Fatores de risco e genética

Fatores de risco e genética

Sabemos que apenas 10% do risco de cancro provém da informação genética herdada dos nossos progenitores, ou seja, o cancro é na sua maioria uma doença adquirida ou comportamental. Sendo uma doença mais relacionada com os nossos hábitos e comportamentos, há um enorme esforço por parte dos cientistas para tentar identificar factores de risco que se possam controlar, para que não venhamos a ter cancro. Esta área científica e clínica de grande interesse é a prevenção.

 

Por outro lado, há o diagnóstico precoce, ou seja, a capacidade que temos (conhecendo os factores de risco comportamentais) de avaliar cuidadosamente os indivíduos expostos a esses factores de risco e diagnosticar numa fase precoce os cancros associados a esse comportamento. O exemplo paradigmático é avaliação dos fumadores para diagnosticar precocemente o cancro do pulmão.

 

Fatores de risco estabelecidos:

Tabagismo - No caso do tabaco pensa-se que este hábito é responsável por 30% das mortes por cancro, não só do pulmão, como também da laringe (garganta), do esófago e da bexiga, entre outros

 

Infeções - As infeções causam 25% dos cancros nos países em desenvolvimento mas apenas 10% nos países desenvolvidos. São exemplos de infeções:

• A infeção pelo virus do papilloma humano que aumenta o risco de cancro do colo do útero
• A infeção pelo vírus da hepatite B e C que aumenta o risco de cancro do fígado
• A infeção pelo vírus de Ebstein-Barr que aumenta o risco de Linfoma de Burkitt
• A infeção pela bactéria Helicobacter pylori que aumenta o risco de cancro do estômago, este fator é muito discutido e não uniformemente aceite

 

Radiação - Há dois tipos de radiação que aumentam o risco de cancro nos indivíduos expostos: a radiação ultravioleta, a radiação da luz solar que aumenta o risco de cancro de pele, e a radiação ionizante, à qual estamos sujeitos quando são feitos exames médicos ou quando há acidentes nucleares. Esta radiação aumenta o risco de leucemia, cancro da mama e da tiróide.

 

Imunosupressão - Nos doentes que fizeram transplantes e que tomam fármacos imunosupressores e nos doentes com imunodeficiências, nomeadamente nos doentes que têm SIDA, há um aumento do risco de cancro.

 

Exposição a estrogénio - O estrogénio é um factor de risco para o cancro da mama, mas também do útero e da próstata. A exposição ao estrogénio é fisiológica, ou seja, o estrogénio é uma hormona presente no organismo, mas pode ser também medicamentosa, seja pela prescrição de anticoncepcionais orais ou na terapêutica hormonal de substituição.

 

Fatores de risco potenciais:

Hábitos alimentares - Tem sido muito difícil estabelecer inequivocamente a relação directa entre a dieta e o risco de cancro. Da mesma maneira, tem sido difícil demonstrar que existem alimentos que protegem contra o aparecimento de cancro. Há inúmeras correntes de pensamento que discutem os alimentos ultra processados e os açúcares rápidos como potenciadores de cancro, conceito que não é unanimemente aceite. Não havendo dados inequívocos, deve-se recomendar a manutenção dum peso saudável, a ingestão de alimentos variados e a ingestão de várias porções de fruta e vegetais crus. O consumo de sal está associado a uma maior incidência de cancro do estômago, assim como está o consumo de alimentos fumados

 

Álcool - A ingestão imoderada de álcool aumenta o risco de cancros do sistema digestivo (cavidade oral, esófago, fígado e cólon)

 

Atividade física - Tem sido muito difícil estabelecer que as pessoas com pouca actividade física tenham mais cancro, e que as que praticam desporto tenham menos cancro. Quando se estudam factores, cuja influência no risco de cancro se estima ser baixa, essa influência recebe a influência de outros factores e é muito difícil destrinçar uns dos outros. Sendo assim, devemos manter e estimular os estilos de vida saudáveis que incluam actividade física.

 

Obesidade - A obesidade aumenta o risco de vir a ter vários cancros: mama, útero, esófago, pâncreas, colón e rim. Também sabemos que as doentes que tiveram cancro da mama e mantêm o peso têm menos recaída desse cancro.

 

Factores de risco ambientais como por exemplo pesticidas, arsénico e amianto - O amianto, outrora usado na construção de edifícios como isolante, aumenta o risco de cancro da pleura do tipo mesotelioma; o arsénico é um factor de risco de cancro da bexiga e pulmão. Contudo, os inúmeros estudos que pretendem correlacionar os pesticidas e o risco de cancro deram resultados contraditórios e inconclusivos.
 

Ao avaliar o seu risco individual, deverá ter em conta que mesmo que tenha um ou mais factores de risco, não significa que vai ter um cancro. A maioria das pessoas com factores de risco nunca irão desenvolver cancro, e a sensibilidade aos factores de risco varia muito de pessoa para pessoa.