Amamentação: tudo o que precisa de saber

Leia o artigo abaixo e saiba tudo o que precisa sobre Amamentação: como amamentar, como prevenir problemas frequentes, como conservar o leite materno, entre muitos outros tópicos.
Publicado por: CUF em
Tags: amamentação , benefícios da amamentação , conservação do leite materno , ingurgitamento mamário , mamilos gretados , mastite

A amamentação é um ato de amor e carinho, que proporciona uma relação íntima entre mãe e bebé, sendo um fator fundamental para o seu desenvolvimento psicoafetivo.

 

Amamentação: benefícios para o bebé e para a mãe

O leite materno é o melhor e mais completo alimento que existe para o bebé: previne infeções, obesidade e diabetes. Para além disso, está sempre pronto e à temperatura ideal, sendo económico e de fácil digestão.

Para a mãe, a amamentação previne hemorragias no período pós-parto e promove a involução uterina. Reduz o risco de osteoporose, cancro da mama e cancro do ovário, ajudando ainda a mãe a recuperar o seu peso habitual.

No entanto, apesar de se tratar de um ato natural e com inúmeros benefícios para a mãe e para o bebé, a amamentação requer um período de adaptação e a mãe deve estar bem informada para que usufrua desta fase com tranquilidade. Vamos ajudá-la!

 

Leite Materno

Como é produzido o leite materno?

A quantidade de leite produzida não depende da mãe, sendo regulada pelo bebé segundo vários fatores: intervalo entre as mamadas, volume de leite ingerido de cada vez e se obtém leite de uma só mama ou das duas.

Pode haver uma grande variabilidade no intervalo entre as mamadas e no volume de leite ingerido por refeição mas não no volume total ingerido diariamente. O choro é um sinal tardio de fome e nem todos os bebés choram após a manifestação dos sinais precoces de fome.

Qual o papel da amamentação na produção do leite materno? 

Durante a amamentação, sempre que o bebé suga, as terminações nervosas do mamilo iniciam um ciclo em que intervêm hormonas (ocitocina e prolactina) que levam ao processo de produção de leite e à sua passagem da mama para o bebé.

A ocitocina estimula a contração das células musculares à volta dos alvéolos e o leite que está armazenado na mama flui mais facilmente durante a amamentação. Se o reflexo da ocitocina não funcionar bem, o leite permanece na mama e não sai, reduzindo a quantidade de leite necessária para o bebé.

Fatores como a mãe sentir-se contente, ter prazer quando vê ou sente o bebé, mesmo quando este chora, vão ajudar o reflexo da ocitocina, assim como o facto de a mãe ter confiança na sua capacidade de amamentar e a convicção de que o seu leite é o melhor para o bebé. Deve, por isso, evitar fatores de stress ou ansiedade.

Qual é o papel da prolactina para a formação do leite materno? 

A prolactina atua na mama, fazendo com que as células secretoras produzam leite. A prolactina faz com que a mãe se sinta relaxada e algumas vezes sonolenta. Cerca de 30 minutos após a amamentação, a prolactina atinge o pico máximo de concentração no sangue, o que faz com que a mama produza leite para a mamada seguinte. Assim, quanto maior for o número de mamadas, maior a quantidade de leite produzida. A produção de prolactina aumenta à noite, o que significa que amamentar durante a noite é especialmente importante para manter a produção de leite.

Fator inibidor da lactação 

Existe no leite uma substância que, se permanecer na mama, atua como fator inibidor, faz com que as células deixem de o produzir, "controlando" a produção excessiva de leite. Se o leite materno for removido, via amamentação ou outra, o fator inibidor também é removido e, então, a mama vai produzir mais leite.

Características do leite materno 

A composição do leite materno altera-se ao longo do tempo, do dia, e da mamada. Varia de acordo com as necessidades do bebé e adapta-se ao seu ritmo de crescimento. Durante a alimentação exclusiva com leite materno o bebé não necessita de ingerir água ou outros suplementos.

  • Colostro: Tem cor amarelada e/ou transparente e é produzido em pequena quantidades até ao 2º a 3º dias após o parto. É pobre em gorduras e lactose, mas muito rico em proteínas e anticorpos que vão proteger o bebé contra infeções. Tem efeito laxante e promove a maturação do intestino.
  • Leite de transição: Tem uma cor mais parecida com a do leite. Tem maior concentração de gorduras, vitaminas e lactose (maior aporte energético). Entre o 2º e o 3º dia, as mamas ficam mais tensas e poderá surgir um pico febril – isto deve-se ao aumento do volume de leite produzido (descida do leite).
  • Leite maduro: Surge a partir do 15º dia até ao desmame. Durante a amamentação inicialmente o leite é mais líquido e açucarado (rico em água e hidratos de carbono) e vai se tornando cada vez mais espesso e rico em lípidos (gorduras).

 

Amamentação: dicas e conselhos 

Fatores de sucesso da amamentação

  • A mãe deve procurar manter o bebé perto de si, especialmente ao início, para conhecê-lo bem;
  • Dar de mamar sempre que o bebé apresentar sinais precoces de fome e em horário livre;
  • Assegurar uma pega correta;
  • Manter as mamadas da noite;
  • Evitar a utilização de mamilos artificiais, chuchas e biberões (o diferente posicionamento da língua confunde o bebé, que começa a ter dificuldade em mamar);
  • Ponderar devidamente a introdução de substitutos do leite materno (que interferem no processo para estabelecer e manter a produção e a quantidade de leite);Se estiver insegura, peça ajuda a um técnico de saúde.

Horários, duração e intervalos da amamentação

A amamentação deve ser frequente, em horário livre, sem restrições na duração, nos intervalos ou no acesso a uma ou duas mamas em cada refeição. Não existe relação entre o tamanho do peito e a capacidade de produção de leite.

1.Ofereça primeiro a mama em que o bebé não mamou da última vez ou a que mamou em último lugar;

2.Deixe o bebé esvaziar completamente a mama e só depois ofereça a outra;

3.O bebé deve mamar até ficar satisfeito;

4.O intervalo livre entre as mamadas habitualmente não ultrapassa as 4 horas.

Preparação para a amamentação

  • Lave bem as mãos;
  • Escolha um lugar agradável e adote uma postura confortável para que se sinta relaxada;
  • Se der de mamar sentada, as suas costas devem estar direitas e apoiadas assim como os braços. Os seus pés devem assentar completamente no chão. Coloque uma almofada no colo para apoiar o bebé;
  • Se der de mamar deitada, deite-se bem de lado, com uma almofada debaixo da sua cabeça e o ombro repousado na cama;
  • Uma vez que o bebé esteja a mamar bem, será capaz de o alimentar confortavelmente em qualquer local.

Adaptar o bebé à mama

É importante assegurar que o bebé faz uma boa pega pois, de outra forma, pode não conseguir ingerir a quantidade de leite suficiente durante a amamentação, podendo esta ser dolorosa e os seus mamilos ficar magoados e/ou gretados.

Como posicionar o bebé para a amamentação

  • A mãe deve segurar o bebé bem aconchegado a si;
  • A barriga do bebé deve estar encostada à barriga da mãe (cabeça, ombros e corpo numa linha reta);
  • O nariz ou lábio superior do bebé devem estar na direção do mamilo;
  • Deve esperar que o bebé abra bem a boca (pode roçar levemente os lábios contra o seu mamilo);
  • Mova-o rapidamente para a mama, ou seja, "bebé para a mama e não mama para o bebé" (o mamilo e a aréola devem ficar na boca do bebé);
  • Verifique se a boca do bebé está bem aberta, o queixo encostado à mama e o lábio inferior voltado para fora;
  • A aréola é mais visível por cima do que por baixo da boca do bebé;
  • O padrão de mamar do bebé muda de sucções breves para longas, profundas e com pausas.

Sinais de ingestão suficiente de leite

Nos primeiros dias é difícil perceber se o bebé está a ingerir a quantidade de leite que precisa. As dúvidas aumentam se estiver sempre a chorar ou não acalmar depois da amamentação. A maioria dos bebés mama entre 8 a 10 vezes por dia e, ao fim da 1ª semana entre 6 a 8 vezes por dia (mais ou menos de 3 em 3 ou de 4 em 4 horas).

  • Durante a mamada observe a deglutição do bebé, (a forma como este engole);
  • As mamas esvaziam e ficam mais moles depois do bebé mamar;
  • A urina do bebé deve ser clara e sem cheiro, em média com 6 a 8 fraldas molhadas por dia;
  • As fezes devem ser semilíquidas e amareladas, a partir do 5º dia e tem pelo menos 3 dejeções diárias;
  • O bebé apresenta uma pele firme e hidratada.

Dieta e estilo de vida da mãe durante a amamentação

Enquanto estiver a amamentar, a mãe deve procurar manter uma dieta equilibrada e variada com ingestão de líquidos. Não deve ingerir bebidas estimulantes como chá preto e café ou bebidas alcoólicas, fumar ou tomar medicamentos sem receita médica.

 

Problemas que podem surgir durante a amamentação

Saiba como prevenir e tratar situações muito frequentes:

1. Mamilos gretados

Os mamilos podem ficar doridos ou com fissuras logo no início da amamentação, tornando este um processo doloroso.
– Como prevenir:

  • Verificar se o bebé pega bem na mama;
  • Não interromper a amamentação, deixando que seja o bebé a fazê-lo. Se necessário, deve colocar um dedo entre a auréola e a língua do bebé de modo a interromper a sucção;
  • Lavar os mamilos apenas uma vez por dia (hora do banho);
  • Evitar a utilização de discos absorventes impermeáveis;
  • Utilizar conchas de arejamento sob o soutien;
  • Aplicar e deixar secar algumas gotas de leite materno e pomada para o efeito (hidratante/cicatrizante) no mamilo e auréola, após o banho e cada mamada.

– O que fazer

  • Iniciar a amamentação pelo mamilo menos doloroso. Continuar as indicações para prevenção.

2. Ingurgitamento mamário 

Quando ocorre a "descida" do leite, entre o 2º e o 3º dia, as mamas podem ficar tensas, quentes e dolorosas. Pode surgir febre (38º) durante 24 horas.

– Como prevenir

  • Iniciar a amamentação logo após o parto em “horário livre” (sempre que o bebé quiser), e assegurar uma pega correta.

– O que fazer

  • Aplicar calor (placa térmica/compressas quentes ou chuveiro com água morna) e massajar suavemente a mama com movimentos circulares em direção ao mamilo;
  • Colocar o bebé a mamar primeiro na mama mais cheia;
  • Se a mama continuar congestionada após a amamentação, a mãe deve esvaziá-la manualmente ou com ajuda de uma bomba extratora de leite, até sentir-se confortável;
  • Quando terminar, deve aplicar frio (placa térmica/gelo protegido ou compressas frias) durante 5 minutos, suspender por 2 minutos e aplicar por mais 5 minutos;
  • Na mamada seguinte deve-se repetir o mesmo procedimento na outra mama.

3. Mastite (mama inflamada) 

Nesta situação, a mama fica vermelha, tensa, quente e bastante dolorosa, provoca mal-estar e é acompanhada de febre. Está associada ao bloqueio de ductos (canal onde passa o leite) ou a situações infeciosas associadas à contaminação por microrganismos através dos mamilos gretados.

– Como prevenir

  • Tratar o ingurgitamento e os mamilos gretados;
  • Evitar a compressão excessiva da mama com os dedos durante a amamentação;
  • Evitar roupas que comprimam a mama.

– O que fazer:

  • Continuar a amamentar;
  • Após a amamentação do lado afetado, esvaziar manualmente ou com ajuda de uma bomba extratora de leite, até sentir-se confortável;
  • Seguir as indicações de como tratar o ingurgitamento;
  • Consultar o médico obstetra;
  • Repousar

 

Extração e conservação de leite materno

Antes de iniciar a extração do leite, a mãe deve lavar bem as mãos. Os materiais utilizados na extração e armazenamento podem ser lavados na máquina da loiça ou com água quente e sabão e enxaguados abundantemente com água. Seque-os e guarde-os em local limpo.

Para facilitar a saída do leite:

  • A mãe deve procurar manter-se tão confortável e relaxada quanto possível;
  • Aplique calor (placa térmica/compressas quentes ou chuveiro com água morna);
  • Massaje suavemente a mama com movimentos circulares em direção ao mamilo;
  • Estimule levemente os mamilos entre o dedo indicador e o polegar.

Técnica para extração manual 

  • A mãe deve fazer um "C" com a sua mão para apoiar a mama e colocar o polegar acima e o indicador abaixo da linha da aréola;
  • Mantendo os dedos na mesma posição, deve exercer uma ligeira pressão para trás;
  • Deve comprimir e pressionar para a frente, em simultâneo, o polegar e o indicador, sem deslizarem na pele;
  • Suspenda a pressão e repita o movimento anterior alternadamente (comprimir, pressionar e soltar);
  • Pode-se rodar a posição da mão em volta da aréola.

Bombas Manuais

São mais fáceis de usar quando a mama está cheia do que quando está menos firme.

Bombas Elétricas 

São rápidas e fáceis de utilizar porque funcionam automaticamente. São especialmente indicadas se houver necessidade de extrair leite por um período de tempo prolongado (por exemplo, se o bebé ficar internado na neonatologia).

Não se esqueça: se utilizar uma bomba manual ou elétrica, siga as instruções do respetivo fabricante.

Conservação do leite materno 

  • Em cada extração deve-se identificar o recipiente para recolha e conservação do leite com a data e hora.
  • Congele o leite que não tenciona utilizar dentro de 24 a 48 horas;
  • Descongele o leite lentamente no frigorífico ou à temperatura ambiente;
  • Depois de descongelado, conserve o leite no frigorífico e utilize-o dentro de 24 horas;
  • Aqueça o leite em banho-Maria e nunca no micro-ondas;
  • Uma vez aquecido à temperatura ambiente, o leite deverá ser utilizado ou deitado fora.

O leite conserva-se durante os seguintes períodos de tempo:

  • 3 dias no frigorífico a uma temperatura de 2-4ºC;
  • 3 meses no congelador do frigorífico com porta separada;
  • 6 meses na arca congeladora.