Há vida depois do AVC (Vídeo)

O AVC é a principal causa de morte em Portugal. Mas há recuperações de sucesso, como a de Isabel Castelhano, que refez a vida depois de, há três anos, tudo ter mudado numa manhã de domingo.
Publicado por: CUF em
Tags: AVC , Acidente Vascular Cerebral , neurologia
AVC há vida depois de um Acidente Vascular Cerebral

Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) resulta da lesão das células cerebrais, que morrem ou deixam de funcionar normalmente, pela ausência de oxigénio e de nutrientes na sequência de um bloqueio do fluxo de sangue (AVC isquémico) ou porque são inundadas pelo sangue a partir de uma artéria que se rompe (AVC hemorrágico).

Em todo o mundo, a cada segundo, uma pessoa sofre um AVC, e a cada seis segundos o AVC é responsável pela morte de alguém. Em Portugal, é a principal causa de morte, sobretudo na população com menos de 65 anos de idade.

Isabel Castelhano contraria estes números. Há três anos sofreu um AVC que a obrigou a repensar a sua vida. Mas sobreviveu.

 

Era apenas mais uma manhã de domingo. O marido já se tinha levantado e estava na sala. Já Isabel, assim que acordou percebeu que, afinal, aquela não seria uma manhã igual a todas as outras: "Tinha consciência que alguma coisa diferente estava a acontecer, porque eu não conseguia sequer levantar a cabeça". Depois de várias tentativas de se deslocar - com umas quantas quedas pelo meio - conseguiu chegar até ao marido. O que se segue é um enevoado de memórias. Isabel acabou por ser transportada para o Hospital CUF Infante Santo, onde se cruzou com Manuel Manita, neurologista que a acompanha até hoje.

 

 

A regra dos cinco F’s

Os exames confirmaram as primeiras suspeitas - levantadas por fatores como a falta de força do lado esquerdo e a dificuldade em perceber o que a rodeava - de um AVC. Estes fatores fazem parte da regra dos cinco F’s - os cinco sinais para reconhecer um AVC:

  • Face assimétrica, com um canto da boca ou uma das pálpebras descaídos
  • Força diminuída num braço ou numa perna, ou até falta de equilíbrio
  • Fala estranha ou incompreensível, e discurso sem sentido
  • Falta de visão de um ou de ambos os olhos, ou visão dupla
  • Forte dor de cabeça, diferente do padrão e sem causa aparente

 

A recuperação de um AVC é influenciada pela sua localização e extensão, mas também pelo tempo decorrido, razão pela qual é crucial reconhecer com celeridade estes sinais e ter uma rápida ação perante a suspeita de um destes episódios. É essencial ligar para o serviço médico de emergência ou dirigir-se ao serviço de urgência mais próximo.

 

A importância da reabilitação

Nos primeiros dias de internamento, todo o lado esquerdo de Isabel permaneceu imobilizado e a memória não passava de fotografias isoladas. "Sentia-me mesmo muito confusa", diz, ao mesmo tempo que recorda a cara do marido e dos dois filhos, "bastante assustados".

Com o trabalho de reabilitação, iniciado nos dez dias de internamento no Hospital CUF Infante Santo e que ainda hoje prossegue, Isabel foi recuperando a mobilidade e o raciocínio, a independência e a confiança.

 

Segundo o neurologista Manuel Manita, apesar de terem passados três anos, esta recuperação ainda não deve ser dada como encerrada e a fisioterapia deve prosseguir, até para impedir retrocessos no processo. Além disto, o neurologista sublinha a importância de conhecer os principais fatores de risco para um AVC - hipertensão arterial, tabagismo, algumas doenças cardíacas como a fibrilhação auricular, a diabetes, a obesidade, mas também a idade, a genética e outras causas mais raras - pois só desta forma é possível a aposta na prevenção:

  • Verifique regularmente a pressão arterial e o colesterol
  • Não fume
  • Não consuma álcool ou sal em excesso
  • Mantenha uma dieta saudável
  • Pratique exercício físico

 

Descobrir alternativas na vida

Apesar do sucesso da recuperação, Isabel tornou-se uma mulher diferente: "Deixei de ter energia, fiquei com dificuldade em concentrar-me..." desabafa, enquanto as mãos cruzam linhas de crochet, o hobby que descobriu pós-AVC. "Não consigo fazer umas coisas, mas descobri que posso fazer outras", diz. Uma ideia reforçada pelo neurologista Manuel Manita, que sublinha a importância de trabalhar com os doentes de AVC na descoberta de alternativas para esta nova fase da vida. Tudo porque há que não desistir. "O resto é manter a vida o mais normal possível... E vivê-la".