Dor abdominal: Tudo o que precisa saber

A dor abdominal nas crianças pode ser aguda ou crónica e requer, frequentemente, uma ida ao médico.
Publicado por: Filipa Santos em
Tags: dor abdominal , dor abdominal aguda , dor abdominal crónica
Criança com dor abdominal

Uma criança com dor abdominal é sempre motivo de preocupação para os pais, resultando frequentemente em idas ao médico.

A dor abdominal pode caracterizar-se de duas diferentes formas: dor aguda ou dor crónica. Saiba como diagnosticar e distinguir estes dois tipos de dor abdominal.

 

Dor abdominal aguda

A dor abdominal aguda é um sintoma comum em várias patologias: gastroenterite, apendicite, infeção urinária, invaginação, adenite mesentérica, obstipação, úlcera péptica, pancreatite, patologia do ovário, litíase renal ou biliar, pneumonia, entre outras.

Diagnóstico

O historial médico do paciente deve ser avaliado detalhadamente para facilitar a orientação diagnóstica. A idade é um fator importante, assim como o tipo de dor abdominal, a sua localização, a duração e hora do dia, e a presença de outros sintomas tais como febre, náuseas, vómitos, sintomas urinários ou alterações do trânsito intestinal.

Sinais de alarme

Na maioria das situações benignas a dor abdominal localiza-se no umbigo ou em volta deste. As crianças com dor abdominal vomitam frequentemente, mas a maioria das vezes os vómitos resolvem rapidamente. Alguns sinais de alarme que devem motivar observação médica são: dor localizada em outras áreas, nomeadamente no quadrante inferior direito do abdómen (hipótese de apendicite), dor com duração superior a 24h, sensação de doença, febre alta, palidez, sudação, prostração, recusa em brincar, recusa em beber ou comer, vómitos persistentes (já amarelados/verdes ou com sangue), laivos de sangue na diarreia ou alterações na pele.

 

Dor abdominal crónica

A dor abdominal crónica é um motivo muito frequente de consulta, sobretudo no sexo feminino. Os doentes geralmente têm uma sintomatologia pouco específica e na investigação dessas situações apenas em 10% se encontra uma causa orgânica.

Essas causas podem ser: doença de refluxo gastroesofágico, úlceras gástricas, gastrite, alergia alimentar, intolerância à lactose, doença inflamatória do intestino, doença celíaca, litíase biliar, pancreatite, parasitose.

Sinais de alarme

É aconselhável ter especial atenção em caso de:

  • dor abdominal que acorda a criança acordar a meio da noite; 
  • dor abdominal bem localizada e longe do umbigo;
  • vómitos persistentes (sobretudo biliosos);
  • diarreia crónica grave;
  • febre;
  • perda de peso;
  • atraso de crescimento,
  • exantema cutâneo,
  • dor articular;
  • sangue nas fezes;
  • fístula/fissura anal;
  • história familiar de doença péptica e /ou doença inflamatória do intestino;
  • idade inferior a quatro anos.

 

Outros fatores responsáveis pela dor abdominal nas crianças

Muitas vezes a etiologia da dor abdominal é funcional, isto é, a causa não é identificada com testes laboratoriais. Múltiplos fatores têm sido implicados nestas queixas abdominais: stresse psicológico, hipersensibilidade visceral, distúrbios da motilidade gastrointestinal.

Crianças com sintomas funcionais são geralmente tímidas, ansiosas, perfecionistas e interiorizam muito os seus problemas. Têm episódios curtos de dor abdominal periumbilical que não se relacionam temporalmente com a ingestão de alimentos, defecação ou exercício. Por vezes têm alguns sintomas associados como cefaleias, fadiga e dores no corpo. Mantêm o apetite e um bom desenvolvimento de peso e estatura. O seu exame físico e os exames complementares não revelam alterações. Muitas vezes há história familiar de enxaqueca ou de dor abdominal recorrente. A aceitação por parte dos pais e pela criança da possibilidade de existir uma causa biopsicológica para a doença é um fator importante para a resolução dos sintomas.