Diagnóstico do cancro da próstata

Diagnóstico

 

Para efetuar o diagnóstico do cancro da próstata, são habitualmente efetuados os seguintes exames:

 

Exame físico/Toque rectal

Normalmente o seu médico irá observá-lo para despistar a presença de sinais da doença. O exame mais comum é chamado de toque rectal e serve para avaliar se a sua próstata apresenta o seu tamanho normal, se é mole ou granulosa, ou se o toque provoca dor.

 

Neste exame, o seu médico colocará uma luva e lubrificará a ponta dos dedos, inserindo um dedo pelo canal rectal por forma a examinar a sua próstata, facilmente examinável uma vez que se encontra na parede oposta ao recto. A zona periférica da próstata, onde a maioria dos cancros se iniciam, está de frente para a parede do recto. Se o seu médico sentir que a sua próstata está aumentada, com altos ou dura, indicar-lhe-á a realização de análises que incluirá o PSA e provavelmente referenciá-lo-á para uma biopsia prostática.

 

Análise do PSA (Prostatic Specific Antigen)

O antigénio especifico da próstata (PSA) é uma proteína produzida pelas células onde a maioria dos cancros começam. O PSA é o que transforma novamente em líquido o sémen que coagula depois da ejaculação, e pode ser medido por uma análise ao sangue uma vez que parte dele entra nos vasos sanguíneos da próstata.

 

Múltiplos valores de PSA podem ser usados para o diagnóstico do cancro e monitorização da doença após diagnóstico, tais como:

 

- Nível de PSA total – é o numero de nanogramas do PSA por mililitro. A maioria dos homens livres de doença apresentam um nível de PSA de 4ng/ml ou menos;

 

- Densidade PSA – nível do PSA em comparação com o tamanho da próstata. É calculado dividindo o nível de PSA pelo tamanho da próstata, sendo este último medido pela realização de uma ecografia transrectal;

 

- Velocidade do PSA – mede as vezes que o PSA se eleva num dado período de tempo.

 

Quanto maior a próstata, mais PSA pode produzir. Próstatas aumentadas podem resultar da presença de cancro, hipertrofia benigna da próstata, prostatite ou outros problemas. O PSA pode também aumentar após ejaculação, pelo que não deve ejacular nas 48 horas anteriores ao exame ao PSA. Alguns medicamentos também podem afetar o nível do PSA. O PSA é apenas usado para deteção de cancro uma vez que não pode por si mesmo garantir se tem ou não a doença.

 

A realização sistemática da avaliação do PSA tem sido muito discutida. Há normas internacionais que apontam para iniciar esta análise aos 40 anos, mas deverá aconselhar-se sempre com o seu médico que indicará medidas adequadas à sua situação concreta. Este procedimento é discutível, porque pode levar a um diagnóstico e instituição de uma terapêutica agressiva que deixa sequelas permanentes, para uma doença que poderia não vir a ser agressiva e poderia não vir a ter impacto na vida do doente, enquanto que o seu tratamento sim.

 

Biopsia Prostática

A biopsia é a única maneira de confirmar se tem cancro da próstata. A mesma consiste na remoção de pequenos fragmentos de tecido da próstata, que serão analisadas posteriormente pela Anatomia Patológica para verificar a presença de células de cancro.

 

A técnica mais comum de biopsia prostática é o método transrectal. Para esta biopsia, é inserida uma sonda no recto, pela qual é introduzida uma agulha para chegar à próstata. Para garantir que a amostra de tecido correta é colhida, esta técnica é acompanhada por uma ecografia transrectal. Este equipamento é igualmente introduzido no recto. A agulha remove uma fração de tecido de cerca de 2cm de comprimento e com a espessura semelhante à de um fósforo.

 

Tipicamente, são recolhidas 12 amostras, de forma a verificar a presença de cancro em diferentes zonas da próstata. A biopsia prostática não é um método infalível, pode dar-se o caso de o cancro não ser detetado na biopsia executada. Caso não se detete cancro, o seu médico poderá solicitar uma segunda biopsia ou aguardar que o seu nível de PSA suba.

 

Normalmente as biopsias são executadas sem qualquer complicação. Contudo existem efeitos secundários associados, tais como sangramento pelo recto que se manifesta pela presença de sangue nas fezes ou ao urinar.

 

Do ponto de vista do diagnóstico, o equipamento de Biopsia Prostática de Fusão no Hospital CUF Descobertas e da Ressonância Magnética 3 Tesla no Hospital CUF Infante Santo são mais um passo no diagnóstico precoce do cancro da próstata, atualmente a segunda causa de morte por cancro no homem em Portugal. A biopsia prostática de fusão vem melhorar a taxa de deteção de cancro da Próstata dos atuais 65% para mais de 85%.

É um novo método que utiliza as imagens previamente fornecidas pela Ressonância Magnética 3 Tesla e faz a sua fusão com a imagem fornecida pela ecografia da próstata, tornando a biopsia da próstata mais precisa e rigorosa. Não só esta nova técnica veio permitir aumentar a probabilidade de deteção da doença maligna, como vem também minimizar o número de punções necessário em cada procedimento e diminuir a probabilidade de ter de repetir as biopsias. Trata-se de oferecer aos doentes uma alternativa mais eficaz e eficiente, minorando o sofrimento e as potenciais complicações inerentes à realização de múltiplas punções.