O que esperar nos 3 primeiros meses de amamentação

Para que a mãe recente se sinta segura, eis o que deve saber
Publicado por: CUF em
Tags: amamentação , benefícios da amamentação , leite materno , oxitocina , prolactina

O aleitamento materno tem inúmeros benefícios para o bebé e para a mãe e a ciência já o comprovou (veja a infografia “Os benefícios da amamentação”). No entanto, é perfeitamente natural que as mães recentes se sintam inseguras em relação ao processo de amamentação. 
Um estudo apresentado no IX Simpósio Internacional de Aleitamento Materno, que decorreu recentemente em Madrid, reforçou alguns dados sobre os padrões de amamentação dos bebés nos primeiros meses de vida que podem ajudar as mães recentes, aumentando a sua autoconfiança.

 

Padrões de amamentação
De acordo com o estudo “Longitudinal changes in breastfeeding patterns from 1 to 6 months of lactation”, conduzido por uma investigadora do Grupo Hartmann de Investigação em Aleitamento Materno da University Western Australia, o aleitamento materno resulta mais eficaz durante os primeiros três meses de vida do bebé, altura em que o número de vezes que o bebé mama diminui gradualmente e, em simultâneo, aumenta a quantidade de leite que ingere de cada vez. Já entre o terceiro e o sexto mês do bebé, a frequência com que o bebé necessita de se alimentar e a quantidade de leite de que precisa mantém-se regular. 

 

Variações normais 
Segundo esta pesquisa, as mudanças de comportamento no bebé ao longo dos meses de amamentação são perfeitamente naturais, tratando-se de um processo de adaptação do recém-nascido, e a variação na frequência das tomas não significa que as mães tenham falta de leite – de acordo com esta pesquisa, pensarem que não têm leite faz com que muitas mulheres deixem de amamentar por acharem que o bebé não está a receber a quantidade de leite de que necessita e ficarem inseguras e preocupadas.

 

8 conselhos para uma amamentação bem sucedida:

  1. A mãe deve procurar manter o bebé perto de si, especialmente de início, para conhecê-lo bem;
  2. Evitar fatores de stresse/ansiedade. A mãe sentir-se contente, ter prazer quando vê ou sente o bebé e ter confiança na sua capacidade de amamentar vai ajudar o reflexo da ocitocina – hormona que estimula a contração das células musculares à volta dos alvéolos fazendo com que o leite que está armazenado na mama flua mais facilmente; 
  3. Dar de mamar sempre que o bebé apresentar sinais precoces de fome e em horário livre. Quanto maior for o número de mamadas, maior a quantidade de leite produzida;
  4. Continuar a dar de mamar durante a noite. A produção de prolactina (hormona que atua na mama, fazendo com que as células secretoras produzam leite e que faz com que a mãe se sinta relaxada e algumas vezes sonolenta) aumenta à noite, o que significa que amamentar durante a noite é muito importante para manter a produção de leite. Além disso, o leite materno contém uma substância que, se permanecer na mama, atua como fator inibidor, levando a que as células deixem de o produzir. Se o leite materno for removido, o fator inibidor também é removido e, então, a mama vai produzir mais leite;
  5. Assegurar uma pega correta;
  6. Evitar a utilização de mamilos artificiais, chuchas e biberões (o diferente posicionamento da língua confunde o bebé, que começa a ter dificuldade em mamar);
  7. Ponderar bem a introdução de substitutos do leite materno, pois estes interferem no processo para estabelecer e manter a produção e a quantidade de leite);
  8. Se a mãe se sentir pouco confiante, deve aconselhar-se com um técnico de saúde.

 

Sabia que…
Dados do relatório “Nutrition in the First 1,000 Days. State of the World’s Mothers 2012”, da Organização Não Governamental Save the Children, cerca de 90% das mães em Portugal optam pelo aleitamento materno