Tratamento cancro do cólon e reto

Tratamento

 

Tendo em conta o estadiamento da doença, a equipa clínica multidisciplinar decidirá o melhor tratamento, após avaliação individual de cada caso. Contudo e de uma forma geral, as recomendações por estadio são:


Estadio 0 e I - nestes estadios a opção de tratamento geralmente é a cirurgia

 

Estadio II - neste estadio a opção de tratamento geralmente é a cirurgia, podendo ser aplicada terapêutica sistémica (quimioterapia) complementar da cirurgia; no caso de cancro do reto, pode também estar indicada radioterapia

 

Estadio III - as opções terapêuticas incluem a cirurgia e quimioterapia; no caso de cancro do reto, pode também estar indicada radioterapia

 

Estadio IV - neste estadio, o tratamento é muito variável, sendo os planos terapêuticos completamente individualizados

 

A radioterapia é utilizada normalmente nos casos de cancro do reto. Pode, também, ser utilizada antes ou depois de cirurgia, para promover a redução do tumor ou garantir a eliminação de células de cancro, respetivamente. Pode ser ainda utilizada para fins paliativos na doença avançada, nomeadamente para o controlo da dor ou outros sintomas da doença ou tratamentos.

 

Os procedimentos cirúrgicos habituais incluem:

 

- cirurgia laparoscópica - consiste na introdução de um laparoscópio e de instrumentos cirúrgicos através de pequenos cortes no abdómen (entre 5 e 10 mm), permitindo reduzir o trauma de toda a intervenção, com inúmeras vantagens para o doente, que do ponto de vista da recuperação, quer do pondo de vista do controlo oncológico (por menor agressão do sistema de defesa/imunitário); é removida a parte do cólon ou do reto que contém o cancro e eventuais gânglios linfáticos afetados; por vezes, podem também são removidos outros órgãos, ou partes dos mesmos, se contiverem ramificações (metástases) do cancro (por exemplo, uma parte do fígado)

 

cirurgia robótica - semelhante à cirurgia laparoscópica, com a vantagem de aumentar a precisão e segurança do cirurgião; isto traduz-se, sobretudo no caso do cancro do reto, em menos sequelas pós cirúrgicas: menos incontinência anal e urinária, menos disfunção sexual e menor necessidade de ostomias definitivas (isto é, menos necessidade de colocação de “saco” na barriga para evacuar); ao mesmo tempo, parece melhor adicionalmente o controlo da doença oncológica (isto é, maior probabilidade de cura do cancro) 

 

- cirurgia aberta - é realizada uma incisão na barriga, mais ou menos longa, para acesso à cavidade abdominal;  utilizada, com o mesmo objetivo oncológico da cirurgia laparoscópica ou da cirurgia robótica; é mais agressiva e parece resultar em mais sequelas mas, por vezes, continua a ser necessária

 

Quando a cirurgia para tratamento do cancro implica a remoção de parte do cólon ou do reto, sempre que é possível o cirurgião conecta as partes normais do intestino de modo a garantir o normal transito intestinal. Quando esta situação não é possível, o cirurgião procederá a uma colostomia. A colostomia é um procedimento cirúrgico que consiste na criação de uma abertura na parede abdominal – um estoma - ligando a parte superior do intestino ao exterior, colocando-se um saco exterior para a recolha das fezes que passam a ser expelidas pelo organismo através desta abertura.

 

Normalmente a colostomia é necessária apenas até á cicatrização cirúrgica do cólon ou o reto estar concluída, após a qual o cirurgião reconecta o intestino e encerra o estoma. Contudo, em alguns casos, a colostomia pode ser necessária de forma permanente, nomeadamente em certos casos de cancro do reto muito próximos do ânus; felizmente, e graças à tecnologia atualmente disponível, esta situação é cada vez mais rara.

 

Em média 1 em cada 8 pessoas com cancro do reto necessitará de uma colostomia permanente.