Febre: o que fazer... e o que NÃO fazer

Saiba como atuar consoante as situações.
Publicado por: Sofia Sarafana em
Tags: antipiréticos , consulta de pediatria , febre , febre alta , urgência hospitalar

A febre é das manifestações mais frequentes na criança, provoca grande ansiedade na família e é causa de muitas consultas de pediatria e absentismo dos pais.

Não é uma doença mas sim um sinal comum a várias doenças. A febre consiste no aumento da temperatura corporal acima da variação diária normal e ocorre na infância, na grande maioria das vezes devido a uma infeção por vírus.

 

Variações da temperatura corporal

A temperatura do corpo é controlada por um centro termorregulador, que equilibra ganhos e perdas de calor de acordo com um ritmo diário normal (ritmo circadiano). As temperaturas são mais baixas de manhã e mais elevadas (cerca de 1 ºC) ao fim da tarde. Assim, a temperatura corporal sofre variações ao longo do dia, oscilando entre 36,5-37,5ºC.

 

Atenção à utilização excessiva de antipiréticos

A febre é uma resposta de defesa do organismo perante uma infeção. O aumento da temperatura corporal contribui para a inativação dos micro-organismos e controlo da sua multiplicação.

Por estas razões, a febre só deve ser combatida para aliviar o desconforto existente. A utilização de antipiréticos em excesso pode ser prejudicial, não só pela toxicidade dos mesmos, mas também porque se pode estar a prolongar a doença e as suas complicações.

 

Quando se considera "febre"?

Em termos práticos, convencionou-se considerar febre quando a temperatura axilar está acima dos 38ºC. Fala-se em temperatura subfebril quando a temperatura oscila entre 37,5 e 38ºC.

 

O que fazer quando surge febre na criança

  1. Vigiar e estar atento ao aparecimento de sinais de gravidade;
  2. Despir ou diminuir a quantidade de roupa;
  3. Insistir na ingestão de líquidos, dando pequenas quantidades de cada vez mas frequentemente;
  4. Perante temperatura acima dos 38ºC axilar e/ou com grande desconforto associado, administrar um antipirético, utilizando de preferência a monoterapia com paracetamol. Só se os picos de febre forem inferiores a 4 horas é que se deve usar outro fármaco, como o ibuprofeno, em alternância;
  5. Se a criança tem menos de 3 meses, deve procurar assistência médica imediata;
  6. Nas crianças mais velhas pode aguardar 3 a 5 dias antes da avaliação médica.

 

O que NÃO deve fazer quando surge febre na criança:

  1. Aquecer a criança vestindo-lhe mais roupa;
  2. Utilizar antipiréticos em horário fixo (usar em SOS);
  3. Querer tratar a febre com antibióticos;
  4. Insistir numa alimentação normal e abundante;
  5. Atribuir a febre a uma erupção dentária.

 

Quando recorrer à urgência hospitalar

Esteja atento a sinais de gravidade como:

  • Prostração, gemido;
  • Dificuldade respiratória;
  • Vómitos e dores de cabeça intensas, que se mantêm ou que se agravam;
  • Lesões cutâneas (pintinhas), que não desaparecem com a pressão local;
  • Convulsões, alteração do estado de consciência ou do comportamento (irritabilidade, agitação, sonolência).