O medo nas crianças

Compreender os medos é a forma mais eficaz de ajudar os seus filhos a lidar com eles.
Publicado por: Sofia Sarafana em
Tags: divórcio dos pais , escuro , medo nas crianças , monstros , morte

O medo corresponde a uma emoção desagradável com uma componente fisiológica, cognitiva e comportamental. Ocorre como resposta a uma causa reconhecida conscientemente de perigo (real ou imaginário). Todas as crianças têm episódios de medo, estimando-se entre os 2-6 anos a maior incidência. O pico de incidência ocorre aos 11 anos, decrescendo a partir dessa idade.

 

Como surgem os medos?

Existem vários fatores que podem contribuir para o desencadeamento dos medos: estímulos temidos (contacto com cão/outro animal grande, etc) ou fatores culturais (divórcio dos pais).

 

Medos comuns na infância e na adolescência

Ao nascimento só estamos predispostos a ter medo das quedas e de certos ruídos. A partir do 1º ano de vida, surgem outros medos:

1º ano de vida: Separação, ruídos, quedas.

2 anos: Animais, treino do bacio, banho.

3 anos: Hora de deitar, medo do escuro, monstros, fantasmas.

5 anos: Divórcio dos pais, de se perderem.

7 anos: Perda/morte dos pais, rejeição social.

9 anos: Guerra, situações novas, adoção.

12 anos: Ladrões, injeções.

 

Como devem os pais proceder?

1. É importante que os pais saibam que a maioria dos medos são normais, passageiros e não representam nenhum problema. As crianças pequenas não distinguem a fantasia da realidade e, para elas, o monstro que temem é real.

2. Os pais não devem exacerbar o medo dos filhos (por exemplo: "O doutor vai dar-te uma pica se não te portas bem").

3. Devem respeitar o medo que a criança sente, sem lhe dar, porém, uma importância desmedida.

4. Não devem obrigar a criança a contactar com os medos.

5. Os pais devem tranquilizar e ajudar os filhos a ultrapassar os medos (por exemplo, falar acerca do medo na tentativa de corrigir uma ideia errada).

6. Em crianças pequenas, alguns medos não podem ser explicados racionalmente, pelo que os pais terão que usar determinadas ações (por exemplo, se a criança tem medo de monstros, os pais devem dizer-lhe: "As casas não deixam entrar os monstros pelo que em casa não há monstros").

7. Em relação aos medos noturnos, a mãe/pai deve acender a luz e reconfortar o seu filho dizendo repetidamente se necessário: "Eu estou aqui... o pai/a mãe está aqui". Responda aos receios da criança num tom calmo e suave; dê-lhe o peluche, boneca ou herói preferido para lhe fazer companhia quando regressar para o quarto (ficando o seu filho no dele).

 

Atenção!

Peça ajuda ao pediatra assistente se o medo evoluir para uma situação generalizada, recorrente ou especialmente assustadora, que comprometa o desempenho da criança.