Centro de Alergia

Perguntas Frequentes

  1. Como é que eu posso reconhecer se sou alérgico aos pólenes que existem no ar?
  2. Quais são os sintomas da alergia a pólenes?
  3. Todas as plantas podem produzir alergia? 
  4. Quais são os pólenes que com maior frequência causam alergia?
  5. Os pólenes estão sempre presentes na atmosfera?
  6. Que medidas se recomendam aos doentes com alergia aos pólenes?
  7. Qual é o impacto das doenças alérgicas na população?
  8. As alergias aos pólenes afetam mais as pessoas que vivem no campo ou nas cidades?
  9. Que tratamentos existem disponíveis para os doentes alérgicos aos pólenes?
  10. Porque é que se comemora em maio o Dia Mundial da Asma?
  11. É possível a alergia a pólenes manifestar-se só por queixas nos olhos?
  12. A alergia a pólenes pode ser causa de alergia alimentar?
  13. Porque é que a primavera é uma altura do ano habitualmente crítica para quem sofre de alergias?
  14. É verdade que o fumo do tabaco pode agravar as alergias?
  15. Quais são as alergias mais frequentes na criança?
  16. Qual é a forma mais frequente de manifestação da alergia aos pólenes?
  17. Os doentes alérgicos podem praticar desporto?
  18. Qual é a gravidade da asma em Portugal?

 

1. Como é que eu posso reconhecer se sou alérgico aos pólenes que existem no ar?

A alergia a pólenes, também chamada de polinose, é uma causa frequente de manifestações alérgicas, que podem ser do aparelho respiratório (asma e rinite alérgica), dos olhos (conjuntivite alérgica) ou da pele (urticária e eczema).

A possibilidade da existência de alergia a pólenes baseia-se na presença de sintomas muito característicos, que ocorrem com mais intensidade na época de maior concentração dos pólenes, habitualmente na primavera, sendo as queixas especialmente desencadeadas em ambiente no exterior dos edifícios, e principalmente com tempo quente, seco e ventoso. As plantas que habitualmente causam alergia são as que polinizam pelo vento. Os grãos de pólen destas plantas são muito leves e de fácil libertação, podendo atingir, em algumas circunstâncias, distâncias consideráveis.

 

2. Quais são os sintomas da alergia a pólenes?

A manifestação mais frequente é a rinite alérgica, que pode atingir até 1/3 da população portuguesa. São sintomas de rinite, os espirros, o nariz entupido, a comichão e o pingo no nariz. Frequentemente estes sintomas são acompanhados de queixas oculares de conjuntivite alérgica, como olho vermelho, lacrimejo, comichão e olhos inchados.

A asma e os sintomas alérgicos da pele são também frequentemente desencadeados pela exposição aos pólenes. São queixas de asma, a dificuldade em respirar, a pieira, o cansaço fácil, e a tosse, podendo muitas vezes ser desencadeados ou agravados por esforços físicos. São manifestações de alergia na pele, as urticárias e os eczemas.
Em muitos casos, acontecem simultaneamente vários destes sintomas. De igual modo, com frequência as mesmas queixas eram já habitualmente sentidas pelos pais, irmãos, avós ou tios, traduzindo o carácter familiar da doença alérgica.

A confirmação do diagnóstico de alergia aos pólenes deverá ser efetuada por um médico especialista em Imunoalergologia, conjugando-se a história clínica, com a realização dos testes de diagnóstico apropriados a cada caso, por testes cutâneos de alergia ou por métodos de diagnóstico laboratoriais.

 

3. Todas as plantas podem produzir alergia?

Nem todas as plantas provocam alergias. As plantas que habitualmente causam alergia são as que polinizam pelo vento. Os grãos de pólen destas plantas são muito leves e de fácil libertação. Sendo transportados pelo vento, podem atingir, em algumas circunstâncias, distâncias consideráveis, e ao entrarem em contacto com as mucosas, do nariz, brônquios ou olhos, são capazes de induzir nos indivíduos propensos a reação alérgica. Pelo contrário, as plantas que polinizam através dos insetos, não libertam os seus pólenes para o ar e portanto dificilmente são causa de alergia. Estas são as plantas habitualmente mais vistosas e aromáticas, para atrair a atenção dos insetos, cujo exemplo são as flores. É importante salientar que, no entanto, a capacidade do grão de pólen causar alergia, varia não só com o seu peso, mas também com a sua dimensão, e com o conteúdo deste em proteínas.

 

4. Quais são os pólenes que com maior frequência causam alergia?

Em Portugal, assim como em outros países da Europa mediterrânea, a principal causa de alergia a pólenes, ou seja de polinose, são as gramíneas, também conhecidas por fenos. Estas são muito frequentes e polinizam em plena primavera, atingindo o seu pico máximo habitualmente durante o mês de maio e junho.

Em Portugal é também muito frequente a alergia à erva parietária, muitas vezes conhecida por alfavaca-de-cobra, que de entre o grupo das chamadas ervas daninhas é a que motiva maior alergia. Neste caso, o período de polinização é habitualmente um pouco mais alargado, ocorrendo sintomas durante a primavera e início do verão e de novo no início do outono.
Finalmente, falando dos pólenes de árvores, a oliveira é no nosso país a principal causa de alergia entre as árvores. O seu período de polinização é também na primavera.

 

5. Os pólenes estão sempre presentes na atmosfera?

As concentrações dos pólenes existentes no ar dependem do período de polinização, que é específico para cada planta, sendo ainda influenciadas pelas condições climatéricas existentes em cada ano. Durante a época polínica, as concentrações dos pólenes aumentam com a subida da temperatura, na ausência de chuva, e com o vento, ou seja serão maiores nos dias quentes e secos, e principalmente se ventosos.

 

6. Que medidas se recomendam aos doentes com alergia aos pólenes?

O conhecimento regular do Boletim Polínico de cada região, promovido pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, é imprescindível, para uma correta atuação preventiva e terapêutica do doente alérgico, permitindo reconhecer os sintomas, compreender melhor a doença, e consequentemente tratar de forma mais eficaz. Refira-se que, apesar de ser cada vez maior o conhecimento sobre as doenças alérgicas, a situação vigente é ainda de sub-diagnóstico e sub-tratamento.

Assim, o indivíduo deverá antes de mais reconhecer os seus sintomas de alergia, e no caso de não ter ainda um diagnóstico procurar a assistência médica necessária, preferencialmente de um especialista de Imunoalergologia. Após o diagnóstico correto, o doente deverá iniciar uma terapêutica farmacológica antialérgica dirigida, ou proceder a modificações na sua terapêutica de base preventiva, adaptado caso a caso, de acordo com os sintomas referidos e sempre de acordo com as indicações do médico assistente. Em casos selecionados, os doentes com alergia aos pólenes poderão efetuar vacinas antialérgicas, que têm grande eficácia desde que instituídas corretamente e sob vigilância estrita de um Imunoalergologista; se o doente já está a fazer esta terapêutica, com o aumento dos níveis dos pólenes poderá necessitar de ajustar a dose da vacina. A utilização destas vacinas, poderá alterar a evolução da doença alérgica, podendo fazer a prevenção primária de manifestações mais graves, como a asma.

A outra componente necessária para o controlo da doença alérgica, para além do tratamento farmacológico, é a evicção da exposição aos alergénios a que o indivíduo está sensibilizado. Infelizmente, no caso da alergia aos pólenes, e contrariamente ao que acontece por exemplo na alergia aos ácaros do pó, não é possível uma evicção alergénica muito eficaz, sob pena de uma restrição drástica do quotidiano diário do doente, no entanto algumas medidas podem permitir alguma proteção ou minimizar os sintomas, tais como:

  • reduzir a atividade em ambiente exterior, particularmente em áreas de elevada polinização;
  • evitar praticar desportos ao ar-livre ou campismo;
  • evitar caminhar em grandes espaços relvados ou cortar relva;
  • manter as janelas fechadas quando as contagens de pólenes forem elevadas, particularmente em dias de vento forte, quentes e secos;
  • usar filtros de partículas de grande eficácia nos carros e viajar com as janelas fechadas; no caso dos motociclistas, deverão usar capacete integral;
  • usar óculos escuros fora de casa.

 

Controle a sua alergia!... Não deixe que a alergia controle a sua vida!

 

7. Qual é o impacto das doenças alérgicas na população?

As doenças alérgicas têm vindo a aumentar nos últimos anos, em todo o mundo. O estilo de vida associado ao desenvolvimento das populações, o sedentarismo, o aumento da poluição atmosférica, o aumento do tabagismo, as alterações dos regimes alimentares e a obesidade, são alguns dos fatores que podem justificar esta situação.

As doenças alérgicas são muito frequentes e a gravidade pode ser considerável. Na Europa, afetam cronicamente mais de um terço da população, e Portugal não é exceção: mais de 25% da população tem queixas atuais de rinite; cerca de 10% tem asma; mais de 10% tem eczema atópico; 20% dos adultos tiveram pelo menos um episódio de urticária; 2 a 5% têm alergia alimentar; até 5% estão sensibilizados a venenos de insetos - vespas ou abelhas; um número indeterminado sofre de alergias medicamentosas; a patologia alérgica ocupacional é frequente. A acrescentar que, na maioria das vezes, as doenças alérgicas coexistem, como exemplo 80% dos asmáticos têm rinite e cerca de 40% dos doentes com rinite têm asma. Da rinite alérgica, até à anafilaxia, por vezes mortal, relacionada com ingestão de alimentos, toma de medicamentos ou picadas de insetos, passando pela asma, a população sente a sua presença, no próprio, na família, nos amigos, de forma quase epidémica. Para além do impacto médico direto, estas doenças quando não devidamente orientadas, diminuem muito a qualidade de vida das pessoas afetadas e das suas famílias, sendo causa frequente de absentismo e diminuição da produtividade, laboral na idade adulta e escolar nas crianças.

Apesar de serem cada vez mais frequentes e graves, continua a existir um claro problema de sub-diagnóstico e sub-tratamento. O especialista em Imunoalergologia, com a sua formação vertical em termos de grupos etários e sólidos conhecimentos da etiopatogenia da doença alérgica, é indiscutivelmente o profissional de saúde médico com maior sensibilidade para rentabilizar a abordagem global do doente alérgico. Reduz-se o consumo de múltiplas consultas que parcelarmente estudam a síndrome alérgica, melhora-se a qualidade de vida, poupa-se tempo e recursos económicos.

 

8. As alergias aos pólenes afetam mais as pessoas que vivem no campo ou nas cidades?

Contrariamente ao que seria de esperar, quem vive nas cidades tem maior risco de desenvolver alergias aos pólenes, comparado com as pessoas que vivem no campo, em zonas com mais vegetação.

Este fenómeno ocorre devido ao problema da poluição atmosférica. Os poluentes do ar, em particular os que resultam do tráfego automóvel, aumentam o risco para o indivíduo desenvolver alergia aos pólenes.

O mecanismo explicativo baseia-se na existência de um efeito adjuvante potenciador. Os poluentes são capazes de interagir com os pólenes, aumentando a sua “agressividade”, tornando-os mais alergénicos. As partículas dos poluentes podem atuar como transportadores, facilitando o transporte dos pólenes na atmosfera, existindo ainda a possibilidade de se verificar transferência dos alergénios dos pólenes para as partículas dos poluentes, ligando-se à sua superfície. Por outro lado, os poluentes são capazes de agir diretamente sobre as vias aéreas dos indivíduos, funcionando como irritantes, lesando a mucosa, induzindo processos de inflamação, aumentando a permeabilidade e suscetibilidade à ação dos pólenes.

Estudos epidemiológicos têm demonstrado que residir numa área poluída, particularmente com muito tráfego automóvel, se associa a um risco cerca de duas vezes superior para se tornar alérgico aos pólenes.

Mesmo em áreas urbanas os níveis de pólenes encontram-se em concentrações elevadas, uma vez que os grãos de pólenes, e principalmente os que mais causam alergia, são facilmente transportados pela ação do vento podendo atingir grandes distâncias, até cerca de 100km.

Finalmente, importa realçar que tanto no campo como na cidade, as alergias aos pólenes, podem ser impeditivas de uma qualidade de vida aceitável, manifestando desde quadros de rinite (queixas nasais) e/ou conjuntivite (queixas dos olhos) até formas de asma que podem ser muito graves.

Procure a ajuda do seu médico assistente, preferencialmente de um especialista de Imunoalergologia: controle a sua alergia, não deixe que as alergias controlem a sua vida!

 

9. Que tratamentos existem disponíveis para os doentes alérgicos aos pólenes?

O controlo eficaz da doença alérgica implica a combinação de várias medidas, desde a identificação do(s) alergénio(s) envolvidos, minimizando dentro do possível a exposição, ao uso combinado de diferentes medicamentos para diminuir os sintomas e, sobretudo, a inflamação crónica subjacente. Os medicamentos existentes podem essencialmente ser divididos em dois tipos:

  1. Medicamentos preventivos, anti-inflamatórios, que como o nome indica, destinam-se a combater a inflamação alérgica e a evitar o aparecimento dos sintomas. Os mais eficazes são os corticosteroides, seja por via nasal no tratamento da rinite, seja por via inalatória brônquica no tratamento da asma. Outros medicamentos deste grupo são as cromonas e os anti-leucotrienos.
  2. Medicamentos sintomáticos, para o alívio das queixas, incluindo anti-histamínicos para o controlo dos sintomas de alergia a nível do nariz, dos olhos ou da pele e, broncodilatadores para o tratamento das queixas de asma.

As vacinas antialérgicas são um tratamento específico, dirigido ao alergénio implicado, que têm uma grande eficácia desde que instituídas corretamente e sob vigilância estrita de médico da especialidade de Imunoalergologia. As vacinas antialérgicas consistem na administração a intervalos regulares das próprias substâncias a que o doente é alérgico (extrato alergénico), por um período de alguns anos, visando alterar a sua reação, configurando um processo de reeducação imunológica que visa potenciar os processos normais de tolerância que foram perdidos na doença alérgica. A via de administração mais frequente é a injeção por via subcutânea, normalmente com injeções de periodicidade mensal, mas existem formas não injetáveis, como a aplicação sublingual de gotas ou comprimidos que contêm os extratos alergénicos. É um método de tratamento que visa modificar a evolução da doença alérgica. Em doentes com rinite alérgica a pólenes que têm um risco aumentado de vir a desenvolver asma, as vacinas poderão prevenir essa evolução.

Controle a sua alergia! Não deixe que as alergias controlem a sua vida!

 

10. Porque é que se comemora em maio o Dia Mundial da Asma?

O Dia Mundial da Asma visa alertar para um importante problema de saúde, aumentando o conhecimento de doentes e familiares, de profissionais e autoridades de saúde, e do público em geral sobre a asma.

Porque é uma doença muito frequente: Afeta mais de 150 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se uma prevalência de cerca de 10%, afetando cerca de 1 milhão de portugueses.

Porque é uma doença de elevada morbilidade e potencial mortalidade: É responsável por elevados custos de saúde, diretos e indiretos muito consideráveis, sendo causa frequente de absentismo laboral e escolar, diminuição da produtividade e limitação da qualidade de vida dos muitos doentes afetados. Condiciona múltiplos recursos aos serviços de urgência e hospitalizações; sendo responsabilizada, a nível mundial, pela morte evitável de 180,000 indivíduos por ano.

Porque é necessário promover o diagnóstico e tratamento precoces: A asma é geralmente pouco valorizada, sub-diagnosticada e principalmente sub-tratada. Surge mais frequentemente na infância, embora possa manifestar-se em qualquer idade. É indispensável reconhecer os sintomas, para um diagnóstico e tratamento corretos, o mais precocemente possível. Se abandonada a uma evolução não controlada, a asma pode levar a alterações irreversíveis das vias aéreas, e as crises podem ser muito graves e até fatais.

Porque o controlo é possível e desejável: A asma não tem cura, mas pode ser controlada. O controlo significa uma otimização da qualidade de vida, poder estudar, trabalhar, ter uma vida social normal e praticar desporto. É necessário educar e promover o autocontrolo da doença. É importante alertar que é uma “doença inflamatória crónica” e que como tal deve ser tratada, sendo necessário efetuar a medicação preventiva prescrita pelo médico assistente, de forma regular, para conseguir o controlo da doença.

 

11. É possível a alergia a pólenes manifestar-se só por queixas nos olhos?

A conjuntivite alérgica é uma das manifestações clínicas da alergia a pólenes. Na maioria das vezes esta alergia ocular acompanha-se de sintomas nasais de rinite, sendo denominada de rinoconjuntivite alérgica, no entanto em muitos casos pode ocorrer isoladamente, podendo ser a única manifestação de alergia.

A conjuntivite alérgica é a forma mais comum de alergia ocular e caracteriza-se por episódios recorrentes de olho vermelho (hiperémia), comichão nos olhos, lacrimejo e/ou pálpebras inchadas (edema), podendo ainda associar por vezes sensação de corpo estranho ou ardência (queimor) e sensibilidade excessiva à luz (fotofobia).

As formas sazonais de conjuntivite alérgica, em que os sintomas se manifestam essencialmente na primavera, são habitualmente causadas pela alergia a pólenes, sendo os grãos de pólen mais frequentemente implicados de gramíneas, oliveira e erva parietária. Nas formas persistentes ou perenes, em que os sintomas ocorrem todo o ano, as causas são normalmente a alergia aos ácaros do pó e aos epitélios de animais domésticos, como por exemplo, o gato.

O diagnóstico baseia-se na história clínica, pela presença dos sinais e sintomas oculares característicos. A identificação do(s) alergénio(s) implicado(s) poderá ser efetuada por médico da especialidade de Imunoalergologia, pela realização dos testes cutâneos de alergia ou por métodos de diagnóstico laboratoriais.

O tratamento deverá basear-se no evitar do contacto com o alergénio, quando possível, incluindo uso de óculos escuros, e na utilização de medicamentos para o alívio dos sintomas, consistindo essencialmente em antialérgicos tópicos, sob a forma de colírios, e anti-histamínicos orais, preferencialmente não sedativos. Em casos selecionados, poderão ser instituídas vacinas antialérgicas, sob vigilância estrita de especialista de Imunoalergologia.

 

12. A alergia a pólenes pode ser causa de alergia alimentar?

A sensibilização a um alergénio inalado, como os pólenes, pode ser causa de alergia alimentar. O conceito que explica este fenómeno é a possibilidade de reatividade cruzada, entre proteínas distintas, que podem pertencer a plantas de origens muito diferentes, mas que por apresentarem uma estrutura semelhante vão ser reconhecidas pelo mesmo anticorpo. Nos indivíduos com alergia aos pólenes, existe a possibilidade de ocorrência de reatividade cruzada entre proteínas existentes no grão de pólen, a que os doentes se sensibilizam por via inalatória, com proteínas homólogas existentes em alimentos de origem vegetal. O resultado é o possível aparecimento de uma alergia alimentar, a frutos e/ou legumes, em doentes com alergia a pólenes, a que se denomina síndrome pólenes-frutos.

A manifestação clínica mais frequente desta síndrome é uma forma de alergia oral, que se caracteriza pelo aparecimento de edema, comichão e/ou formigueiro dos lábios, boca e garganta, quando o fruto contacta com a mucosa oral do indivíduo alérgico. Contudo, alguns doentes podem desenvolver reações mais graves como urticária, asma e, inclusivamente, choque anafilático. O diagnóstico deve ser efetuado em consulta com médico da especialidade de Imunoalergologia.

Os pólenes mais implicados são as gramíneas, tanchagem, artemísia, ambrósia e bétula. Os frutos mais frequentemente envolvidos são os pertencentes às famílias Rosaceae, tais como pêssego, maçã, pera, ameixa, cereja e alperce, e Cucurbitaceae, que inclui frutos como melão e melancia e legumes como abóbora e pepino.

Outros exemplos clássicos de reatividade cruzada entre alergénios inalados e alimentares são, a alergia a mariscos em doentes alérgicos ao pó (síndrome ácaros-mariscos) e a alergia a frutos e outros vegetais em doentes alérgicos à borracha (síndrome látex-frutos).

 

13. Porque é que a primavera é uma altura do ano habitualmente crítica para quem sofre de alergias?

Os doentes alérgicos podem encontrar-se sensibilizados a vários alergénios, podendo os pólenes ser a única fonte alergénica. Desde o final do inverno, continuando e predominando nos meses de Abril a Junho, estendendo-se de modo atenuado pelo verão e outono, os pólenes são libertados pelas múltiplas espécies vegetais existentes em Portugal. Nesta altura do ano, correspondendo ao pico da época polínica, as concentrações dos pólenes são muito elevadas, sendo responsáveis por sintomas alérgicos, que podem ser muito perturbadores da qualidade de vida, desde crises de asma, queixas de rinite e/ou conjuntivite, a manifestações alérgicas da pele.

De ano para ano, existem variações, na época polínica principal, em relação à altura do ano em que ocorre o pico de maior intensidade, e em relação às concentrações observadas. A explicação reside na influência de variáveis meteorológicas: a ocorrência de chuva (previamente à época polínica) condiciona fortes concentrações de pólenes quando a precipitação se interrompe, com os dias quentes e ventosos de primavera; pelo contrário, um ano seco, condiciona uma vaga polínica menos intensa, em particular das plantas mais sensíveis à falta de água, como as gramíneas.

Outros alergénios, existindo ao longo de todo o ano, são também nesta altura causa de alergia, tais como os ácaros do pó, os fungos e os animais de companhia; nestes casos, a primavera é mais uma época do ano em que ocorrem os sintomas, frequentemente com mais intensidade.
Finalmente, nesta altura, surgem outros agentes, que são capazes de desencadear reações alérgicas muito graves, que podem ser fatais, embora felizmente com uma frequência mais reduzida: é o caso da alergia a veneno de insetos, como as abelhas ou as vespas.

 

14. É verdade que o fumo do tabaco pode agravar as alergias?

São muitos os efeitos nocivos para a saúde associados com a exposição ao fumo do tabaco, seja ela ativa (pelo próprio), ou passiva (exposição ambiental, provocada por outros). Entre vários efeitos sobejamente conhecidos, nomeadamente carcinogéneos e cardiovasculares, o fumo do tabaco aumenta o risco para o aparecimento de alergia, asma e infeções respiratórias, e nos indivíduos com asma é um conhecido fator desencadeante das crises, associando-se a maior gravidade da doença, com aumento do risco para crises graves com recurso ao serviço de urgência, internamento hospitalar e mortalidade por asma. Para além de agravar os sintomas, a exposição ao fumo do tabaco, afeta a função pulmonar e interfere com a ação dos medicamentos que são usados para o controlo destas doenças, provocando uma diminuição da eficácia dos corticosteroides inalados, conduzindo por vezes à necessidade de associar vários medicamentos para alívio dos sintomas, o que poderia ser evitado se a exposição ao fumo do tabaco fosse interrompida. Isto é particularmente verdade na criança, que é mais suscetível, atendendo ao menor calibre das vias aéreas e à imaturidade do sistema imune.

É importante alertar que, apesar do ideal ser evitar o tabagismo ativo, bem como a exposição passiva ao fumo do tabaco, pelo menos que os pais das crianças alérgicas, particularmente se asmáticas, tomem consciência deste problema, e deixem de fumar ou deixar que outros fumem perto dos seus filhos (em casa, no carro, nos cafés, …). É preciso não esquecer que a criança pequena não pode manifestar verbalmente o seu mal-estar, e que a tosse é habitualmente a sua única forma de expressão.

Não prejudique a sua saúde, e principalmente não prejudique a saúde dos seus filhos: Não fume… pelo menos junto das crianças.

 

15. Quais são as alergias mais frequentes na criança?

A asma, a rinite e o eczema atópico são as doenças alérgicas mais frequentes na criança. De acordo com os estudos epidemiológicos aplicados em crianças no nosso país, podemos afirmar que mais de um terço (cerca de 40%) tem pelo menos uma destas doenças: 20 a 30% têm rinite, 10 a 15% têm asma e cerca de 15% têm eczema (frequência de sintomas no último ano). Sendo muitos os casos em que estas doenças coexistem: a maioria dos asmáticos tem rinite, quase metade das crianças com rinite podem ter ou vir a sofrer de asma, quase metade das crianças com eczema atópico podem vir a desenvolver asma. Apesar de estas entidades serem cada vez mais frequentes e graves em idade pediátrica, continua a existir um claro problema de falta de diagnóstico e consequente ausência de tratamento adequado, causando muito sofrimento às crianças afetadas bem como às suas famílias. Estas doenças são de tendência familiar, sendo de cerca de 25% a probabilidade de ocorrência da doença num filho se existem sintomas em um dos progenitores, e de cerca de 50% se forem ambos os progenitores.

Outra patologia alérgica mais frequente na infância é a alergia alimentar, que ocorre em cerca de 5 a 10% das crianças, com maior incidência nos primeiros anos de vida. No nosso país, os alimentos mais frequentemente implicados, em idade pediátrica, são o leite e o ovo, seguidos do peixe. A partir da idade escolar começa a ganhar expressão outro tipo de alimentos como os frutos secos e o amendoim, os mariscos e os frutos frescos. Em alguns doentes alérgicos, com quadros clínicos mais graves, a ingestão não reconhecida dos alergénios alimentares, mesmo em quantidades mínimas, ocultados em outros alimentos (por exemplo, leite misturado com sumos de frutas, ou frutos secos em barras de cereais) pode ser muito grave, podendo colocar em risco de vida o doente alérgico.

 

16. Qual é a forma mais frequente de manifestação da alergia aos pólenes?

A alergia aos pólenes, também chamada polinose, é uma doença muitas vezes não diagnosticada e não tratada, apesar de ser um problema frequente na população Portuguesa. A forma mais habitual de manifestação é a rinite alérgica, cujos sintomas são crises de espirros, prurido ou comichão nasal, corrimento nasal e obstrução ou congestão nasal, por vezes também tosse e irritação na garganta. Frequentemente estas queixas associam-se a conjuntivite alérgica, com prurido ocular, lacrimejo, olho vermelho e edema palpebral. A rinite é uma doença crónica que tem um importante impacto na qualidade de vida, interferindo com o bem-estar, com as atividades profissionais no caso dos adultos e escolares no caso das crianças, com a vida social e com as atividades diárias, podendo ser causa de má tolerância ao exercício e de perturbações significativas do sono. Os custos associados são substanciais, particularmente os indiretos. Pode ser causa de insucesso, profissional e escolar, por condicionar perturbações da capacidade de concentração, e mesmo absentismo, se não tratada adequadamente.

Outro motivo, pelo qual o doente deve fazer o tratamento é pela prevenção de outras doenças que frequentemente se associam à rinite. É o caso da sinusite, que é uma complicação frequente da rinite não tratada. Assim como a otite média e a polipose nasal. A rinite associa-se ainda frequentemente à asma, sendo um fator de risco quer para o aparecimento, quer para a maior gravidade da doença. Cerca de 40% dos doentes com rinite têm asma e 80% dos doentes asmáticos têm rinite. O tratamento da rinite permite melhorar os sintomas da asma e pode prevenir o seu aparecimento. A confirmação do diagnóstico deverá ser efetuada por um médico especialista em Imunoalergologia, conjugando a história clínica com a realização dos testes de diagnóstico de alergia.

 

17. Os doentes alérgicos podem praticar desporto?

Os doentes alérgicos, nomeadamente com asma, devem ser encorajados a praticar desporto, devendo ser recomendadas as medidas que permitem a sua plena integração nas atividades individuais ou de grupo que aspirem, incluindo indicações sobre como prevenir as queixas durante a prática do exercício.

No passado era comum pensar-se que uma pessoa com alergia, particularmente com asma, não deveria praticar desporto. Hoje sabe-se que é necessário desmistificar este conceito, e que o doente alérgico, incluindo o doente com asma, cumprindo um plano adequado de controlo da doença feito pelo seu médico, pode e deve participar em desportos ou outra atividade física, quer sejam aulas de educação física, desportos de lazer ou de alta competição.

Os cuidados a ter, devem iniciar-se com o seguimento médico adequado, existindo atualmente medicamentos que conseguem controlar e prevenir as queixas desencadeadas pelo exercício físico. Algumas medidas não farmacológicas têm-se revelado benéficas no atenuar das queixas: efetuar exercícios de "aquecimento" prévios; adotar preferencialmente uma respiração nasal, permitindo maior aquecimento e humidificação do ar; evitar fazer exercício em ambientes frios e secos; evitar os irritantes, como o fumo do tabaco e outros poluentes. Alguns cuidados específicos, deverão ser acrescentados, para os doentes alérgicos aos pólenes: evitar (ou pelo menos reduzir) a prática do desporto em ambiente exterior, preferindo recintos fechados, nos períodos de maior concentração de pólenes no ar, para o que deverá estar atento ao boletim polínico; evitar sobretudo os dias quentes e ventosos, em que as concentrações polínicas são maiores; evitar os treinos durante a manhã, altura em que os níveis de pólen no ar são mais elevados; evitar locais com maior poluição, nomeadamente com maior tráfego automóvel.

 

18. Qual é a gravidade da asma em Portugall?

A asma constitui um importante problema de saúde, sendo cada vez maior o número de pessoas afetadas por esta doença. As projeções mundiais para 2025 preveem um incremento de mais 100 milhões de asmáticos em todo o mundo. Em Portugal, a asma afeta aproximadamente 1 milhão de portugueses, associando-se a custos de saúde diretos e indiretos muito significativos.

Atendendo ao aumento do número de casos, seria de esperar que existisse também um aumento do número de internamentos e de mortes por asma. Felizmente, nos últimos anos, Portugal deixou de ter taxas de mortalidade por asma relativamente elevadas, da ordem de 4 por cada 100,000 habitantes na década de 80, para valores atuais da ordem de 1 por cada 100,000 habitantes. E se ocorreu uma redução nas taxas de mortalidade, o mesmo se verificou nas taxas de internamento por asma, que também têm vindo a diminuir progressivamente nos últimos anos, embora de um modo mais lento.

Várias razões poderão ser apontadas, na justificação da melhoria destes indicadores de saúde, entre as quais certamente se destacam os esforços do Programa Nacional de Controlo da Asma e de sociedades científicas como a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), com ações de formação junto dos médicos e ações de divulgação e informação sobre a doença dirigidas à população, com o apoio imprescindível dos meios de comunicação social, permitindo uma melhoria dos conhecimentos e otimização do controlo da doença. No entanto, apesar da redução significativa do número de mortes e internamentos por asma, muito há ainda a fazer para melhorar, até porque por definição esta é uma causa de morte evitável.