Insulina: como é usada para controlar a diabetes?

A insulina é, em muitos casos, o melhor tratamento para a diabetes, permitindo normalizar os níveis de açúcar (glicose) no sangue e prevenir complicações.
Publicado por: CUF em
Tags: insulina , diabetes , glicemia , glicose , diabetes tipo 1 , diabetes tipo 2
Picada glicómetro para medir nível de açúcar no sangue e saber se precisa de insulina

A insulina é uma hormona que controla o açúcar no sangue. Em condições normais, o pâncreas é capaz de a produzir em quantidade suficiente e esta atua de forma a manter os níveis de açúcar equilibrados. Esta capacidade é alterada nos doentes com diabetes, doença que afeta cerca de 13% dos portugueses entre os 20 e os 79 anos, tornando-se necessário um controlo através de insulina artificial.

 

Tipos de diabetes

A diabetes é uma doença metabólica crónica caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. Existem dois tipos de diabetes:

  • Diabetes tipo 1
    O pâncreas deixa de produzir insulina e a glicose no sangue aumenta rapidamente. É mais comum em crianças e jovens, mas pode ser diagnosticada em qualquer idade. Esta doença autoimune só pode ser tratada com insulina.
  • Diabetes tipo 2
    O pâncreas torna-se incapaz de fabricar insulina em quantidade suficiente para controlar os níveis de açúcar, que vão aumentando de forma progressiva. Também pode acontecer que o organismo se torne resistente à insulina (insulinorresistência). Fatores como excesso de peso, obesidade, sedentarismo e hábitos de vida pouco saudáveis aumentam o risco da doença. Pode ser tratada com antidiabéticos orais e/ou insulina.

 

Sabia que...

Os antidiabéticos orais são uma alternativa à insulina como tratamento da diabetes, no entanto esta permanece o pilar do tratamento da diabetes tipo 1 e de muitos casos de diabetes tipo 2, especialmente em doentes que apresentem sintomas ou glicemias elevadas ou mal controladas.

 

As complicações da diabetes

Quando a glicose se mantém persistentemente acima dos níveis considerados normais (hiperglicemia), a sua falta de tratamento pode provocar graves problemas por todo o corpo, nomeadamente nos olhos, rins, nervos e sistema vascular, aumentando o risco de retinopatia/cegueira, nefropatia, amputações dos membros inferiores, doença coronária e acidente vascular cerebral.

 

Tipos de insulina e eficácia

Existem vários tipos de insulinas (humanas e análogos) com diferentes durações de ação (curta, rápida, intermédia e prolongada), farmacocinética, custos e riscos de hipoglicemia. Estão inclusive já em desenvolvimento novas vias de administração da insulina, menos invasivas, nomeadamente oral e inalada.

Para a insulina ser eficaz no controlo da diabetes é necessário que estejam reunidas várias condições, nomeadamente a adaptação do corpo ao tratamento, a medição correta das glicemias capilares e a administração correta da insulina, com doses individualizadas para atingir os alvos terapêuticos e o apoio de uma equipa de saúde diferenciada.

 

Potenciais efeitos secundários da insulina

A insulina pode ter alguns efeitos adversos, tais como:

  • Hipoglicemia (quando os níveis de açúcar descem demasiado)
  • Aumento de peso
  • Alergia, vermelhidão, inchaço ou comichão no local da aplicação
  • Lipodistrofia (pele espessa ou com sulcos)
  • Edema ou retenção de líquidos

 

Conselhos de administração da insulina

Os especialistas aconselham que, na administração da insulina, sejam seguidos os seguintes conselhos:

  • Escolha diferentes locais para a injeção, dentro de uma mesma zona do corpo, com alguns centímetros de distância. Não massaje
  • Adapte a quantidade de insulina ao exercício físico e à quantidade de hidratos de carbono consumidos
  • Siga as normas de conservação da insulina
  • Coma sempre a horas e não salte refeições
  • Tenha sempre consigo alguns pacotes de açúcar, rebuçados ou fruta para comer caso sinta sinais de hipoglicemia. Esteja atento aos sintomas (palpitações, tremores, suores frios, fraqueza) e aos valores (glicemia capilar abaixo de 70 mg/dl)

 

Os novos dispositivos

Os novos medidores de glicose têm vindo a substituir as clássicas picadas nos dedos e glicómetros. Estes dispositivos, que já têm comparticipação do Estado, são colocados debaixo da pele para medir o açúcar no sangue de forma continuada, prevenindo assim as baixas de açúcar.

Existem também as bombas de insulina ou dispositivos de Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina (PSCI). Estes são aparelhos eletrónicos programados para administrar insulina continuamente através de um tubo e de uma cânula subcutânea, de forma mais fisiológica e personalizada. Estes sistemas de infusão contínua vêm substituir as múltiplas injeções com as tradicionais canetas de insulina, permitindo um melhor controlo da glicose no sangue.

No âmbito do Programa Nacional para a Diabetes, todas as crianças e jovens com diabetes tipo 1 com idade igual ou inferior a 18 anos de idade deverão ter acesso a bombas de insulina até 2019.

 

Atenção!

Não deve omitir ou interromper a insulinoterapia sem a intervenção do médico. As consequências podem ser graves, incluindo:

  • Descompensação da diabetes
  • Síndrome hiperosmolar hiperglicémica e cetoacidose (uma complicação da diabetes caracterizada por hiperglicemia, acidose metabólica, cetose e desidratação)
  • Coma
  • Risco de morte