediato a reconstrução da mama por um cirurgião plástico. O tipo de reconstrução mais indicado varia conforme a idade, a fisionomia da mulher e o tipo de tratamento cirúrgico que foi utilizado para o cancro da mama, podendo ser utilizadas próteses mamárias ou tecido de outra parte do corpo da mulher. A abordagem da axila pode ser feita pelo esvaziamneto - remoção de todos os gânglios da axila ou pela técnica do gânglio sentinela.

 

 

Pesquisa de gânglio sentinela - Caso o cancro da mama se confirme, será necessário fazer uma pesquisa do chamado gânglio sentinela, que consiste na identificação do gânglio linfático do território ganglionar mais próximo da lesão para o qual o cancro poderá ter invadido. Para se encontrar este gânglio linfático e perceber se ele foi envolvido pelo cancro da mama injecta-se um corante no local de lesão, sendo o gânglio a retirar aquele para onde o contraste vai. Esta pesquisa é feita no caso de não haver evidência de envolvimento ganglionar pelo cancro à partida. O gânglio retirado será analisado pela Anatomia Patológica, e caso se confirme a presença de cancro, será necessário retirar todos os gânglios desse território ganglionar, procedimento denominado por linfedenectomia.

 

Radioterapia - A radioterapia é feita habitualmente após a cirurgia. Se a cirurgia foi conservadora deve ser feita a irradiação da mama restante; se a cirurgia foi a mastectomia a radioterapia só em parte dos casos será indicada pela equipa médica que conduz o tratamento.

 

Tratamento médico - O tratamento médico é atualmente indicado para a maioria das doentes e pode incluir tratamento hormonal anto estrogénio, quimioterapia citostatica e tratamento dirigido à proteína HER2. Uma descrição mais detalhada ultrapassa, pela sua extensão e diversidade o âmbito deste texto.


Normalmente a mulher procura saber quais as consequências do tratamento do cancro da mama, nomeadamente em termos de sequelas físicas e impacto na sua vida diária. Deverá informar-se junto do seu médico e discutir as várias opções de tratamento, adaptadas na medida do possível às suas necessidades.