Linfoma: e agora?

O linfoma é uma doença maligna, mas que pode ter cura. Reconhecer os sintomas é o primeiro passo para o diagnóstico da doença e para o início do tratamento.
Publicado por: CUF em
Tags: gânglios linfáticos , linfoma , sangue
Linfoma

O linfoma é um grupo de doenças malignas do sangue. Desenvolve-se no sistema linfático, que é composto por uma rede de vasos linfáticos que transporta a linfa. Os linfócitos são um tipo de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo contra agressões de agentes infeciosos como bactérias ou vírus e, como tal, peças-chave do sistema imunitário.

No linfoma, os linfócitos multiplicam-se de forma anómala e acumulam-se nos gânglios linfáticos, fazendo com que estes aumentem de tamanho, ou podem circular por todo o organismo e atingir outras regiões e órgãos, linfoides e não linfoides, como o baço, o fígado, o tórax, o abdómen, a medula óssea e os pulmões.

 

Sintomas

Procure o seu médico se tem:

  • Aumento dos gânglios linfáticos, designadamente na zona do pescoço, axilas ou virilhas
  • Febre recorrente
  • Perda de apetite e emagrecimento (nomeadamente por dificuldade em engolir)
  • Cansaço
  • Suores noturnos
  • Prurido

Alguns doentes referem dor nos gânglios depois de consumirem bebidas alcoólicas.

 

Incidência

O número de casos de linfoma tem vindo a aumentar nas últimas décadas. Em Portugal, são anualmente diagnosticados 1700 novos casos de linfoma.

 

Causas

As causas do linfoma não são conhecidas, embora sejam sugeridos alguns fatores de risco, designadamente a imunossupressão causada por medicamentos ou por doenças, com a infeção por VIH/SIDA e a infeção pelo vírus Epstein-Bar.

 

Tipos de Linfoma

1. Linfoma não-Hodgkin (LNH)

Este é o tipo de linfoma mais frequente, representando cerca de 85% dos casos de linfomas e 4% das neoplasias em geral. Atinge 10 a 15 pessoas por 10 mil habitantes em cada ano. Na altura do diagnóstico, a idade média dos doentes é de 65 anos, mas pode surgir em pessoas de todas as idades.

O LNH consiste na proliferação de linfócitos B (cerca de 85% dos LNH) ou linfócitos T. Em alguns casos, a doença evolui lentamente; noutros, a evolução é muito rápida. Pode classificar-se como:

  • Indolente: o curso da doença é lento e habitualmente sem sintomas no início. Pode não ser necessário fazer tratamento imediatamente após o diagnóstico. Quando o tratamento é iniciado, a resposta costuma ser favorável, embora possam ocorrer recaídas.
  • Agressivo: a doença evolui rapidamente e com sintomas, requerendo tratamento imediato, em geral com bons resultados.

 

2. Linfoma de Hodgkin ou doença de Hodgkin

O Linfoma de Hodgkin é uma neoplasia caracterizada pela existência de células Reed-Sternberg (células malignas gigantes). É uma patologia pouco frequente, atingindo três em cada 10 mil pessoas. Os mais afetados são jovens adultos na terceira década de vida e idosos com cerca de 60 anos. A taxa de cura é elevada, podendo atingir os 80%. O Linfoma não-Hodgkin é cinco vezes mais comum do que o Linfoma de Hodgkin.

 

Diagnóstico

A análise ao sangue pode levantar a suspeição da doença. Contudo, é necessária confirmação histológica após biópsia com excisão de gânglio/tecido. A realização de outros exames é fundamental para fazer o estadiamento e escolher a terapêutica.

 

Tratamento?

O tratamento será determinado pela idade do doente, pelo diagnóstico, pelo estádio da doença (estádio I a IV, conforme o envolvimento extranodal) e pelo prognóstico.

As opções passam por quimioterapia e/ou radioterapia e, em alguns casos, por transplante (autólogo ou alogénico) de medula óssea. No transplante autólogo, o dador é o próprio doente.