Medicina Interna
Áreas de Especialização

Como médicos pluripotenciais, dotados de uma formação generalista e de capacidade de lidar com doentes de todo o tipo, em todos os tipos de contexto, os internistas apresentam-se como elementos imprescindíveis em todos os níveis de cuidados, desde os Cuidados Primários (com uma forte relação com a Medicina Geral e Familiar, desde a fase preventiva das doenças) até à Medicina Intensiva, passando pelos Serviços de Urgência, pelas Unidades de Cuidados Intermédios, de AVC, de Insuficiência Cardíaca, de Cuidados Paliativos, pelo internamento em grandes Departamentos Médicos Polivalentes, pelo internamento de doentes em Enfermarias Cirúrgicas, pelos Cuidados Continuados, pela participação na Gestão e pelo forte envolvimento no Ensino e na Investigação Científica.

 

Medicina Obstétrica

Em Portugal as grávidas têm cada vez mais idade e apresentam cada vez mais patologias. A evolução dos cuidados de saúde permite também que mais mulheres com doenças crónicas sobrevivam e engravidem.

A Medicina Interna, enquanto especialidade integradora de várias disciplinas médicas, tem uma posição privilegiada para providenciar o apoio médico necessário à optimização dos cuidados materno-fetais em mulheres com doenças crónicas ou problemas agudos do foro médico e articular a intervenção das outras especialidades. É exemplo disto, a avaliação e seguimento da hipertensão na gravidez e puerpério.

 

Doenças Autoimunes

As Doenças Auto-Imunes incidem em 5% da população portuguesa, podendo afectar qualquer orgão, apresentando um amplo espectro de gravidade. Algumas dessas doenças são lúpus eritematoso sistémico, vasculites, tiroidite auto-imune, síndrome de Sjögren, espondilite anquilosante, doença de Behçet, algumas formas de hepatite entre muitas outras. O caráter multissistêmico dessas doenças, juntamente com sua variabilidade, gravidade potencial e respetivo tratamento, dão espaço à acção da Medicina Interna.

As Doenças Auto-Imunes são doenças crónicas, não-contagiosas, muitas vezes difíceis de diagnosticar. Para a melhor gestão do doente, um diagnóstico precoce é fundamental para que o tratamento comece o quanto antes. O tratamento varia de drogas anti-inflamatórias, corticosteróides, imunossupressores e agentes biológicos. A articulação com a Reumatologia pode ser essencial.

 

Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca é um problema extremamente comum. Em Portugal estima-se que 4.4% da população adulta sofra de insuficiência cardíaca (16% se mais de 80 anos). É uma doença intimamente associada a outras altamente prevalentes como a hipertensão arterial, a diabetes e a obesidade e, por isso, a sua abordagem deve ocorrer num contexto de tratamento global do doente afetado. A Medicina Interna tem aqui um papel essencial.

A insuficiência cardíaca é um conjunto de sinais e sintomas que resulta da incapacidade do coração para bombear sangue de modo satisfatório, não havendo um fornecimento adequado de oxigénio e nutrientes a todos os tecidos do corpo. Pode resultar de diversas doenças ou pode ser um processo degenerativo associado à idade.

Na insuficiência cardíaca crónica o cansaço para esforços cada vez menores é uma das características fundamentais. Pode também existir perda de apetite, tosse ou aumento de volume do abdómen. A acumulação de fluidos nos pulmões pode gerar edema pulmonar, com dificuldade respiratória e falta de ar, obrigando os doentes a dormir com a cabeceira elevada ou mesmo sentados.

O tratamento da insuficiência cardíaca deverá incidir sobre a sua causa, sobre os fatores agravantes e sobre a doença em si mesma. O controlo dos fatores de risco cardiovascular tem aqui um papel essencial, desde logo com o controlo da pressão arterial, do colesterol e da diabetes.

 

Doenças Infecciosas

As doenças infecciosas são doenças provocadas por organismos, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Algumas doenças infecciosas podem ser transmitidas de pessoa para pessoa. Contudo, algumas são transmitidas através de picadas de insetos ou mordidas de animais. Outras são adquiridas por ingestão de água ou alimentos contaminados ou outras exposições no ambiente.

Os sinais e sintomas podem variar, mas, geralmente, incluem febre e calafrios. As queixas ligeiras podem responder a remédios caseiros, enquanto algumas infeções potencialmente fatais podem requerer internamento. Várias doenças infecciosas, como sarampo ou varicela, podem ser evitadas com vacinas. A lavagem das mãos frequente e minuciosa pode igualmente ajudar a protegê-lo contra doenças infecciosas.

O diagnóstico é essencialmente clínico, contudo, análises de sangue, urina, ou outros, e alguns exames de imagem podem ajudar a esclarecer.

O tratamento deve ser orientado para o microorganismo após o seu conhecimento. Os antibióticos são reservados para infeções bacterianas, uma vez que este tipo de medicamentos não exerce qualquer efeito em doenças provocadas por vírus.

 

Diabetes

A prevalência da Diabetes aumentou nos últimos anos em Portugal. A maioria trata-se de pessoas com Diabetes Tipo 2, mas os casos de Diabetes Tipo 1 também estão a aumentar.

As necessidades da pessoa com Diabetes são de extrema importância, pelo que os cuidados adequados são vitais para abrandar e prevenir o desenvolvimento das complicações associadas a esta doença. A Medicina Interna tem aqui um papel essencial na avaliação e diagnóstico das necessidades dos doentes.

Sendo a diabetes uma doença crónica, é necessário realizar ensinos ao doente, nomeadamente no que toca a autovigilância, contando para isso com a colaboração da equipa de enfermagem de apoio à consulta.

A avaliação das necessidades em termos de nutrição, adaptadas à especificidade da diabetes e de cada doente, é articulada com a equipa de nutricionistas.

Os objetivos desta consulta são o rastreio, o diagnóstico e o controlo da Diabetes e outras patologias associadas a esta doença.

 

Hipertensão Arterial

A hipertensão arterial (HTA) é o fator de risco cardiovascular mais prevalente em Portugal. De acordo com dados obtidos a partir do PAP study (estudo observacional português), 21% da população tem excesso de peso (16% obesos), 20% são fumadores e 42% são hipertensos.

A hipertensão arterial é o principal factor de risco para outras doenças cardiovasculares, e sabemos que 32% das mortes no nosso país são por doenças do aparelho circulatório (a causa mais frequente). Assim, a identificação da hipertensão arterial exige criteriosos processos de diagnóstico, avaliação, classificação e tratamento.

Uma Consulta de Hipertensão realizada por médicos especialistas em Medicina Interna faz, por isso, todo o sentido, sobretudo quando orientada para portadores de eventuais formas secundárias ou resistentes e visando o estudo etiológico para despiste de hipertensão arterial secundária, caracterização de perfis hipertensivos e avaliação de repercussões em órgão alvo, identificação e abordagem de fatores de risco associados (estilo de vida vs terapêutica), avaliação e tratamento da hipertensão arterial retrataria às terapêuticas, entre outras.

 

Hepatologia

As doenças do fígado são já a 7.ª causa de morte em Portugal. Sabemos que o consumo excessivo de álcool pode ser determinante para doenças do fígado, mas também infeções crónicas pelos vírus da hepatite B e C, fígado gordo não alcoólico, excesso de peso, diabetes e dislipidémia (elevação de colesterol e de triglicéridos).

Relativamente à doença hepática alcoólica, sabe-se hoje que mais do que uma bebida por dia nas mulheres e duas nos homens pode ser tóxico para o fígado. Cerca de 10% dos portugueses consomem mais do que o referido, dos quais um terço poderá desenvolver doença do fígado. Estas doenças evoluem muitas vezes silenciosamente acabando por ser diagnosticadas tardiamente quando já existe cirrose hepática ou mesmo cancro do fígado.

Na maioria dos casos o diagnóstico de doença hepática pode realizar-se através de uma história clínica cuidadosa, complementada com um exame físico, análises clínicas e uma ecografia abdominal. Podemos prevenir o aparecimento destas situações mais graves através do esclarecimento dos doentes e identificando precocemente alterações de parâmetros hepáticos.

A Medicina Interna, enquanto especialidade gestora do doente, tem espaço nesta área do saber e pode articular com a Gastrenterologia.

 

Doenças Renais

As funções dos rins no organismo são diversas, mas a mais conhecida e mais divulgada consiste na eliminação das substâncias tóxicas resultantes do funcionamento normal de todos os órgãos do corpo. Os rins podem ser atingidos por doenças agudas ou crónicas. A doença renal crónica afeta 500 milhões de pessoas no mundo leva a que deva ser classificada como um sério caso de saúde pública.

A prevenção da doença renal crónica deve exercer-se em dois planos: o primeiro no sentido de tentar diminuir o número de novos hipertensos, diabéticos e obesos; e o segundo dirigido àqueles que já são hipertensos, diabéticos e obesos, para que saibam que correm um elevado risco.

Em Portugal estima-se que cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer de doença renal crónica. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, isto é, sem grandes sintomas. A prevenção tem um papel essencial e a articulação com a Nefrologia é muito importante.